Ouça agora

Rádio AM 1170 Rádio FM 90.1

Ouça pelo celular



JG

  • Sexta-Feira, 22/09/2017

    Eu sou romântico mesmo

    Os ouvintes do programa Repórter do Povo, às vezes, me perguntam coisas que me levam a minha meninice e adolescência. Coisas, acontecimentos, notícias, que só me faziam sonhar. Hoje pela manhã, um ouvinte questionou se eu sabia o significado de uma palavra que só se usava no meu tempo de Fronteira, “camangueiro”, eu respondi na hora que sim.

     

    Não esqueço das conversas de então, quando as famílias queriam denegrir um cidadão que era chegado a uma camanga (uma mulher da zona do meretrício), eles diziam “Este guri é um camangueiro, este véio é um camangueiro”, um homem de muitas mulheres. Que coisa incrível, de lá pra cá as coisas mudaram.

     

    Durante o programa, Ieda Almeida leu no calendário que hoje é o Dia do Amante. Naquele meu tempo de guri dizer que o doutor tinha uma amante, ou que o fulano era amante da beltrana era uma afirmação muito forte. Os pais não pronunciavam na frente de seus filhos a palavra amante, como se o amante ou a amante fosse uma pessoa sem valor algum, moral e ético.

     

    De repente, essa palavra amante tornou-se divina, em poemas e na boca dos cancioneiros. Hoje dizer que o homem é amante é dizer que ele ainda é do tempo que se entregava flores.

     

    Mas voltando ao cotidiano do Brasil, tem outros predicados que a sociedade pronunciava quando queria desdenhar ou acusar alguém. Um exemplo é “o fulano é um quadrilheiro, “ele é um da pandilha”, é a mesma coisa que dizer que ele é da turma que roubava e até matava para conseguir os seus intentos.

     

    Mas lá na Fronteira Oeste, onde eu me criei, os quadrilheiros atacavam as estâncias para roubar uma vaca, uma ovelha. O pandilheiro era o líder de quem só promovia maldades a sociedade. Então, vou para Brasília e lá estão todos eles, quadrilheiros, pandilheiros que unidos, nos últimos anos, só assaltaram a pátria brasileira.

     

    Mas não são só os que estão atualmente no poder, que continuam metendo a mão no dinheiro da saúde, da educação, da segurança e do desenvolvimento nacional. Desde a república nova, em que Tancredo se apresentou como nosso presidente nos dando esperança, mas quando morreu nos deixou nas mãos de um José Sarney e sua pandilha do PMDB.

     

    Logo a seguir, o caçador de Marajás, Fernando Collor também assaltou a pátria e continua assaltando. Tivemos parece que, de repente, uma folga quando Itamar Franco assumiu no lugar de Collor, mas depois tudo voltou ao normal. Fernando Henrique e seus aliados têm culpa no cartório, Luiz Inácio Lula da Silva também tem.

     

    Então, para o ano que vem só me resta esperar e sonhar. Será que vamos ter um Sassá Mutema, aquele personagem do Dias Gomes que era humilde, roceiro, e a professorinha se apaixona por ele, porque ele era roceiro, analfabeto, engraçado, mas era leal? Sassá Mutema se tornou prefeito da cidade, porque o povo inocente daquela comunidade queria um homem igual a eles.

     

    Será que vamos ter em 2018 algum ou alguns que despertem interesse do povo eleitor brasileiro pela sua simplicidade, ou será que vamos ter mais uma vez que aguentar os ditos caçadores de Marajás, para depois se tornarem caçados pelos Marajás?   

  • Quinta-Feira, 21/09/2017

    Tá difícil

    É isso mesmo que eu chego a conclusão a cada dia. Falar na rádio, na Rádio Uirapuru principalmente, o assunto por mais morno que seja vira debate. Os comentaristas, analistas do Repórter do Povo e os ouvintes, através de suas mensagens, contestam tudo e a todos. Uma rádio plural, que quando você pensa que não vai dar certo, aí é que dá.

     

    Desde a semana passada, estávamos na pauta para falar sobre um setor da economia que está dando sinal de desenvolvimento, chegamos até a usar a palavra “estamos dando tombo na crise”, que é o setor da logística, dos transportes.

     

    Há poucos meses, passávamos em pátios de transportadoras e os caminhões estavam lá, esperando o frete. Se dermos uma olhadinha cada vez que saímos nas estradas do Rio Grande ou do Brasil, você vê caminhões, contêineres, máquinas agrícolas, automóveis em cima de cegonhas cortando as estradas e, assim mesmo, existe alguém que contesta: “Vocês estão iludidos, o crescimento ou a vitória sobre as dificuldades econômicas do país não é tão grande assim”.

