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JG

  • Sexta-Feira, 04/08/2017

    160, 36, 34, são os meus números, o número da minha cidade, da nossa Rádio Uirapuru e dos anos que essa cidade me adotou

    Tenho a responsabilidade, toda manhã, de falar com o povo de Passo Fundo, e faço isto com alegria, mas às vezes magoado, às vezes angustiado. Sei que a minha cidade tem tudo o que as médias e grandes cidades têm, mas fico sonhando e imaginando quando Fagundes dos Reis, com seus companheiros, vindo da Argentina, passando por São Borja, Santiago, Cruz Alta, Pinheiro Torto, atravessaram Passo Fundo, e de tanto fazer da cidade pousada, acabou aqui ficando.

     

    Sinto-me um pouquinho desse patriarca de Passo Fundo e de todos que fizeram o desenvolvimento desta cidade. Olho para Av. Brasil, e dizer que ali era a estrada dos tropeiros que iam para São Paulo, tropeando mulas. Depois vem a era da madeira, a era do trigo, a era do transporte ferroviário, a era da soja, que ainda continua. Passo Fundo, celeiro do Rio Grande, uma cidade cosmopolita, todas as raças se encontram aqui, todos os credos celebram o sucesso desta cidade.

     

    Quando eu era guri, ouvindo rádio lá na velha Uruguaiana, minha terra natal, escutava um Teixeirinha cantando o nosso hino “Gaúcho de Passo Fundo”, eu ficava imaginando “Que cidade será essa? Que região será essa? Como vivem os passo-fundenses?”.

     

    Nas décadas de 60, 70, e 80 quando aqui cheguei, aí entendi porque ainda guri e adolescente me tornava um apaixonado por Passo Fundo. Hoje eu entendo porque gosto tanto desta comunidade, dos seus empresários, dos seus políticos, dos trabalhadores e donas de casa que fazem desta cidade também um lugar para se viver.

     

    Já falei, durante o programa Repórter do Povo da Rádio Uirapuru, que a direção me deu a oportunidade de tornar-me ouvido, questionado, cobrado, todos os dias. Uma vez um velho radialista me disse “O rádio de uma cidade é o seu cartão de visita”, quem passa por aqui nos ouve, e, às vezes, até param para um chimarrão, um carreteiro de charque, uma feijoada, ou quem sabe uma costela bem assada.

     

    Isto é Passo Fundo! O comércio que atende toda região Norte do Estado, a indústria que me dá o emprego, que gera o imposto para o desenvolvimento desta cidade. O que dizer da agricultura, da pecuária, da pesquisa, da Universidade, que aqui nasceu e aqui se transformou, irradiadores de progresso e de bem-estar. Só não tem esse entendimento aquelas pessoas que ainda não se apaixonaram por Passo Fundo.

     

    Neste final de semana, eu estou mais emotivo ainda. Quantos prefeitos, quantos vereadores, quantos líderes do comércio e da indústria deram do seu melhor para tornar essa cidade cada vez mais encantadora?

     

    Como falei sou natural da Fronteira, não esqueço dos meus irmãos que lá ficaram, mas desculpe-me, agora sou passo-fundense. Aqui cresci como homem, na vida profissional e pessoal. Adoro sair as ruas e conversar com essa gente, alguns nativos da nossa terra, como a minha filha, como a família, que já estavam aqui quando cheguei e me ensinaram a amar essa terra.

     

    Desculpem-me, neste momento, não posso esquecer das pessoas que pregaram em mim o fanatismo pela terra de Fagundes do Reis. Luiz Fragomeni que veio também da sua São Gabriel, Bruno Markus que veio da sua Estrela, vieram fazer desenvolvimento e plantaram aqui a sua paixão também pela Passo Fundo de Meu Deus.

     

    Nunca mais me perguntem de onde eu sou, de onde eu vim, ou para onde vou. Me deixem aqui, eu adoro, eu gosto, eu vibro, e se cobrado sou, cobrar também vou. Não me perguntem então que Passo Fundo vou deixar para os meus filhos, para os meus netos, e sim perguntem que herdeiros vou deixar para minha Passo Fundo.  

