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JG

  • Segunda-Feira, 16/01/2017

    Não há só um caminho

    O Brasil perdeu muito tempo e as consequências agora para a sociedade são as piores possíveis. O país deixou de fazer o dever de casa ao longo das últimas décadas e a conta veio com juros, dividendos e tudo o que pode ser acrescido. Estou falando de segurança pública, de sistema carcerário. Não dá para não falar mais sobre o assunto. Este é o assunto. Não dá para fechar os olhos e dizer que não tenho nada a ver com isso. Precisamos falar, porque somos os responsáveis por escolher aqueles que tomam as decisões por nós. Então, somos responsáveis.
     
     

    O programa Sem Segredo do último sábado, recebeu o juiz Luis Christiano Aires e o professor da UPF, Marco Aurélio Nunes da Silveira para conversar sobre a crise do sistema prisional brasileiro. Dois enfoques dados pelos convidados merecem atenção: o primeiro é que o Brasil precisa urgentemente começar a tratar sobre a legalização das drogas. O debate é necessário e deve ser feito de forma séria e responsável. O segundo, o Poder Judiciário precisa começar a aplicar penas alternativas para crimes de menor gravidade. A abordagem dada pelo programa ganha repercussão nacional em outros veículos de comunicação. Se isso acontece, é porque há um entendimento de que os temas são urgentes.

     

     

    A verdadeira matança nos presídios do Amazonas, Roraima e, neste final de semana, no Rio Grande do Norte, é o pior dos sintomas da crise carcerária. Mas ela precisa ser enfrentada e os caminhos para uma solução são muitos e variados. Começa pelas famílias, passa pela escola, pela formação cultural, pela inclusão social, pelo emprego, pelas oportunidades. Será preciso ainda construir novos presídios, humanizar as cadeias, oportunizar trabalho aos presos e realmente fazer o papel da inserção dos presos. Da forma como está, continuaremos a assistir matanças sob o comando de facções criminosas. Não podemos nos acostumar com isso. 

     

    (Zulmara Colussi - interina)

  • Sexta-Feira, 13/01/2017

    As coisas pioram, antes de melhorar

    O Brasil terá, em 2017, a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo. A cada três trabalhadores desempregos no mundo, um será brasileiro. O dado foi divulgado esta semana pela Organização Internacional do trabalho (OIT). O país deve aumentar 1,4 milhão de desempregados no decorrer do ano. No mundo, este número deverá atingir a espantosa cifra de 3,4 milhões, tendo como epicentro da crise o Brasil. De acordo com os dados da OIT, o país é superado apenas pela China e a Índia, em termos de números absolutos.

     

    A recuperação de um processo de crise é sempre lenta e a última engrenagem que começa a se movimentar é o emprego. Não é por nada que o economista da OIT, Steve Tobin, afirma que “as coisas vão piorar no Brasil, antes de voltar a melhorar”. É que, primeiro, o país precisa melhorar seus índices, como o da inflação, juros, etc... Depois, as empresas, especialmente a indústria, precisa retomar a produção. Retomando a produção, a engrenagem começa a se movimentar. Movimentando, temos mais consumo. Consumindo, temos mais demanda e precisamos de mais produção. Para produzir, precisamos de mão-de-obra. A retomada do emprego será, infelizmente, a última engrenagem da retomada do desenvolvimento. A confirmação desta lógica veio com o relatório da OIT, divulgado esta semana. Tudo isso não seria desta forma, não fosse a irresponsabilidade criminosa de corruptos que levaram o país a bancarrota. 

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Quinta-Feira, 12/01/2017

    Juros mais baixos e um alento para a economia

    A informação de que a inflação ficou pouco abaixo da meta em 2016, motivando a redução da taxa anual de juros para 13%, dão um alento neste começo de 2017 e certamente contribuem para um cenário mais positivo. A decisão do Banco Central, anunciada no final da tarde de ontem tomou o mercado de surpresa, mas uma boa surpresa. A reação nesta quinta-feira é de bom humor. Com taxas de juros menores, e a perspectiva do Banco Central é chegar a 10% até final do ano, a economia é estimulada: mais consumo, mais produção, mais empregos. Nesta ordem, porque a retomada do emprego é o último processo de uma economia nos trilhos.