     

    Tem gente que em vez de enxergar um caminhão de transporte carregando o desenvolvimento, prefere mesmo é se queixar: “O juro está alto, o combustível está caro, a mão de obra também, estamos com muitas dificuldades”. Mas espera aí cara pálida, e o teu caminhão que o mês passado estava na garagem e agora está na estrada, que vai e volta carregado?

     

    Vocês viram como é difícil vender uma imagem otimista todos os dias? E a máxima no Brasil é essa “A mídia é muito festiva”. Parece que, de repente, eles também não querem colaborar.  

  • Terça-Feira, 19/09/2017

    Pobres mulheres

    Já sabem por onde vou, desde a semana passada eu ando preocupado com a tal lei de proteção às mulheres, a mais conhecida medida protetiva. Tenho acompanhado o noticiário nacional e local, nunca tinha visto e ficado sabendo de tantas mulheres que estão apanhando, sofrendo na mão de seus algozes, sendo mortas, jogadas para fora de casa.

     

    Todas elas já deram queixa na polícia e pediram medidas protetivas. Mas para que serve isso, se elas estão morrendo todos os dias e seus filhos ficando órfãos, e seus agressores estão por aí, soltos da vida, prontos para agredirem novamente?

     

    A imagem de ontem (18) foi no mínimo trágica para nós brasileiros, na posse da nova procuradora da República, Raquel Dodge, estavam lá três homens que representam a nossa nação, cinco personalidades que representam o que é um país, seu presidente, senador, deputado federal e mais a presidente do Supremo, Dona Cármem Lúcia.

     

    Olhei aquela imagem das cinco personagens, que representam a mais alta corte da nação, só elas, as duas que não estão sendo investigadas, os outros três estão com os dedos sujos, acusados de assaltar a nação através de propinas, do dinheiro que tiraram daqui e dali para favorecê-los ou seus cupinchas e companheiros, lamentável.

     

    Pobres mulheres tendo a sua imagem espalhada para todo mundo, com eles ali. Mas não é só isso, o pior de tudo é que junto com eles têm outros. Como vou aturar outros que virão sem antes esses provarem a sua inocência?

     

    Olhando aquela imagem de ontem, fiquei pensando se tirarem a imagem das mulheres daquele quadro a dignidade do Brasil não existe mais, a nossa nação está de joelhos, de cabeça no chão, louca de vergonha, é lamentável, mas é isso mesmo que eu penso.  

  • Segunda-Feira, 18/09/2017

    Começou do jeito que terminou

    É assim que começa a semana, nós preocupados em trazer boas notícias, mas tá difícil. Cavocar uma boa notícia é um dever quase “incumprível”.

     

    No final de semana, a mídia brasileira foi sacudida com a morte do jornalista Marcelo Rezende, todos os grandes canais de comunicação noticiaram. Em quatro meses esta doença, que todo mundo tem medo de pronunciar, o câncer, calou a sua voz, o tirou da convivência de seus familiares e amigos, que não eram poucos.

     

    No Brasil inteiro, milhares de pessoas manifestando a sua tristeza, a sua mágoa, porque foi muito rápido, ele saiu do vídeo e aparecia nas redes sociais como se tentando consolar os que sabia que iria abandonar para sempre.

     

    Mas saímos desse assunto, e vamos falar um pouquinho do nosso dia a dia. Eu não entendo, nós temos semana de combate a isso, combate aquilo. Dia 15 foi o Dia Mundial da Democracia, e uns tentando calar a boca de outros, se metendo cada vez mais na vida, no modo de andar, de proceder, ninguém pode falar nada, porque pode ser politicamente incorreto.

     

    A democracia que nos fala de liberdades individuais, mas como se sentir liberto, se tenho sempre alguém no meu calcanhar, no nosso calcanhar, principalmente nós que estamos na mídia dando opiniões ou formando opiniões. Se falar a favor, estou na gaveta e se eu falar contra sou um fascista, que palavrinha, hein!?

     

    Mas é assim que nos tratam, principalmente num veículo de informação como é a Rádio Uirapuru onde sempre está aberto a todas as vertentes de pensamento. Nós somos assim, muitas vezes calamos a boca para não magoar alguém muito próximo da gente.

     

    Começa hoje a Semana Nacional do Trânsito, é para comemorar ou é para chorar? Quantas almas, quantos entes queridos foram arrancados de nossa convivência por essa doença maligna, que é o trânsito. Não que o trânsito mata, quem mata sou eu que, muitas vezes, pela minha negligência, pela falta de humanidade de entender que em um momento sou motorista, no outro sou pedestre e daqui a pouco posso ser passageiro.