  • Quinta-Feira, 03/08/2017

    É dando que se recebe, sim

    Desde que comecei a me envolver com política, cuidando o movimento político do Brasil, sempre vi e ouvi falar que é dando que se recebe. Quantas vezes condenei os presidentes da república que davam benesses a alguns deputados, senadores, e até muito dinheiro para grande mídia deste país.

     

    Mas cheguei a conclusão ontem que não adianta, se eu sou um agente político e o meu Estado ou a minha cidade está precisando de uma verba federal para educação, segurança, uma estrada que deve ser construída ou reformada, uma ponte, como a duplicação da ponte do Guaíba que volte e meia as obras param por falta de dinheiro, eu digo aos senhores, mesmo que eu fosse da oposição, eu iria sim barganhar um dinheiro. Pois trata-se de resolver, não o meu problema pessoal, mas o problema ou os problemas da minha comunidade.

     

    Eu tenho certeza que muitos daqueles deputados que estão lá, sejam de que partido forem, quando foram votados e pediram o voto disseram para o seu eleitor, e até para mim “Vou ser a voz do Rio Grande no parlamento nacional”. Mas de que jeito parceiro, se o teu mandato está se expirando e o dinheiro para escola não veio, os salários dos brigadianos e dos professores estão atrasados? O remédio e o exame que o teu Estado precisa pagar para o teu povo, que te elegeu, não nasce, não brota do chão, ele brota da tua competência.

     

    Por isso, já não sou mais tão contra a esta frase, que eu comecei o blog “É dando que se recebe”. Fiquei mais uma vez impressionado com o deputado do Rio de Janeiro, que em seu voto agradeceu a Michel Temer pelos 10 mil homens das Forças Armadas, que estão lá tentando dar segurança aquela comunidade.

     

    E o deputado de Sergipe que agradeceu a verba para educação e saúde, que o governo mandou para aquele Estado e tantos outros que não tiveram vergonha nenhuma de agradecer pelo apoio de Temer “Pelo apoio que o presidente está dando ao meu Estado, eu voto sim”.

     

    Neste momento, se político fosse seria um grande barganhista para tentar, senão tirar este Estado da miséria, ao menos ajudar as pessoas de bem que querem resolver os problemas do meu RS. Por mais maragato ou chimango que fosse, eu ia sim negociar, não para mim, mas para minha gente, para nossa gente que um dia sonharam em ser feliz.  

  • Quarta-Feira, 02/08/2017

    Estou perdido

    Fiquei sem escrever este blog por quase duas semanas, estava muito desencantado, triste e desanimado, igual a todo brasileiro, mas principalmente igual a todo povo gaúcho. Desde 1977, quando Sinval Guazzelli era o governador da Arena, nós já íamos de “pires na mão” pedir migalhas para o poder central.

     

    De lá pra cá nada mudou, continuamos tropeçando nas mesmas dificuldades. Naquele tempo tínhamos dificuldades financeiras, mas não tínhamos dificuldades políticas, os governos até que eram afinados, migalhas vinham para resolver os nossos problemas mais cruciais. Depois da Arena, muitos partidos vieram a governar este Estado, e aí perdeu-se o prestígio no governo central de Brasília.

     

    Temos hoje dificuldades em pagar os nossos trabalhadores que são ligados ao Estado, o funcionalismo público, mas vocês pensam que isso só acontece com o governo estadual, pois vou lhe contar uma historinha de ontem, dia 1° de agosto. Chegando em uma empresa, aqui em Passo Fundo, para conversar com o seu diretor, ele estava perdido no meio de papéis e contas, queria pagar os funcionários dele ontem, mas o faturamento da empresa não fechou.

     

    Ele sabe que se pagar o salário do seu funcionário hoje, até sexta-feira no máximo ele terá que pagar a primeira parcela do 13°. São tantos impostos, que esse cidadão já branqueou os cabelos fazendo ginástica para continuar gerando emprego. São impostos para o município, para o Estado e para o governo federal.

