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JG

  • Segunda-Feira, 29/05/2017

    Os grandes devedores de impostos eram financiadores de campanhas

    Nesta segunda-feira, fiquei mais uma vez refletindo sobre as dificuldades do Estado em cumprir com suas funções, que esbara sempre na falta de dinheiro. Impostos que não sustentam os gastos municipais, estaduais e federais. A notícia de hoje é que os grandes devedores do Estado eram financiadores de campanhas políticas. As grandes empresas na hora de acertar seus tributos com o município, ou com a União, ou mesmo o Estado, sempre deixam para última hora.

     

    Ano eleitoral é a marca, eles vão empurrando com a barriga, porque o próximo governador, o próximo prefeito, o próximo presidente poderá “ser dos meus”, não que seja partidário, mas aqueles que na hora de pagar os impostos vão conversar com o chefe: “Olha eu estou na campanha, devo milhões, não paguei nestes últimos anos. Mas saiba o senhor que se ganhou foi com a minha ajuda, eu contribui, portanto, agora quero um refresco na dívida que tenho com o Estado. Vamos negociá-la?”.

     

    E o baile continua. Como ele renegociou, ele usou os refis, tenho a chance de ficar mais quatro anos sem pagar impostos, esperando sempre um desconto, prejudicando assim aquele que sempre pagou em dia, quem paga IPTU e outras taxas municipais. Ele sabe que logo ali o prefeito de plantão vai dar um refresco, perdoando juros, perdoando multas.

     

    Agora o Estado anuncia que vai cobrar o IPVA atrasado, mas quem realmente está atrasado com o IPVA? Será que é o trabalhador que usa sua viatura para vender, para comprar, para carregar as suas ferramentas de trabalho? Eis as grandes perguntas. Se você der uma espiadinha vai saber que as estatais ligadas aos governos municipais, estaduais e federais são as maiores devedoras dos impostos estaduais, como se dissessem “Somos primos do governo, nós podemos atrasar”.

     

    Quantas escolas, quantas estações de bombeiros, quantas viaturas da Brigada Militar e ambulâncias de prefeituras do Estado e da União transitando sem o imposto pago e, muitas vezes, até mesmo sem licenciamento para transitar. Agora você que é pequeno, que só tem o seu carrinho para levar as crianças na escola, a esposa no trabalho, não pode atrasar, o governo vai guinchar, vai multar.

     

    Em âmbito federal são bilhões de reais que os grandes empresários deixaram de pagar, porque pagaram a campanha deles. E o Estado também não fica para trás, só os grandes é que dão o calote, os pequenos não. Só os grandes recebem incentivos milionários do Estado, botam a linguinha de dinheiro pra fora e o governo de plantão lhes dá isenção de impostos rasos, escorchantes para pagar.

     

    Os pequenos, micros, o médios empresários não recebem a visita do senhor governador, ou do senhor prefeito, ou do senhor presidente da república para saber se você, que é pequeno, está precisando de um refresco tributário. Aquele ditado bem popular e bem chacal que muitos usam resume: “O satanás não faz em monte pequeno, só em grandes conglomerados”. Não vai te dar desconto de R$ 5 mil, se pode dar descontos de até R$ 50 ou R$ 100 milhões para uma grande empresa, que a imprensa estará lá para documentar como é bonzinho este mandante da hora, que com sua caneta beneficia os grandes e prensa os pequenos.

     

    O exemplo maior é do conglomerado de empreiteiras que assaltaram os cofres públicos. Agora a revelação dos irmãos Batista dizendo que mandavam em todo setor econômico do Estado, mandavam nos fundos de pensão, mandavam no BNDES, na Caixa Econômica Federal, no Banco do Brasil e outros afins.

     

    Desconfio que esta gang que assaltou o país tinha na mão a própria Casa da Moeda, para fazer dinheiro a hora que quisessem. Mas não esquentem não: “O SENHOR SÓ GANHOU A ELEIÇÃO, PORQUE EU FINANCIEI. VÁRIOS ENVIADOS SEUS FORAM BUSCAR O SUSTENTO PARA SUAS CAMPANHAS MILIONÁRIAS”.

     

    Ainda bem, que eu acho, que isso acabou. Governos e governantes deixando de ser reféns de maus empresários e empresários bons reféns dos maus políticos, que tomaram conta da nação.  

