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JG

  • Quinta-Feira, 23/02/2017

    Um feriadão que custa muito dinheiro

    É incrível um país em que todos os seus governantes declaram para o povo que a economia está em decréscimo, a produção está caindo, a geração de empregos diminuiu, o número de desempregados chegou a tanto, mas, ao mesmo tempo, anunciávamos hoje de manhã no Repórter do Povo que a maioria dos serviços públicos estarão parados até quarta-feira, depois do meio dia. Os bancos fecham amanhã e só abrem na Quarta-feira de Cinzas.

     

    Eu não me lembro bem, mas anos atrás a Confederação Nacional da Indústria declarou que em um feriado, o Brasil deixa de faturar em média 250 milhões de dólares, porque tudo para. A indústria tem que desligar a sua máquina e ligar na Quarta-feira de Cinzas, até aquecer os fornos, as caldeiras para movimentar essa máquina vai no mínimo mais um dia.

     

    E é isso que se pergunta: “Até quando nós vamos viver na farra, negar o prato de comida porque o país está em crise, um transporte coletivo de qualidade porque o país está em crise?”. É tudo assim, como recuperar se tudo é Carnaval?

     

    Os principais pontos do Carnaval brasileiro estão desde o início do ano sambando e marchando, mas quem na realidade marcha é o povo, é o empresário, é o trabalhador que perdem dinheiro.

     

    Engraçado, tenho acompanhado os noticiários nestes últimos dias, aquela ânsia dos principais telejornais do Brasil falarem em crise parece que se deixou de lado. Os grandes apresentadores das notícias brasileiras, os críticos, os cronistas ou estão dispensados ou estão convocados pelas suas redes para cobrir o Carnaval.

     

    Até nem sei, como é que hoje pela manhã “manchetiaram” mais uma ação da Lava Jato, mais envolvidos no desvio do dinheiro público estavam sendo cassados. Porque senão é só Pierrô e Colombina, marchinhas, blocos e samba enredo. Mas quem na verdade esta enredado é povo, que se amortece na farra e não é capaz de cobrar seriedade dos homens públicos desse país.  

  • Quarta-Feira, 22/02/2017

    Dória, será o cara?

    As notícias e as imagens que vêm da capital paulista são de que alguns setores da sociedade paulistana estão dando glórias ao Dória, prefeito daquela cidade. Ele tem aparecido em lugares, que se fossemos para o coloquial, não seria obrigação de um prefeito. Uma autoridade não deveria estar varrendo rua, andando de ônibus, mas ele está.

     

    Ele conversa com o seu povo e o homem público precisa disso, é lá que ele vai saber qual a dificuldade do trabalhador que levanta cedo, vai para parada de ônibus, embarca no ônibus, pergunta como está sendo tratado pelo cobrador, pelo motorista, pela empresa, que sendo pública ou privada oferece serviços pagos pela população. Ele deixa de ser passageiro e passa a ser um cliente da Prefeitura e da empresa prestadora.

     

    E ele já deu a palavra “O fiscal que não cumprir com a sua missão estará fora do trabalho, será demitido”. Os guardas de trânsito de São Paulo não podem mais ficar escondidos com o radar para multar os motoristas, eles têm que ficar bem a vista, isto é que eu chamo de educação.

     

    As ruas da cidade estão sendo varridas, a cidade está limpa, ninguém pode trabalhar no meio do lixo. As pessoas ficam elogiando, outros questionando ou criticando. Populismo barato, será que chega a tanto? Um homem que vem da iniciativa privada, fez nome como grande apresentador do show business, falou sempre de empresas e empresários que pelo seu profissionalismo deram e dão certo. Foi assim que conheci Dória e agora prefeito.

     

    Será que, de repente, este Dória está levando para administração pública a seriedade de uma empresa que quer atender bem o seu cliente? Tomara, estou torcendo, porque o homem público é como um artista, ele tem que estar onde o povo está. Essa frase não é minha, mas já se tornou uma consciência coletiva.

     

    Não podemos mais aceitar que um homem que tenha a obrigação e para isso foi eleito, para ser o gerenciador da minha cidade, fique encerrado em seus gabinetes e aceitando explicações de seu secretariado.

     

    Lembro-me de Jair Soares quando ministro da Previdência viajava o Brasil inteiro, levantava cedo e ia para fila do Instituto, inspecionava obras feitas com o dinheiro do trabalhador. Uma vez virou chacota quando disse que “de clip em clip mudaria a administração do Estado”. Chamaram-no de louco, o que é um clip no chão? Mas de clip em clip o Estado chegou a miséria em que está.

     

    Outra história nossa, seu Ivo Ferrão, ex-vereador desta cidade por vários mandatos, aposentando da iniciativa privada, andava de ônibus. Poderia muito bem usar um de seus familiares para ser seu motorista e andar de carro, mas não, todo dia ia do bairro São Cristóvão até a Câmara conversando com seus eleitores. E lhes garanto que os seus eleitores ficavam contentes com a presença deste nobre vereador.

