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JG

  • Segunda-Feira, 06/02/2017

    Mais uma audiência pública

    O Brasil vive uma das crises mais sérias na segurança pública. O estado do Espírito Santo, mais uma vez, pegando fogo por causa da bandidagem, o Rio de Janeiro idem. São Paulo, “terra que me engana”, onde penso que tem a maior força de segurança, mas pena e sangra todo dia. E não é só isso, nós aqui vivemos uma calamidade na segurança pública, todo dia na capital e na grande Porto Alegre cenas de violência, tirando vidas de quem nada tem a ver com os desmandos governamentais.

     

    A manchete de hoje de manhã, no Jornal da Sete, mais uma vez me deixou extremamente revoltado. Um deputado propõe uma audiência pública na Assembleia estadual, com a presença do secretário Cezar Schirmer para discutir o agravamento da violência em Passo Fundo. Até quando nós vamos ter que aguentar este jogo de cena, em que as autoridades querem nos passar de que estão realmente preocupados com a nossa insegurança?

     

    Enquanto escrevo este blog, Mateus Miotto adentra o estúdio da Rádio Uirapuru e conta a história de mais um ataque contra casas bancárias no interior do Estado. As vítimas foram agora os moradores de Miraguaí. A desolação, o descaso, o relaxamento para com a nossa segurança é tão grande que os bandidos não foram direto as agências bancárias, mas ao posto da Brigada Militar. Renderam o único soldado que estava lá, o amarraram no capô de um carro, desfilaram pela cidade e rumaram para assaltar os bancos.

     

    Eles não levaram só o dinheiro, estavam levando ali o que nos resta, um pingo da esperança que é a nossa Brigada Militar. Aquele integrante da Força de Segurança não foi só humilhado, a comunidade toda foi humilhada, o Rio Grande está humilhado e eles fazem audiência pública. Eles podem fazer audiência pública, porque têm segurança para irem ondem quiserem e motorista de graça.

     

    Enquanto isso, o povo contribuinte do Estado passa por essa humilhação. O recado que os bandidos mandaram para população foi mais ou menos isso, o nosso repórter Mateus foi feliz ao falar deste momento trágico: “Está aqui a segurança de vocês, vocês não mandam nada nesta comunidade, o poder é nosso”.

     

    Será que uma declaração destas chega aos ouvidos do senhor governador, do senhor secretário de Segurança Pública, do senhor comandante-geral da Brigada Militar? Ao ouvir, ver e saber que a nossa briosa e valente Brigada Militar, os nossos policiais estão todos os dias sendo humilhados.

     

    Não basta a merreca que se paga a um policial no Rio Grande, salários parcelados, condições de trabalho precarizadas. Enquanto eles estão de fuzis de cano 12, de carros potentes, nós temos que mandar os nossos soldados para a guerra com 38 e olhe lá.

     

    Um ouvinte no final de semana até deu uma satirizada: “Ainda bem que a arma do soldado não disparou para atingir o bandido, porque se atinge o Estado seria processado pela transmissão de uma doença causado pela ferrugem das armas dos policias gaúchos”. E eu tenho que me conformar com audiências públicas.  

  • Quinta-Feira, 02/02/2017

    Vício crônico

    É assim que eu trato a minha doença de dependente do tabagismo. Quantas pessoas me aconselham, fazem preces e até promessas para que o JG deixe de fumar? É um verdadeiro exército de amigos, é um batalhão de choque de médicos me aconselhando e me sentenciando. Câncer bucal, câncer no esôfago, câncer nos pulmões, eles ameaçam, e eu tenho consciência de que logo ali adiante isso vai acontecer, mas é vício. Cada vez que eles me interpelam eu digo: vou deixar, quero deixar, mas não consigo, é muito mais forte do que eu. Estou dizendo isso para um desabafo pessoal, mas, ao mesmo tempo, fazendo um paralelo com a corrupção do Brasil, é um vício crônico.

     

    Os assaltantes das Pátria Amada não se conformam em ganhar bem, eles querem ganhar mais. A história começa lá no mensalão do PT e no mensalão mineiro do PSDB. Os trens de São Paulo superfaturados, assalto ao Ministério do Trabalho em São Paulo pelo juiz Lalau e seus asseclas. E eles sabiam que de uma hora ou outra eles iriam cair na malha fina, na Lava Jato, que seus crimes seriam descobertos e eles iriam parar na cadeia, como estamos vendo.