  • Quinta-Feira, 25/05/2017

    Enganados, ultrajados, humilhados e despejados

    Foi isso que aconteceu desde as primeiras horas da manhã, os repórteres da Rádio Uirapuru contavam a história de uma comunidade que foi enganada. Comprar um terreno para construir a sua casinha é o sonho de toda humanidade, inclusive está na cartilha dos Direitos Humanos, todos nós temos direito a habitação digna.

     

    Foi isso que levou aquela gente, uns há 20 anos, outros há 17, alguns há 10, outros há um ano, mas o terreno é público, é de preservação natural, não poderia ser vendido. Aquelas famílias, que lá estavam, não são ocupantes ou invasoras como se fala, aquela gente economizou um dinheirinho, vendeu um bem mais valioso, como um carrinho para comprar o sonho da casa própria.

     

    Não estou contra a justiça, nem contra a lei, mas o meu sentimento de ser humano me transporta para o seio daquela comunidade, viaja comigo agora. Acordar às 6h no dia clareando, e sentir máquinas roncando, só esperando uma ordem de um oficial, de uma autoridade, para destruírem os meus sonhos.

     

    O que eu digo para o meu filho que estava no berço dormindo? O que eu faço com os animaizinhos que me dão o sustento? O que eu digo para minha esposa, companheira, que faz parte deste sonho destruído pela insensatez da lei?

     

    Enquanto isso, verdadeiros assaltantes da pátria amada conversaram com o presidente, confessaram os seus crimes e saíram pela porta da frente. Conversaram com magistrados e o Ministério Público em Brasília, confessaram que pegaram dinheiro barato do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço do trabalhador e avançaram no FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), e não foram milhões, foram bilhões.

     

    Saíram pela porta da frente com autorização da justiça para irem embora do Brasil, levando a riqueza do povo brasileiro e viver a sua vida de megas playboys na Quinta Avenida, lá nos Estados Unidos. Te garanto que eles estão rindo do povo brasileiro.

     

    Vejam só que ironia, eles foram embora e os nossos despejados e humilhados de hoje de manhã não tiveram a oportunidade sequer de sair pela porta dos fundos, porque essa gente aí não é nenhum assaltante, não é nenhum criminoso contra a pátria amada. Mas seus filhos não têm o direito de sequer ter um teto, porque a lei é essa. Eu não posso fazer nada, como cidadão que sou, viajando no sofrimento dessas pessoas. Me perguntava de que forma reagiria se acordasse de manhã, depois de morar 20 ou 30 anos no meu terreninho, construído minha casa, o meu habitat. Iria me sentir estuprado pela cegueira da lei, pela frieza da lei.

     

    Não estou protestando contra a juiz que deu a sentença, muito menos contra os serventuários da segurança e oficias de justiça que estavam lá para obedecer a lei.

     

    Questionei esses dias o Dr. Osmar Teixeira, se aquela venda que tem na estatueta que representa o Direito e os poderes judiciais era mesmo para vendar-lhes os olhos e ser insensível ao sofrimento desse povo. Ele me disse que não, que aquela venda da estatueta é para provar ao povo brasileiro que todos nós somos iguais perante a lei.

     

    Simplesmente cúmplice, vê o meu habitat destruído, pego meus filhos e vou para beira da estrada. É isso que está acontecendo no Brasil, eles cuidam dos seus, dos seus “rabos”, não do seu povo.  

  • Segunda-Feira, 22/05/2017

    Apoio não é rabo preso

    Mil oitocentos e vinte e nove, este é o número de líderes políticos do Brasil denunciados pelos diretores da JBS. Eles, delatores, não são pessoas inocentes, não deram dinheiro para os políticos brasileiros devido seus belos olhos, mas porque sempre levaram vantagens em qualquer governo. Quando o chefe maior da Odebrecht declarou que a corrupção dos governantes no Brasil é histórica e vem de muitos anos, não dá pra dizer que este ou aquele partido é inocente.

     

    Um dos Batistas disse em alto e bom som, para quem quisesse ouvir “Nós demos dinheiro para este ou aquele para comprar apoio na campanha eleitoral. Demos dinheiro e o presidente da Câmara saiu comprando deputados por aí”. E agora surge na lista a maior figura representativa deste país, Michel Temer.