     

    Isto não é populismo e nem se mostrar. Quando o homem público desce do pedestal e se iguala ao povo que o elegeu, ele está devolvendo o orgulho de quem tem que levantar todo dia cedo, esperar o ônibus numa parada que não tem abrigo, um ônibus abandonado, destroçado, passar com o transporte coletivo por ruas que só deveriam passar carretas e cavalos.

     

    Mesmo assim, este povo sendo judiado, mal tratado todo dia, se um homem público que ele votou para legislar, ou para executar obras no município melhorar a minha cidade, usar slogans bonitos como este da administração “Cuidar da cidade é cuidar da gente”, nos enche de vontade de continuar trabalhando e contribuindo para uma cidade melhor.

     

    Se o Dória é o cara eu não sei, mas os paulistanos estão readquirindo o orgulho de serem chamados de “a locomotiva do Brasil'.  

  • Terça-Feira, 21/02/2017

    Não é má vontade

    Muitas vezes no programa Repórter do Povo, ou num espaço de opinião em que a direção da rádio manda-me posicionar num comentário esporádico, geralmente tenho criticado os governos. Não os governos, mas a falta de ação dos governantes, parece que nós pegamos uma mania de só se queixar.

     

    Eu me queixo da falta de educação, de saúde, segurança, estradas boas para o escoamento da safra, da produção e das riquezas deste país, mas ultimamente estou muito preocupado com a segurança pública. Os partidários do atual governo do Estado pensam que sou da oposição e quando falo da oposição, eles pensam que sou governista, mas só um detalhezinho importante: o setor da segurança pública está pelas caronas, é o caos instalado no Rio Grande.

     

    Esse final de semana que passou foram 40 homicídios, pessoas que perderam a vida e o secretário de Segurança Pública, Cesar Schirmer chega na imprensa e dá uma declaração terrível: “quem está se matando são os bandidos, os traficantes, eles estão se matando entre eles”. Mas, e a rainha de bateria que foi morta ao esperar a filha? E aquela médica que foi morta ao parar no sinal? E o cidadão que estava no estacionamento do mercado foi metralhado, sem dever nada. Ontem à tarde, um coronel da reserva do Exército Nacional morto, nem reagiu.

     

    Então, o secretário de Segurança deveria medir o que vai falar. Para completar a pérola, ao entregar o Centro de Triagem ontem, ele vem com aquela cara dizendo "que não era um hotel cinco estrelas, que o Estado não pode construir presídios cinco estrelas". Mas não é isso que a população quer, nós queremos uma cadeia que recupere as pessoas, que eles saiam de lá melhores do que entraram, mas não é isso que se vê.

     

    Seres humanos jogados num presídio que, muitas vezes, nem saneamento básico tem, o esgoto corre a céu aberto, os ratos, as baratas dormem juntos com os detentos, que pelo excesso de gente estão dormindo no próprio chão das cadeias. Como eu, ser humano que sou, vou ficar contente, não vou falar nessas mazelas que vivem a nação brasileira e, principalmente, o estado do Rio Grande do Sul?

     

    Como perdemos o nosso orgulho de ser gaúcho? Éramos os melhores em educação, éramos os melhores em produção, alimentávamos o Brasil, parece que de repente esmorecemos. Os governantes dos últimos 40 ou 50 anos do Rio Grande do Sul foram delapidando o nosso orgulho, a nossa vaidade, parece que fizeram de tudo para acabar com o Estado, só pensaram nos seus partidos, nos seus companheiros e não pensaram que estavam deixando uma herança muito pobre para quem viesse depois.

     

    E eu, vou ficar quieto, sem gritar, sem dar minha opinião a favor ou contra? Que tipo de comunicador serei? Já dizia o jornalista Dias Gomes, que o jornalista ou o homem de opinião que não quisesse se incomodar fosse pra casa, colocasse um pijama e umas pantufas, que lá ele não ia se incomodar. Ainda não chegou a minha hora, da pantufa e do comodismo. Mas desculpe senhores, não é má vontade, é inconformismo mesmo.  

  • Quinta-Feira, 16/02/2017

    Coisas que nós já sabíamos

    O ilustre ministro gaúcho Eliseu Padilha apenas confirmou o que a maioria do povo brasileiro já sabia: essa história do “é dando que se recebe” é histórica no Brasil. Ninguém, por mais inocente que seja, pensa que um Getúlio Vargas se matou de graça, que um Jânio Quadros renunciou de graça, que um JK construiu Brasília bem longe do povo brasileiro de graça. Tudo foi no “é dando que se recebe”.

     

    Tiramos os militares do poder porque não gostávamos da pecha de ditadura. Veio Tancredo Neves com José Sarney e nos sobrou esse último, que no seu estado de origem sempre foi o maior dos ditadores. E continuou a política da confraria. Morreu Tancredo Neves e nós ficamos perdidos.

