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JG

  • Sexta-Feira, 20/01/2017

    Sempre alerta

    “No Brasil, não basta vencer a eleição, é preciso ganhar a posse!”.  A célebre frase de Tancredo Neves soa como pressagio. Morto depois de ter sido acometido de grave doença no dia 21 de abril de 1985, às vésperas de ser empossado Presidente da República, Tacredo foi apenas um dos homens públicos do Brasil que quase chegou lá: foi eleito, mas não foi empossado. O país tinha em Tancredo Neves uma esperança para conduzir o processo de redemocratização. Mais tarde, outro grande homem público, responsável pela condução e proclamação da Constituição de 1988, pós regime militar, Ulysses Guimarães, desaparecia brutalmente num acidente aéreo na região de Paraty. Seu corpo nunca foi encontrado. Antes de morrer, Ulysses seria o nome do PMDB para uma candidatura a presidência da República. Quase chegou lá.

     

    Na quinta-feira, outra tragédia se abate sobre a esperança dos brasileiros: a morte do ministro do STF Teori Zavascki, relator do maior processo de corrupção do Brasil: a Lava Jato. Homens públicos, de condutas irreparáveis que quase chegaram lá. Zavascki, interrompeu as férias para dar andamento ao caso: tinha em mãos as delações premiadas de 70 executivos da Odebrecht e deveria dar pareceres sobre todas elas nos próximos dias. O que acontece agora? O luto impõe um recuou e a burocracia exigirá o atraso. Vamos ter que esperar mais para ver resultados.

     

    Antes de qualquer decisão que se tome em relação a quem será o herdeiro dos processos da Lava Jato, o povo brasileiro não pode deixar morrer a esperança. E, para isso, deve se manter em alerta constante. Precisamos tomar posse da dignidade deste país! 

  • Terça-Feira, 17/01/2017

    A esperança é a última que morre

    Incrível como o brasileiro é um cidadão de fé. Acredita, é otimista e não esmorece de primeira. A grande maioria da população é formada por trabalhadores. Essa, talvez, seja a maior riqueza do país: o seu povo. Pois uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, feita em 22 países, comprova o que já percebemos há muito tempo. A pesquisa global revela que 72% dos brasileiros acreditam que o país está em declínio, mas 80% acha que ele pode se recuperar. O país é o quinto mais otimista dentre os países que integraram a pesquisa.

     

    Foram 22 países pesquisados e 57% dos entrevistados (um universo de 16 mil) tem uma visão negativa de seus países. Entre eles estão Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Israel, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha, Suécia, Turquia e Estados Unidos. Quando o assunto é a percepção de declínio do país, o Brasil só foi superado pela África do Sul, Itália e Coreia do Sul.

     

    Um outro dado relevante, é que a maior parte das pessoas consultadas, nos 22 países, mostra que a população considera os atuais modelos político e econômico falhos e quer mudanças. No Brasil, 69% dos brasileiros sentem que políticos e partidos não se importam com a população.

     

    A pesquisa foi realizada entre 21 de outubro a 4 de novembro de 2016.

     

    (Zulmara Colussi - interina)

  • Segunda-Feira, 16/01/2017

    Não há só um caminho

    O Brasil perdeu muito tempo e as consequências agora para a sociedade são as piores possíveis. O país deixou de fazer o dever de casa ao longo das últimas décadas e a conta veio com juros, dividendos e tudo o que pode ser acrescido. Estou falando de segurança pública, de sistema carcerário. Não dá para não falar mais sobre o assunto. Este é o assunto. Não dá para fechar os olhos e dizer que não tenho nada a ver com isso. Precisamos falar, porque somos os responsáveis por escolher aqueles que tomam as decisões por nós. Então, somos responsáveis.
     
     

    O programa Sem Segredo do último sábado, recebeu o juiz Luis Christiano Aires e o professor da UPF, Marco Aurélio Nunes da Silveira para conversar sobre a crise do sistema prisional brasileiro. Dois enfoques dados pelos convidados merecem atenção: o primeiro é que o Brasil precisa urgentemente começar a tratar sobre a legalização das drogas. O debate é necessário e deve ser feito de forma séria e responsável. O segundo, o Poder Judiciário precisa começar a aplicar penas alternativas para crimes de menor gravidade. A abordagem dada pelo programa ganha repercussão nacional em outros veículos de comunicação. Se isso acontece, é porque há um entendimento de que os temas são urgentes.