     

    Ele me perguntou o que eu faria no lugar dele, lhe disse que eu não teria nada a fazer, a não ser ficar me queixando. Mas este cidadão não estava se queixando, ele admitia que apesar da dificuldade da economia, da política, ele ainda era um cidadão que pode dormir de consciência tranquila, suas obrigações tributárias serão honradas. Então eu lhe perguntei por que não parcela os salários, já que é moda. Ele me falou “eu teria vergonha na cara de admitir para o meu funcionário que trabalha, que cumpre o horário, de dizer para ele que eu teria que parcelar, deixar a família dele sem o dinheiro contado para pagar a luz, a água, a comida que os filhos comem, a condução que ele usa para ir ao trabalho. Numa parcela não daria para cobrir este rombo, e essas contas do meu colaborador chegam e vencem até o dia 10”.

     

     

    Olhando tudo isso, ele me perguntou “o que podes fazer por mim, pela minha empresa, pelos 5, 6 funcionários que colaboram comigo? Sim, porque até o último dia útil de cada mês terei que pagar tudo isso!”, e levantou um calhamaço de folhas timbradas, com timbre da prefeitura, do Estado, da União. “Se eu não pagar esta conta agora até as 18h do último dia útil, perco também o crédito para, de repente, buscar um reforço financeiro para saldar a minha dívida com os meus funcionários”.

     

    Ah, não esqueçam que esse cidadão também tem que pagar a água, a luz, o aluguel para sua empresa continuar gerando empregos. Enquanto isso, temos um legislativo que só quer levar vantagens, quanto mais o presidente da república estiver enrolado, melhor para essa gama de político que aproveitam-se da situação para espezinhar, não o presidente nem sua equipe econômica, mas sim o povo que espera por melhores dias.

     

    E no governo do Estado 55 parlamentares, uns de caras torcidas juram amor eterno ao governador e ao seu secretariado, mas só votam se ganharem também alguma benesse, e uma oposição que já passou por lá, participou do desmonte do Estado e hoje quer dar lição de moral, dizendo que se o governo acertar as contas com o governo federal, mesmo assim, não vai resolver o problema financeira do RS.

     

    Para fechar, eles tem razão, situação e oposição, principalmente aqueles que já passaram por lá nesses 40 anos, se serviram do Estado e agora viram-se de costas não para o Estado, mas sim para o povo gaúcho que lhes paga o salário. LAMENTÁVEL!  

  • Quarta-Feira, 12/07/2017

    O trabalhador brasileiro não é mais coitadinho

    Em 1943, quando as leis trabalhistas foram feitas no Brasil eram para proteger os trabalhadores que em sua maioria era explorada pelos maus patrões. Tudo o que se queria era impedir de que o trabalhador fosse explorado por um salário-mínimo, e nem era mínimo porque cada um pagava o que queria. Na sua maioria pessoas de poucas instruções, quase que analfabetos, alguns como meu próprio pai só aprenderam a assinar seu nome porque os filhos o ensinaram.

     

    Homem rude, humilde, que só queria sustentar a sua família com o pouco que ganhava. Tínhamos a indenização, dinheiro que vinha da empresa direto ao trabalhador, não era Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. Eles faziam horas extras e, muitas vezes, não eram pagas, férias, às vezes, principalmente para quem foi criado num frigorífico fazendo charque, às 5 horas da manhã ele saía de casa e voltava às 5h da tarde. Não eram reconhecidos, uns trabalhavam 12 horas, de sol a sol.

     

    Mas esse tempo passou, estamos vivendo um novo momento na relação entre patrão e empregado, eu mesmo estou no rádio há 44 anos, nunca dependi de ninguém para negociar o meu salário. Sempre vendi o meu produto, que é a minha voz, a minha intelectualidade, meus conhecimentos, por bom preço, se não ganhei mais foi porque não sabia vender.

     

    Há 33 anos, aqui na Rádio Uirapuru, eu negocio diretamente com o meu patrão, que desde Luiz Fragomeni e Bruno Markus deixaram de ser meus patrões e passaram a me chamar de sócio. Se eu ganhar eles ganham também, se eles perderem eu também perco. Aí o velho ditado gaúcho tá valendo “É do couro que sai a correia”. O almoço, a janta, não veem de graça, eu tenho que acordar cedo, me informar, e chegar na rádio, entregar o meu produto, é uma grande vitrine. Mas eu tenho que ser um bom vendedor.Temos liberdade para entrar na sala do diretor e falar com ele diretamente.

