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Ieda Almeida

  • Terça-Feira, 17/07/2018

    Caminho entre os pecadores porque peco, também

    “…Caminho entre os pecadores porque peco, também…”

     

    Xingo pessoas das quais nem conheço, apenas por pura falta de paciência de uma longa fila do supermercado. Grito nomes desaprovados por pessoas de boa conduta, apenas por sentir-me um pouco mais leve e tranquilo. Cometo pecados incontáveis diariamente por não ter um manual de instrução passo-a-passo sobre como me comportar em meio à sociedade civilizada. Por isso gosto das pessoas verdadeiras. Aquelas que são aquilo que são, sem mais. Admiro a originalidade do ser, a naturalidade do aceitar e a vulnerabilidade dos sentimentos.

     

    Caminho entre os pecadores porque peco, também. Acredito em Deus, mas não frequento igrejas. Sou católico consagrado, mas não leio a bíblia. Rezo todas as noites, mas carrego comigo pensamentos impuros.

     

    Admiro as garotas que falam o que pensam sem importar-se com a opinião de outrem. Garotas que mastigam o medo e o engolem a seco. Prezo os rapazes que carregam em si a sinceridade na alma e são aquilo que fazem, não aquilo que dizem fazer. Gosto das peles morenas e alvas marcadas pelas cicatrizes da vida e pelas artes tatuadas e rabiscadas.

     

    Aprecio as pessoas que gritam verdades ao mundo e se jogam de cabeça nas profundezas do agora. Planejar o futuro é coisa pra quem não usufrui o presente. Prefiro as pessoas certas daquilo que querem do que aquelas cobertas por dubiedades fúteis. Gostos dos romances à moda antiga. Amor é um clássico em meio à modernidade.

     

    Ando entre os pecadores porque peco, também. São os pecados que te levam ao paraíso. Pois sem eles, você já estaria lá.

     

    Sou o que sou, fiel a mim mesmo e sincero aos meus desejos mais íntimos.

     

    Xingo. Peco. Grito.

     

    Sou ser.

     

    Sou humano.

     

    Pecador e sonhador, em um mundo coberto de pessoas rasas e desacreditadas.


    *Pedro Ficarelli - https://www.facebook.com/poet0logia/

  • Segunda-Feira, 16/07/2018

    Aprenda a não revidar, deixe que a vida faça isso por você

    Aprenda a não revidar, deixe que a vida faça isso por você. E ela sempre fará, porque ninguém sai dessa vida sem pagar a devida conta de seus atos. Quando o erro não é seu, apenas relaxe.

     

    Não é fácil mantermos a calma quando existe alguém nos incomodando com maldade, agressividade, falsidade ou tudo isso junto. Parece que a energia negativa da pessoa contamina o ambiente e quem estiver por perto, fazendo com que todo mundo ao seu redor fique se rebaixando ao seu nível. E isso não faz bem para ninguém.

     

    Um dos maiores favores que conseguiremos fazer para nós mesmos será conseguirmos ignorar, deixar quieto, deixar pra lá. Silenciarmos, enquanto o outro espera que gritemos e nos desequilibremos, tem uma incrível capacidade de neutralizar o peso que gente ruim carrega para lá e para cá. Como ocorre com tudo nessa vida, o mal, ao não encontrar reciprocidade, vai embora.

     

    A vida anda difícil, sobrecarregada, retirando-nos as forças, enquanto nos equilibramos em meio à correria célere do cotidiano esmagador que nos preenche os dias. Poucos conseguem obter real prazer enquanto se dedica ao trabalho, num ambiente em que as pessoas estão se tornando cada vez mais complicadas. O mundo policia cada um de nossos atos, cada palavra que falamos e escrevemos, aguardando algum possível deslize que possa ser usado contra nós.

     

    Com isso, confiamos pouco no outro, quase não nos abrimos com as pessoas, por medo, insegurança e cautela. E isso tudo vai se acumulando dentro da gente, tornando nossos passos cada vez mais pesados e solitários. A gente acaba não aguentando tanto sentimento represado dentro do peito e, muitas vezes, desconta em quem não merece. A gente se isola e vive a solidão em meio a uma multidão solitária.

     

    Isso contribui para que laços afetivos não se firmem, ou seja, não construímos um relacionamento verdadeiro com as pessoas. Assim, pouco nos importamos com os sentimentos do outro, pouco nos colocamos no lugar de alguém, pouco nos importa que magoemos as pessoas. Para muitos, o outro é apenas alguém que pode vir a ser interessante, caso possa ser usado em seu favor de alguma forma.

     

    Há, como se vê, uma urgente necessidade de não propagar essa ausência de afeto que paira sobre nós, não entrando no jogo de quem só quer disseminar discórdia. Aprenda a não revidar, deixe que a vida faça isso por você. E ela sempre fará, porque ninguém sai dessa vida sem pagar a devida conta de seus atos. Quando o erro não é seu, apenas relaxe.

     

    *Prof. Marcel Camargo

  • Sexta-Feira, 13/07/2018

    Sempre ao seu lado!