     

    O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, não fazia uma obra em seu governo que não cobrasse a propina dos empresários envolvidos. Sua maior vítima é sim o empresário Eike Batista. O esquadrão de ladrões cariocas era formado pelo Cabralzinho e seus asseclas. Eles também sabiam que daqui a pouco alguém iria dar com a língua nos dentes, abrir o jacaré, ainda mais com o favorecimento da delação premiada. Lembro-me do deputado federal Janene, em que sua viúva declarou: “pra dinheiro ele é um desleixado, não liga mesmo para o dinheiro que entra, ele tem muito dinheiro, somos muito ricos, mas o que ele gostava mesmo era manipular pessoas, bater no peito e dizer que o governador tal me obedece, o deputado tal, seja de que estado do país, desde que fosse da sua sigla, era manipulado por ele”.

     

    A psicopatia por ouro e diamantes do Cabralzinho é uma doença. Qual será a doença do Renan Calheiros? A do Eduardo Cunha, será que a doença dele era comprar jóias, bolsas de marcas para a sua esposa e jantares nas principais capitais do mundo, nos melhores restaurantes? Agora tá preso, e qual seria psicopatia de um Zé Dirceu, de um ex-ministro Palocci, que usaram o seu partido para extorquir dinheiros de empresários?

     

    Estou só pensando, falando e a Daniela digitando. Será que um dia vamos nos livrar desse cancro que tomou conta de todos os membros do corpo político do Brasil? Ontem saiu Renan Calheiros da presidência do Senado, homem citado na Lava Jato. Seu sucessor também está citado na Lava Jato. O presidente da República, Michel Temer, também. O todo glorificado pelas massas populares desse país, Luís Inácio Lula da Silva também está citado. José Serra, importante homem do PSDB. Geraldo Alckmin também.

     

    Então me responsam senhores, eles são ou não são os vetores da doença chamada corrupção do Brasil? E não tem cura. Ou será que tem? Penso que a atuação do juiz Sérgio Moro é apenas um analgésico na doença profunda que está acometido o nosso país. Alivia a dor, mas não erradica a doença e muito menos os motivos dela, mas o vício parece que não tem cura.

     

  • Quarta-Feira, 01/02/2017

    Hora de conversar

    O governo Sartori desde o início tem dado sinais de que quer ser duro na queda, já arrumou bronca com muitos do funcionalismo público estadual. Não existe hoje uma categoria satisfeita com o seu governo. Sabemos que o funcionalismo não é empregado do governo e sim do Estado e se é do Estado é do povo gaúcho.

     

    O dinheiro para pagar a folha de pagamento dos ativos e incentivos saem dos tributos arrecadados. Sartori e seu secretário da Fazenda, Giovani Feltes, não têm a varinha de fazer mágica, muito menos aquela varinha que as fadas sacodem e brilham estrelinhas aos olhos de quem acredita. Ele não tem sentado e conversado com os seus comandados.

     

    E, ontem, foi escolhida e empossada a nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa e, desta vez, um jovem parlamentar com suas vertentes nos movimentos sociais que são os que mais reclamam das políticas governistas porque quando os governos passaram pelas mãos do PT, melhorias e beneficiarias foram para esses movimentos sociais.

     

    E agora Sartori, além de administrar o já surrado cofre gaúcho, terá que sentar na mesa para discutir os seus projetos e convencer a Assembleia Legislativa de aprovar os tais projetos. Mas o menino ou o guri do Adão Pretto, pois é assim que os mais chegados ao deputado Edegar Pretto o chamam, teve dificuldades para ir a um banco escolar, mas o pai não desistiu, se criou no meio da agricultura familiar ou em movimentos sem-terra. Ele sabe o que esta gente precisa e o que esta gente, muitas vezes intransigentes, não querem aceitar, mas ele, que assume agora a AL, vai ter que dizer para alguns dos seus companheiros que é do couro sim que sai a correia.

     

    Se quiserem que as coisas melhorem, nós estamos sendo convocados para entregar o couro e torcer para que o lonqueador desde couro faça-o boa trança. Deixar as ideologias partidárias de lado, pegar uma bandeira só, que é vermelha, amarela e verde. Este é o pavilhão gaúcho. É nesta bandeira que todos nós deveríamos nos abrigar e lutar para que ela continue mais que tremulando ao vento, que continue sacudindo os nossos brilhos. As divisões sempre nos deixam mais fracos.

     

    E agora o jovem deputado, presidente da AL, Edegar Pretto, não é só um homem de oposição ao governo, mas se algum deslize ideológico, ele poderá se transformar numa oposição ao Estado. E para Sartori também, se esticar o beiço, ficar com a cara amarrada e não sair do Palácio Piratini, atravessando a Duque de Caxias, cruzando a Praça da Matriz, e chegando à sede da AL, em um primeiro momento negociar com a mesa direita e depois fazer com que a sua base aliada lhe dê suporte, não para lhe derrotar, mas tentar convencer os deputados gaúchos que o Rio Grande precisa de união, porque senão vai ficar muito difícil que as nossas façanhas sirvam de exemplo à toda terra.