     

    Vejam só, os senhores, o tamanho da força financeira destes dois grupos que se apoderaram do dinheiro do povo brasileiro. Eles não pensaram duas vezes em assaltar o BNDES, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e outros, e ele, um dos Batistas, disse para o presidente “O senhor tem que dar um jeito nos diretores deste bancos”. Até mesmo sugeriu ao presidente a mudança do Secretário Nacional da Receita Federal, o senhor Rachid. “Ele é ruim de lidar”, disse o empresário - “Até nem sei se vou continuar chamando-o de empresário ou de falcatrua”.

     

    Fico pensando quando esse falcatrua foi pressionar o presidente da república, não era do próprio presidente da república, como maior autoridade do país, dar ordem de prisão a estes ladrões? E quando ele esteve frente a frente, delatando para o judiciário que ele tinha comprado toda essa gente, que tinha recebido através do Banco Nacional de Desenvolvimento toda essa grana, que sua empresa saiu de um pequeno açougue, lá em Goiás, para a maior empresa de proteína animal do mundo, com o suor e sangue do povo brasileiro, não era para o ministro que lhe ouviu também dar-lhe voz de prisão? Omissão, negligência ou irresponsabilidade destes dois poderes citados?

     

    Parece que estou vendo a cena, ele confessando seus crimes e as autoridades mandando ele para casa, e talvez até aconselhando-o a voltar para os Estados Unidos, voltar a levar sua vida de playboy rico às custas da doença, da falta de recursos para educação, da falta de dinheiro para segurança, porque se tem uma bandidagem no poder politico, aqui na rua tem uma bandidagem que massacra e humilha o povo brasileiro.

     

    Temer não é inocente, talvez não sofra o impeachment, porque dizem os analistas que tem todo o apoio na Câmara dos Deputados. Para mim, como homem simples da comunidade brasileira, ele não tem apoio nenhum em qualquer lugar, o que ele tem no Congresso Nacional são mais de 300 rabos presos, por isso que ele pode continuar com a graça dos congressistas.

     

    Mas não porque seja inocente, ele está enlameado nesta sujeira toda, como todos os outros depois da ditadura assumiram a liderança deste país, surfando sobre as ondas da democracia, da liberdade, dos direitos intelectuais, dos direitos individuais. Todos nós temos direito, todos nós somos iguais perante a lei, nós, o povo, mas eles são diferentes, eles falam em milhões como se fossem falar em troco para ir a feira comprar bananas.  

  • Terça-Feira, 02/05/2017

    Meu acetato está mais triste

    Domingo enquanto nós aproveitamos um passeio no parque, chegando em casa recebemos a notícia que o menestrel cearense havia nos deixado, Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, aos 70 anos, resolveu cumprir com o que escreveu, ou melhor não cumpriu, porque na canção ele cantava “O ano passado eu morri, esse ano eu não morro”, mas morreu.

     

    Belchior nos últimos 40 anos se tornou referência da música de protesto contra regimes. Ele cantou como nunca a chateação de viver num regime militar, cantou contra o regime, mas nunca ofendeu pessoas do regime, sempre achava um jeitinho de driblar a censura. Belchior que cantou Apenas Um Rapaz Latino-americano, Tudo Outra Vez, Divina Comédia Humana, ou ainda, o grande clássico Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, expressou o meu sentimento de adolescente, e alimenta ainda meus sonhos de idoso jovem.

     

    Já falei neste blog da perda de tantos ídolos, um confidente romântico como foi o cantor Wando, um Jerry Adriany que cantou e embalou os meus mais apaixonados sonhos de amor, porque a vida é feita assim, de sentimentos com paixão e outros sem a paixão, mas com a razão.

     

    Belchior viveu uma vida intensa, homem de palco de teatro, cantor de rua, o verdadeiro menestrel, ninguém pode duvidar, mas fico eu a me perguntar por que estava tanto tempo isolado, longe de mim e de seus fãs, escondido? Será que ele estava triste, magoado, decepcionado?

     

    Um homem que foi professor, que estudou filosofia e medicina, quase se transformou em um pregador católico, um padre, porque estudou teologia também. Será que nada disso que ele se esforçou para aprender não foi suficiente para sentir-se um verdadeiro ser humano? Mas aí, a desilusão que ele sentia tirou de nós a sua principal riqueza, que era cantar e compor com sabedoria.

     

    Irei para casa agora, ligarei meu toca disco e ouvirei no acetato a velha canção “não leve flores para o inimigo”, ou quem sabe “o medo do avião que eu também tenho”, ou de repente “numa rua qualquer da cidade um guarda me parar e me pedir os documentos e mais uma vez rir da minha fotografia e do nome da cidade de onde eu vim”.