    Realmente, foi muito emocionante a narrativa do repórter Lucas Cidadefeita na Rádio Uirapuru contando a cena do morador de rua que morreu após seu casaco ter se enroscado na fechadura da porta de seu barraco e passou a ser vigiado por animais de estimação.


    Quando foi encontrado, já sem vida, uma cena chamou a atenção dos primeiros que chegaram ao verem um galo e a cachorrada montando guarda protegendo aquele que por eles tinha estima e dispensava cuidados, quiçá tirando parte do seu próprio e escasso alimento para repartir com seus fiéis amigos: três cachorros!

     

    Esse fato dos três cachorros postados como fieis cuidadores velando o cadáver de seu dono que também se revelou um fiel cuidador deles mexeu com as emoções das pessoas e muitos ouvintes lembraram-se de um acontecimento semelhante registrado no Japão e que se tornou produção cinematográfica de sucesso mundial na década passada.

     

    “Sempre ao Seu Lado”, filme estrelado pelo galã americano Richard Gere relata a história do cão da raça Akita e nome Hachiko que, nos anos de 1930, no Japão, passou cerca de 10 anos esperando seu dono voltar do trabalho.

     

    Hidesaburo Ueno era um professor universitário que vivia em Tóquio e sofreu um ataque cardíaco durante uma de suas aulas e não resistiu, falecendo sem voltar para a casa. Mesmo assim, o cachorro foi à estação esperar seu dono voltar do expediente todos os dias por 10 anos.

     

    Que bichos serão esses que acompanham seu amigo com total fidelidade até nos piores momentos, enfrentando até a fome e o frio? Que bichos são esses que “sempre ficam ao seu, ao meu, ao nosso lado”? Profissionais que trabalham com cães garante que essa fidelidade não tem limite “porque o cachorro é o único ser que vai amar seu cuidador com mais intensidade do que ele se ama”. E fazem isso sem qualquer tipo de julgamento, agem de modo incondicional.

     

    Embora no campo cientifico existam divergências a respeito da possibilidade ou não de um cachorro amar uma pessoa a vida real mostra ponto interessante nesse sentido: qualquer um que tenha um desses animais em casa sabe que os laços que se criam entre humanos e o animal de estimação são de grande intensidade. E é comum que isso cause estranheza entre aqueles que não tenham esse tipo de convivência.


    A coisa mais comum entre nós é ouvir que o cachorro é o melhor amigo do homem. Além de serem verdadeiros companheiros, não raro estes animais tidos como irracionais arriscam suas vidas para proteger os donos. Com ferocidade ímpar defendem também a casa, a propriedade de seus cuidadores. Essa fidelidade, que é tida como universal já foi motivo de pesquisas e estudo realizado pela Universidade Eotvos Loránd, na Hungria, mostrou que muitas vezes o cão prefere ficar com seres humanos a interagir com outros cachorros.

     

    Que lição esse galo e os três cachorros de rua nos deram (e nos deu no mesmo sentido o cão japonês) sem sequer precisar falar? Que mensagem eles nos passaram somente com seus gestos e atitudes simples e de intenso significado ao não arredarem do local onde jazia seu dono pendurado na fechadura da porta do barraco?

     

    Quais reflexões podemos fazer diante de um quadro desses, de modo especial levando em conta as agruras de um mundo prenhe de frieza como este que vivemos?

     

    Assim, a partir de um relato do repórter Lucas Cidade, feito na Rádio Uirapuru a partir de um barraco miserável, com alguém passando por terríveis privações até morrer de um jeito trágico e cercado por um galo e três cães, vamos encontrar um cenário que mexe com nossas emoções e se torna propicio para repensar sobre solidariedade, sobre fidelidade, sobre amar o outro, sobre compartilhar, sobre convivência em harmonia, sobre responsabilidade social.


    Sim, a vida encontra modos simples e singelos para nos dar lições valiosas!

     

    Editorial do Jornal Troca-Troca desta sexta-feira, 13 de julho de 2018.

  • Quinta-Feira, 12/07/2018

    Às vezes a frieza é uma defesa de quem já foi bonzinho demais

    Se nos esquecermos das relações humanas pelo caminho, sempre sairemos perdendo, pois as pessoas simplesmente se cansam de ser boazinhas e compreensivas além da conta, além do que o coração é capaz de suportar.

     

    Costumamos julgar as pessoas, muitas vezes de maneira cruel e injusta, atentando-nos somente para o que vemos, mesmo que não as conhecemos o suficiente. Tiramos conclusões precipitadas, antecipando-nos à convivência com o outro, esquecendo-nos de dar tempo ao tempo, para que a verdade de fato se faça presente.

     

    Todos nós passamos por muita coisa antes de chegarmos onde estamos, ou seja, o que somos carrega uma carga emocional e física imensa, que nos moldou e nos tornou o que vivemos no momento presente. A gente vai se transformando ao longo de cada dia, todos os dias, aprendendo a conviver com as bagagens boas e ruins, adequando-nos ao que a vida nos apresenta – e nem sempre ela é gentil.