  • Segunda-Feira, 30/01/2017

    Serenidade na hora de falar

    Foi assim que eu vi ontem esse personagem Eike Batista ao ser flagrado no aeroporto em Nova Iorque, antes de embarcar para o Brasil. A imprensa do Brasil e dos EUA sabiam que ele ia se entregar no Brasil hoje às 10h30 no aeroporto internacional do Rio de Janeiro. Chegou antes. Mas o que eu quero abordar com vocês é um assunto que sempre me chamou atenção.

     

    No Brasil, no mundo político e empresarial sempre que alguém é flagrado ou surpreendido em uma falcatrua, esse personagem acusado não se defende e nem menos procede como procedeu o homem da OGX e outro X. Ele olhou sóbrio para a câmera, falou com os repórteres e em nenhum momento ele acusou a alguém. Aqui no Brasil é normal alguém, em vez de assumir os seus erros, tentar achar erro em outros comparsas. E dizem em alto e bom som, eu fiz, eu roubei, eu desviei, eu corrompi porque os outros também fizeram.

     

    Ele talvez até ganhe uma delação premiada para entregar os seus comparsas, mas diz que só irá falar se a Justiça lhe convocar. E disse mais, “que está na hora do Brasil ser passado a limpo”, que “o Brasil não será o mesmo depois destas operações policiais e judiciais”. Perguntado a ele por que não fugiu para a Alemanha, já que tem dupla cidadania, ele olhou para o Brasil, através das câmeras de televisão e disse: Eu sou brasileiro como qualquer outro brasileiro e eu tenho cumprir aquilo que a lei determina, se for assim, assim será.

     

    Não estou aqui endeusando-o, mas reconhecendo que, no meio de tanta lama, tem alguém que tem a consciência do mal que causou a todos nós brasileiros e, principalmente, ao povo carioca, em que a Prefeitura deve mais do que arrecada, não tem dinheiro para a saúde, educação e segurança. O estado do Rio de Janeiro está e crise, também não tem dinheiro para nada. Bem igualzinho ao nosso Rio Grande do Sul.

     

    Mas Eike Batista, agora preso, se quiser tem muito o que contar. Ele não fez tudo sozinho, porque no Brasil, se você não der uma propina para os homens públicos a tua empresa não vence qualquer licitação pública, nem que seja para varrer a rua. Empresários ganham milhões e até bilhões, mas tem que dividir com a classe política. E não só política, em outros setores da vida pública, o jeitinho brasileiro vai acontecendo. Será mesmo que depois desse movimento todo da Lava Jato nós vamos ter um novo Brasil passado a limpo?

  • Sexta-Feira, 27/01/2017

    Privatização sim, mas peguem a trolha

    O Rio Grande do Sul há anos passa por sérias dificuldades financeiras. No mínimo há 40 anos, os governantes têm que fazer exercícios para pagar a conta. O IPE de grande credibilidade está falido. A Corsan, nossa empresa de água e esgoto, também. E ao que me parece o Banrisul, que todos os anos apresenta lucratividade, também tem suas dificuldades.

     

    Eu não sou a favor da privatização, principalmente dessas três instituições que falei, mas se privatizarem que assumam também os prejuízos. Chega de vendermos patrimônio, o filé mignon e ficar com a carne de pescoço. A Companhia Estadual de Energia Elétrica que teve sua distribuição vendida. A CRT que foi privatizada, os compradores ficaram felizes da vida, compraram o que dá lucro, o que dá prejuízo ficou com o povo do Rio Grande.

     

    Milhares de reais são gastos para indenizar trabalhadores dessas estatais que já não dão lucro nenhum ao estado. Exemplo está dado, a Cesa, nossa Companhia de Silos e Armazém, só sobrou os escombros para serem vendidos. Estão vendendo a preço de banana e não aparece comprador.

     

    E a notícia é grave: ações trabalhistas contra a companhia vão gerar uma despesa de quase R$ 100 milhões de reais. Quem comprar não vai pagar a conta. Se vendermos todo o patrimônio acho que ainda vamos ficar devendo dinheiro no mercado. E o mais ingrato de tudo é que muitas vezes os compradores de empresas estatais do Brasil recebem dinheiro do BNDES e também do Banco Central ou da Caixa Econômica Federal para bancar a compra.

     

    Desde Fernando Henrique Cardoso e Antônio Brito, empresas e empresários compraram as nossas principais estatais financiadas por esses órgãos financeiros oficiais. A história fica mais ou menos assim: eu te compro a casa, mas tu me empresta o dinheiro para eu te pagar?

     

    Por isso o título. Vender o ativo e o passivo fica para o povo gaúcho pagar. Podem levar tudo, inclusive as dívidas, se não for assim não tem negócio.

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