     

    Mas parece que quanto mais campanhas são feitas, mais a gente se depara todo final de semana com as notícias sangrentas do trânsito municipal, estadual e federal. Chegam a dizer que só com acidentes de trânsito o Brasil gasta mais de 25 bilhões de dólares por ano, dinheiro que se não fosse a minha irresponsabilidade estaria num posto de saúde, num hospital, numa Secretaria de Segurança Pública, ou mesmo num banco de fomento ao desenvolvimento.

     

    Mas é muita utopia, muito sonho, tanto é o sonho que estamos comemorando a diminuição de mortes no trânsito. Em 2014 foram quase 30 mortes no perímetro urbano, e estamos comemorando porque esse número caiu para nove no ano passado. Mas foram nove, não esqueçamos que nove famílias não tiveram seus entes queridos de volta, depois de saírem para passear, se divertir ou para cumprir a sua função de trabalhador.

     

    Lá se foram nove, será que vamos chegar mesmo um dia a festejar e gritar com todos os pulmões do mundo “Este final de semana ninguém morreu de acidente de trânsito”? Aí sim, eu acho que daria para festejar.  

  • Sexta-Feira, 15/09/2017

    Enfim uma notícia boa

    Nós ficamos a semana inteira repetindo as mesmas manchetes, e elas nos magoam, nos deixam tristes e, muitas vezes, revoltados, mas não tem como ser diferente. Cada vez que eu chego em um lugar público as pessoas comentam, e se queixaram até para direção da rádio: “Esse homem briga demais, grita demais, qualquer hora vai dar um piripaque”. Só que não tem como ficar fora do que está acontecendo no Brasil e no mundo.

     

    O editorial do Jornal Troca-Troca de hoje fala das questões que envolvem o furacão Irma, que atingiu os Estados Unidos e países da América, pequenas ilhas paradisíacas. Enquanto isso, no outro lado do mundo, um “ditadorzinho guri” quer fazer do mundo uma brincadeira de lançar mísseis, aqui e ali, mostrando toda a irresponsabilidade de um ditador.

     

    Aqui no Brasil vários são os furacões: furacão Lula e seus aliados, furacão Temer e seus aliados, que fizeram verdadeiros estragos na economia brasileira. Lá, nos Estados Unidos, o furacão chegou e passou, mas o nosso furacão de escândalos parece não passar, todo dia tem um ventão querendo derrubar o nosso otimismo. Meus colegas da rádio me dizem “Isso vai passar, vai ficar melhor, porque agora os engravatados estão indo para cadeia”, e eu fico cético.

     

    Mas a notícia boa é que Passo Fundo, a minha cidade, continua apesar de tudo. Estamos numa colocação muito boa, somos a 74ª cidade em exportação dentro do Brasil, R$ 1 bilhão ou mais por ano. Temos empresas que não conhecemos, empresas multinacionais e de outros Estados, mas temos as nossas, que produzem e industrializam aqui e exportam para o mundo inteiro.

     

    O que dizer de uma JBS que, apesar de tudo, continua gerando empregos e pagando impostos. Uma BSBIOS nos enchendo de orgulho. O que eu não sabia é que o grande grupo Maggi, que é do Mato Grosso, também está instalado aqui, fazendo o nome e a credibilidade do povo passo-fundense.

     

    Estamos vivendo o momento Farroupilha, revolução, comemorando 160 anos da minha cidade, chegamos até aqui porque alguém do passado acreditou nesta gente de Fagundes dos Reis e de outros líderes da indústria e do comércio. Hoje, choramos a falta de lideranças políticas, mas no passado tivemos sim um deputado federal, um deputado estadual, um líder da indústria, um líder do comércio, que entregaram a sua alma pelo crescimento da comunidade passo-fundense.

     

    Final de semana, para quem for otimista, de lavar a alma. Chega de chorar o leite derramado, vamos arregaçar as nossas mangas e continuar brigando por aquilo que nos interessa. Eu, apoiado por uma audiência fantástica da Rádio Uirapuru e dos leitores do Jornal Troca-Troca, vou continuar sim, brigando, gritando e exigindo aquilo que temos direito. Só queremos ser felizes, e nada mais.  

Pesquisar artigos anteriores

Você acha que o Brasil está saindo do atoleiro da pior crise já vivida pelo país?

Copyright © 2017 Grupo Uirapuru . Todos os direitos reservados. Parceria Sistemas