     

    Tudo isso é realidade, tudo isso é a minha realização como fã do Belchior, mas tenho certeza que se eu não limpar bem o disco e não calibrar a agulha do toca disco, o meu acetato estará bem mais triste.  

  • Sexta-Feira, 28/04/2017

    A favor ou contra?

    Me lembro quando era um adolescente, apenas ouvinte de rádio, ouvia a jornada esportiva e tinha os meus ídolos radiofônicos, como eram meus ídolos eu queira que eles estivessem sempre ao meu lado, tendo sempre a mesma opinião que a minha. Se era um comentário que favorecia o meu time de futebol eu ficava faceiro, se falava bem dos políticos que eu admirava, muito mais alegre eu ficava, e aí dizia: “Este comentarista é gremista, o narrador é colorado. Este comentarista de politica é trabalhista ou é da UDN, quem sabe do PSD”. Tudo isso fluía na minha imaginação.

     

    O tempo passou e eu virei radialista. Nós sempre queremos que os nossos ídolos torçam para os nossos times, que a opinião política seja a meu favor, se ele for contra ele é um venal, vendido, e hoje ainda é assim. Por ocasião desta paralisação nacional, a reportagem da Rádio Uirapuru foi
    às ruas para saber que horas saía o ônibus, como estavam as casas bancárias, se abririam ou não, se a escola estaria aberta para seus alunos, os postos de saúde e os hospitais iriam funcionar.

     

    A cada informação o whatsapp e o torpedo da rádio recebiam as opiniões, informações e reclamações. Lá pelas 7h30 estou saindo de casa, ouvindo o Jornal das Sete, Ieda Almeida e Régis Leonardo falando das informações que vinham das ruas, as pessoas nas paradas esperando o ônibus que não viria

     

    A cada notícia que a dupla de noticiaristas ou de repórteres das ruas traziam uma opinião: “Vocês não estão falando da falta que está fazendo os coletivos urbanos, vocês só estão elogiando os sindicalistas”. O outro já respondia: “Vocês estão na gaveta, vocês são comprados pelo grande empresário”.

     

    Sabe que isso magoa às vezes, dependendo das pessoas que recebem este tipo de consideração, principalmente porque aqui, na Rádio Uirapuru, sempre tivemos a liberdade de falar a favor ou contra e dar voz as pessoas que são o centro dos acontecimentos. Portanto, xingamentos de que somos vendidos ou protetores de sindicalistas não nos atingem mais.

     

    Lembrei-me de um grande empresário da mídia rio-grandense, o diretor da RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho, já falecido. Estava ele no seu escritório, quando o governador Alceu de Deus Colares lhe chamou no Piratini para uma reunião. Aí o governador lascou para cima do empresário: “Pede para tua turma parar um pouco de me criticar, criticar o governo, todos eles são a favor do CPERS”. Colares falou com o empresário, como se fosse ele um deus, um deus ferido.

     

    Maurício Sirotsky Sobrinho saiu da reunião, atravessou a Duque de Caxias e chegou a Praça dos Três Poderes. Lá um piquete de sindicalistas gritava, apupava, chamava-o de vendido ao governo. Reclamavam os sindicalistas que os grandes cronistas, articulistas da empresa eram a favor do governo e contra a classe trabalhadora do magistério.

     

    Não teve dúvida, o empresário chegou na sua empresa mais feliz do que nunca, reuniu os principais editores da sua empresa e sentenciou: “Continuem fazendo o trabalho de vocês, vocês não estão agradando ao governador e, muito menos, os dirigentes do CPERS. Ficaria muito triste com vocês se só um lado da coisa estivesse elogiando vocês, mas a verdade é que os dois não gostam do que vocês escrevem e falam. Toquem o barco, estamos no caminho certo!”.

     

    E foi assim, com este espírito que cheguei na Rádio Uirapuru hoje pela manhã. S o líder da manifestação me elogiar, e dizer que sou bonzinho é sinal que do outro lado tem alguém muito magoado com a minha imparcialidade. O rádio não é feito para agradar, porque se fosse assim eu ficaria toda manhã tocando musiquinha e cantando parabéns para o aniversariante do dia.

     

    O rádio não é para te agradar, o rádio é feito para te provocar, te tirar da zona de conforto. Se não for assim, eu vou colocar uma pantufa, um pijama e ficar em casa só vendo a banda passar.  

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