     

    Por essa razão, não podemos criticar as pessoas pelo seu jeito de ser, pois todas elas estão tentando sobreviver, enfrentando batalhas, dentro de si, que nem imaginamos. E, quando se trata das pessoas próximas de nós, que conhecemos de perto, será preciso prestar atenção aos sinais que seu comportamento nos envia a todo momento. Caso contrário, não conseguiremos responder aos pedidos, não nos ajustaremos às mudanças e assim perderemos quem não deveria se afastar.

     

    Precisamos, sobretudo, entender o silêncio demorado de quem caminha conosco, lendo as entrelinhas daquilo que não mais retorna, percebendo a tristeza no fundo dos olhos, as mudanças mínimas que nos indicam que algo não vai bem. Infelizmente, a maioria de nós só percebe a frieza cansada do parceiro quando o abismo emocional já se encontra praticamente irreversível. Então já nada mais importará. Então será tarde demais.

     

    Conviver requer prestar atenção, cuidar, regar, importar-se, mais do que oferecer presentes e conforto material. Buscar as conquistas de vida sempre deverá incluir também o enriquecimento afetivo, o aumento de nosso potencial humano, nossa capacidade de amar e de ser amado. Se nos esquecermos das relações humanas nesse caminho, sempre sairemos perdendo, pois as pessoas simplesmente se cansam de ser boazinhas e compreensivas além da conta, além do que o coração é capaz de suportar. As pessoas se cansam e fim.

     

    *Prof. Marcel Camargo

  • Quarta-Feira, 11/07/2018

    Posso não saber para onde irei, mas sei bem para onde nunca mais voltarei

    Não volte aos mesmos erros, ao lar desfeito, aos descaminhos, às promessas quebradas, ao relacionamento fracassado, aos amigos hipócritas, ao emprego desumano. Não abra mão daquilo que você é, daquilo em que acredita, ou ninguém reconhecerá a grandeza que possui dentro de si.

     

    O futuro pode ser planejado, desejado, repleto de metas a serem alcançadas e, ainda assim, sempre será incerto, improvável, impossível de ser previsto com exatidão. No entanto, desejar e lutar por um amanhã melhor e mais feliz nos faz bem, alimentando nossas forças em sempre querer continuar, inesgotavelmente, haja o que houver. Nessa jornada, devemos estar seguros quanto ao que idealizamos, bem como quanto ao ontem e aos lugares aos quais não poderemos mais voltar, para nossa própria sobrevivência. Há lugares para onde nunca mais devemos voltar. Jamais.

     

    Não volte aos mesmos erros, aos conhecidos descaminhos, mas reaprenda com cada tombo, superando as próprias falhas e lidando saudavelmente com as limitações que todos temos. O ontem deve permanecer lá atrás, ancorado nosso aprendizado contínuo, de forma a redirecionarmos nossas energias em direção a acertos que nos tornarão cada vez mais humanos e mais felizes.


    Não volte ao lar que já se desfez, ao colo que não acolhe

     

    Ao vazio solitário de uma companhia dolorida. Devemos ter a coragem de colocar um ponto final em tudo aquilo que nos enfraqueceu e nos diminui, tolhendo-nos a tranquilidade de um respirar livre. O nosso caminho deve ser transparente e leve, sem pesos inúteis que atravancam o nosso ir em frente.


    Não volte às promessas quebradas

     

    Ao relacionamento fracassado, que em nada acrescentou na sua vida, ao incessante dar as mãos ao vazio, ao compartilhamento unilateral, ao doar-se sem volta. Todos merecemos nos lançar ao encontro de alguém verdadeiro e que seja repleto de reciprocidade enquanto se dividem os sonhos de vida. Todos temos a chance de encontrar uma pessoa que não retorne menos do que doamos, que não nos faça sentir a frieza da solidão acompanhada.


    Não volte aos amigos hipócritas

     

    Às pessoas que se baseiam em interesses escusos para permanecerem ao seu lado. Amizade deve ser soma, gargalhada, brilho nos olhos e ritmo no coração. Caso não nos faça a mínima falta, caso não nos procure sem razão, nenhum relacionamento pode ser tido como verdadeiro. É preciso poder contar com alguém que permaneça ao nosso lado, mesmo após conhecer nossas escuridões, pois é essa sinceridade que sustentará nossos ânimos nas noites frias de nossa alma.

     

    Sim, não há como prever o futuro, tampouco controlá-lo. Cabe-nos cuidar do nosso aqui e agora com todo o cuidado que o hoje merece, para que diariamente preparemos, aos poucos, um caminho menos árduo, um amanhã que dê continuidade aos nossos esforços em sermos felizes.

     

    Agirmos refletidamente, enfim, nos poupará de atravessar caminhos tortuosos e solitários, sob lamentações e arrependimentos. Porque, tendo plantado paixão verdadeira, tendo cultivado relacionamentos sinceros, colheremos, certamente, sorrisos e abraços de gente de verdade, gente com a intenção de ser feliz bem juntinho.


    *Prof. Marcel Camargo

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