     

     

    A verdadeira matança nos presídios do Amazonas, Roraima e, neste final de semana, no Rio Grande do Norte, é o pior dos sintomas da crise carcerária. Mas ela precisa ser enfrentada e os caminhos para uma solução são muitos e variados. Começa pelas famílias, passa pela escola, pela formação cultural, pela inclusão social, pelo emprego, pelas oportunidades. Será preciso ainda construir novos presídios, humanizar as cadeias, oportunizar trabalho aos presos e realmente fazer o papel da inserção dos presos. Da forma como está, continuaremos a assistir matanças sob o comando de facções criminosas. Não podemos nos acostumar com isso. 

     

    (Zulmara Colussi - interina)

  • Sexta-Feira, 13/01/2017

    As coisas pioram, antes de melhorar

    O Brasil terá, em 2017, a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo. A cada três trabalhadores desempregos no mundo, um será brasileiro. O dado foi divulgado esta semana pela Organização Internacional do trabalho (OIT). O país deve aumentar 1,4 milhão de desempregados no decorrer do ano. No mundo, este número deverá atingir a espantosa cifra de 3,4 milhões, tendo como epicentro da crise o Brasil. De acordo com os dados da OIT, o país é superado apenas pela China e a Índia, em termos de números absolutos.

     

    A recuperação de um processo de crise é sempre lenta e a última engrenagem que começa a se movimentar é o emprego. Não é por nada que o economista da OIT, Steve Tobin, afirma que “as coisas vão piorar no Brasil, antes de voltar a melhorar”. É que, primeiro, o país precisa melhorar seus índices, como o da inflação, juros, etc... Depois, as empresas, especialmente a indústria, precisa retomar a produção. Retomando a produção, a engrenagem começa a se movimentar. Movimentando, temos mais consumo. Consumindo, temos mais demanda e precisamos de mais produção. Para produzir, precisamos de mão-de-obra. A retomada do emprego será, infelizmente, a última engrenagem da retomada do desenvolvimento. A confirmação desta lógica veio com o relatório da OIT, divulgado esta semana. Tudo isso não seria desta forma, não fosse a irresponsabilidade criminosa de corruptos que levaram o país a bancarrota. 

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Quinta-Feira, 12/01/2017

    Juros mais baixos e um alento para a economia

    A informação de que a inflação ficou pouco abaixo da meta em 2016, motivando a redução da taxa anual de juros para 13%, dão um alento neste começo de 2017 e certamente contribuem para um cenário mais positivo. A decisão do Banco Central, anunciada no final da tarde de ontem tomou o mercado de surpresa, mas uma boa surpresa. A reação nesta quinta-feira é de bom humor. Com taxas de juros menores, e a perspectiva do Banco Central é chegar a 10% até final do ano, a economia é estimulada: mais consumo, mais produção, mais empregos. Nesta ordem, porque a retomada do emprego é o último processo de uma economia nos trilhos.

     

    Mas, com juros mais baixos, é sempre bom manter a cautela. Nada de consumir exageradamente. Vamos aprender com a crise. Ela educa no sentido de que podemos administrar nosso dinheiro na ponta do lápis e anotando tudo no caderninho. Não gaste mais do que ganhe e sempre reserve uma parcela do seu salário para poupar. Pesquisa preços e não compre o que você não precisa e não vai usar. A regra da economia doméstica é básica e vale para todos, inclusive para os governos. Quando gastamos mais do que ganhamos, nos endividamos e é justamente aí é que passamos a sofrer. Pra que sofrer se podemos evitar.

     

    A queda na taxa de juros é um alento, sim, especialmente porque o ano começou mais pesado e violento do que os outros. Mas, o caminho para a estabilidade, esse ainda é longo e vai exigir de todos nós muita paciência e organização. Vamos fazer a nossa parte. A mudança começa de dentro para fora. 

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