     

    Bom, a democracia tem que ser mantida. Surge Fernando Collor, o Caçador de Marajás, de caçador passou a ser cassado. Itamar nos deu a esperança de novo. Fernando Henrique Cardoso ratificou a esperança, mas, mesmo assim, sabíamos que a prática continuava a mesma: fatiar esse país para ter governabilidade na Câmara e no Senado. Nada mudou.

     

    Luís Inácio Lula da Silva nos dá a certeza de que o Brasil seria passado a limpo, mas com ele e seus asseclas surge o Mensalão. Ilustres figuras que juravam que não gostavam do dinheiro público, se avançaram como ninguém, mais do que corvo na carniça. Passado o Mensalão, agora vai. Lula e Dilma, o povo está comendo, o povo está ganhando moradia, o povo está indo para as universidades gratuitamente. Por trás desta cortina de fumaça, o poder se avançava também.

     

    Então, amigos, eu só pergunto uma coisa: será que sobrou alguma coisa? É bom que o povo bem-intencionado desse país, e é a maioria, não esqueça que o último reduto de defesa da cidadania, o Judiciário está lutando para limpar este país. Se fizeram um panelaço, se apagaram e acenderam luzes, se se dividiram entre coxinhas e pão com mortadela está na hora de toda a classe brasileira se unir e dar força para um jovem Sérgio Moro, para o Judiciário que, apesar de tudo, ainda tem os seus viciados para que façam a limpeza.

     

    Nós já sabíamos que para governar esse país temos que fazer a partilha, mas que ela seja entregue a quem realmente tenha amor a Pátria. Será que sobrou um? Porque do jeito que está, até o Minha Casa Minha Vida sendo devolvido por falta de pagamento.

     

    Jovens fugindo das universidades, antes gratuita, estão ameaçados a ter que pagar muito caro pela educação, que é dever da Constituição para com o seu povo. E os automóveis, 80 vezes para pagar, quem é que não teve sonho de ter o seu carrinho para trabalhar, passear aos finais de semana com a sua família, isso é um sonho universal.

     

    Eu não perdi as esperanças, no meio de tanta ameba deve surgir um cérebro decente para nos tirar do atoleiro. Porque senão é dando que se recebe, não vou ter mais nem coxinha, nem pão com mortadela e as panelas da minha cozinha vão enferrujar.

     

  • Quarta-Feira, 15/02/2017

    Contas inativas e as minhas contas ativas

    Serão quase 40 bilhões de reais colocados no mercado, movimentando a economia do país, gerando empregos, pessoas pagando contas, se livrando da tortura do cartão de crédito, em alguns casos até a conta da luz e da água, que estão penduradas, poderão ser pagas.

     

    Quando esse tema vem à tona, lembro-me da minha infância. A indenização em 1958 que meu pai ganhou da empresa em que trabalhava naquela época. O dinheiro deu para construir a nossa casa de madeira, para criar os 13 filhos, que felicidade! O pai perdeu o emprego, mas a família ganhou uma casa.

     

    Quando o governo libera esse dinheiro das contas inativas, ele está devolvendo para aquele que tem direito. Direito de desfrutar um dinheiro que é dele, é do trabalhador, e não de empresários e políticos falsários, que sempre meteram a mão no dinheiro dos trabalhadores.

     

    Eike Batista, um dos maiores beneficiários do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço está na cadeia. Eduardo Cunha também, e esse era o “quadrilheiro” que assaltava o Fundo de Garantia, porque o diretor da Caixa Econômica Federal, que administra o fundo, era seu afilhado. Vejam só os senhores que este dinheiro, parado lá, é tão grande que ladrões ligados ao governo não conseguem acabar com ele. O que mais me deixa com rancor e raiva é saber que deste dinheiro se servem alguns que nunca contribuíram.

     

    Estou contente sim, o comerciante vai poder receber de seus devedores a conta atrasada, pode ser que, de repente, este dinheiro possa fazer que o microempresário dê a volta por cima. São R$ 200, R$ 300 ou até R$ 500, tem contas que poderão passar disso, chegar a R$ 1.500.

     

    Aqui em Passo Fundo tem o cidadão que encontrei ontem, ele me disse que tem R$ 16 mil retidos na conta inativa, ele estava feliz -“Vou poder pagar as minhas contas e comprar algum conforto para família”.

     

    Um dinheiro que é social, tem que voltar sim para mão do trabalhador, para fazer da vida dele um pouco mais leve, lhe dando esperança de que, logo ali, não terá mais dívidas a pagar. A pressão do homem do mercado não vai bater mais a sua porta, ao menos, por enquanto.

     

    Mas que é um alívio para esta gente do Brasil inteiro, isto é, ninguém pode negar, porque o que é do povo, tem que voltar para o povo.  

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