     

    Mas, com juros mais baixos, é sempre bom manter a cautela. Nada de consumir exageradamente. Vamos aprender com a crise. Ela educa no sentido de que podemos administrar nosso dinheiro na ponta do lápis e anotando tudo no caderninho. Não gaste mais do que ganhe e sempre reserve uma parcela do seu salário para poupar. Pesquisa preços e não compre o que você não precisa e não vai usar. A regra da economia doméstica é básica e vale para todos, inclusive para os governos. Quando gastamos mais do que ganhamos, nos endividamos e é justamente aí é que passamos a sofrer. Pra que sofrer se podemos evitar.

     

    A queda na taxa de juros é um alento, sim, especialmente porque o ano começou mais pesado e violento do que os outros. Mas, o caminho para a estabilidade, esse ainda é longo e vai exigir de todos nós muita paciência e organização. Vamos fazer a nossa parte. A mudança começa de dentro para fora. 

  • Terça-Feira, 10/01/2017

    Dois pesos, duas medidas

    O governo federal quer economizar R$ 6 bilhões por ano com a revisão das aposentadorias por invalidez, propõe uma reforma previdenciária das mais rigorosas, mas, vai gastar R$ 8 bilhões até 2019 com bônus para auditores e analistas da Receita Federal e auditores-fiscais do trabalho (aposentados e na ativa). Cerca de 45 mil servidores serão beneficiados com o Bônus que começa a ser pago em fevereiro, mesmo sem antes alcançar metas. Pelo menos 18 mil ainda trabalham e 27 mil se dividem entre aposentados e pensionistas (beneficiários de servidores que já morreram). O objetivo é estimular os funcionários a aumentar a arrecadação do país.

     

    Dois pesos, duas medidas: enquanto o governo aperta o cinto da sociedade, que está pagando uma conta altíssima pela crise, abre as burras para bonificar servidor que está aposentado e que vai ganhar em cima do trabalho de quem está na ativa. Ninguém fala oficialmente a respeito e o assunto quase passa despercebido no centro do poder, Brasília.

     

    A negociação com as categorias beneficiadas foi feita ainda no governo de Dilma Rousseff, mas começa a ser executada a partir de agora, no governo de Michel Temer. O pagamento começa a ser feito mesmo sem a definição das metas e o cumprimento delas. Um belo presente de Natal, mesmo atrasado. 

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Segunda-Feira, 09/01/2017

    Mais presídios?

    "Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. A célebre frase do antropólogo, político e escritor Darcy Ribeiro, dita em 1982, ecoa pelo Brasil depois da barbárie dos presídios nos estados do Amazonas e Roraima, quando 100 detentos morreram, muitos decapitados. Na verdade, já se passaram muito mais do que 20 anos. Exatos 34 anos. Mas há muito mais tempo todos nós sabemos que uma sociedade justa não se faz construindo presídios, mas investindo na educação, cultura e na geração de emprego.

     

     

    A fala de Darcy Ribeiro há 34 anos, soa como pressagio disseminado pelas redes sociais e comprovada por um estudo do Infopen, em 2014. Este estudo, embora possa ter variação de índice, espelha a realidade nua e crua: mais de 53% dos presos tem ensino fundamental incompleto, 67% são negros e 27% estão presos por tráfico de drogas. Resumindo: pobre, de baixa escolaridade, negro e que tem no tráfico a oportunidade de trabalho.

     

    Embora o governo federal venha anunciando milhões de reais para a construção de presídios, a solução do problema não está nas prisões: está na oportunidade de estudar, ter vida digna e trabalhar. E daí, vamos esperar mais 20 anos?

     

    *Zulmara Colussi (interina)

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