     

    Se olharmos para o Brasil inteiro, seja no campo ou na cidade, o trabalhador está mais orgulhoso de ser trabalhador. O dono da indústria está feliz com o seu colaborador, o comércio está em paz, e os demais serviços que a comunidade precisa são entregues todo dia, seja na iniciativa privada, ou no serviço público.

     

    A iniciativa privada conversa, o serviço público nem tanto, porque alguns se adonaram da máquina estatal, como se donos fossem e esquecem que os verdadeiros donos são eles, e os trabalhadores que pagam os impostos. Porque é burrice da minha parte chegar e declarar para o soldado da Brigada, para um Policial Civil, para um professor, para um juiz ou promotor, bater no meu peito e dizer “vocês têm que fazer o que eu quero, porque quem que paga o salário sou eu”. Como se essas classes não consumissem e não pagassem impostos também. Essa guerra de classe tem que acabar logo ali, e a guerra de patrão com o empregado parece que está chegando ao fim.

     

    Almir Pazzianotto foi um dos grandes sindicalistas deste país, foi ministro do Trabalho na era Sarney e declara hoje “Quem está perdendo com as reformas trabalhistas são alguns milhares de advogados, que vivem de processos na Justiça do Trabalho contra patrões”. O Brasil bate recordes de processos trabalhistas, são 4 milhões por ano, e haja judiciário para julgar. Muitas vezes, o trabalhador que está com a demanda judicial se queixa “Já faz dois anos que o processo está correndo e até agora o juiz, ou a justiça, não se pronunciaram”. Mas como se pronunciar, se você chega na sala do judiciário trabalhista e o juiz está escondido numa pilha de processos?

     

    Vamos descarregar esses gabinetes, vamos dar resolutividade para vida do trabalhador, deixemos de ser os coitadinhos trabalhadores do Brasil para sermos homens, mulheres, profissionais, seja em que área for, sem que tenha sempre alguém querendo lucrar com o meu suor e com o meu sangue. Demorou mas chegou, a reforma trabalhista é uma realidade.  

  • Sexta-Feira, 30/06/2017

    A quem favorece mesmo a greve?

    Desde as primeiras horas desta manhã, conferi a movimentação no Brasil inteiro. As grandes capitais não registraram paralisação no transporte urbano, a maioria dos serviços públicos estão funcionando, o comércio também, as agências bancárias estão funcionando, a rede de saúde com seus hospitais, ambulatórios, todos trabalhando.

     

    No entanto, as lideranças sindicais estão na rua, tentando movimentar a população contra as reformas que estão tramitando no Congresso Nacional. Contra a reforma trabalhista eles dizem que nós, trabalhadores, vamos perder muito, com a reforma previdenciária eu também vou perder muito. Mas só que não param, não explicam para a comunidade o que realmente estamos perdendo, contra Temer e contra as reformas.

     

    Eu lhes pergunto meu caro líder: “Contra o assaltante do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador)? Contra o assaltante do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço? Contra quem liberou bilhões de reais a JBS, e deixou eles levarem o nosso dinheiro para fora do país?”.

     

    Contra isso deveríamos gritar. Será que esta greve vai fazer com que o dinheiro do PRONAF volte a quem tem direito? Agricultores familiares adoeceram quando souberam que estavam endividados, e o dinheiro ainda não apareceu na conta deles. Contra esses descarados com o dinheiro do povo, ninguém protesta.

     

    Alguém foi para rua gritar “Salvem a Petrobras, salvem o BNDES, devolvam o meu dinheiro?”. Eu queria mesmo que quem cometeu esses crimes estivesse fora da vida pública e política, porque eles continuam debochando de mim e de milhões de brasileiros.

     

    Eles entraram nos nossos lares, através do rádio e da televisão dizendo que são inocentes e que até agora ninguém provou nada contra eles. Contra essa gente ninguém faz greve.

     

    Então, eu lhes pergunto: “Esta greve é para proteger líderes sindicais, que com a reforma estão na eminência de perder os seus carguinhos?”.  

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