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JG

  • Segunda-Feira, 26/12/2016

    Já vínhamos falando

    Há muito tempo, debatemos na Rádio Uirapuru sobre o Tribunal de Contas do Estado, o Tribunal de Contas da União, o Tribunal de Justiça Militar e outros órgãos, que seriam fiscalizadores para defender o povo gaúcho e brasileiro, mas que se tornaram meros “cabides de emprego”. Um deputado federal, que prestou grande serviço ao presidente no poder, será nomeado Ministro do TCU. Um deputado estadual, que prestou um grande serviço para o governador de plantão, será um dos grandes conselheiros. Um coronel da Brigada Militar, anos de trabalho pela gloriosa, mas fez um grande serviço para o senhor governador será nomeado ministro da Justiça Militar.

     

    Esses cargos que falávamos aqui, são cargos vitalícios, a vida inteira enquanto forem vivos terão salários de conselheiros, de ministros, agregando-se aos seus salários de origem. Eis que agora, o Ministério Público denuncia os culpados da crise do estado de calamidade financeira, instalado nos estados de Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

     

    Os estados só chegaram neste ponto, porque não houve uma severa fiscalização destes órgãos, que deveriam defende o dinheiro público, o bem público, mas na hora de aprová-los fizeram “vistas grossas”, aprovando gastos além do que garantia a lei de responsabilidade fiscal de cada governo. Aí, os governos gastadores foram pegar dinheiro no Banco Mundial, no Banco Interamericano, ou avançaram até mesmo nas reservas judiciais, sempre deram um jeitinho de tapar o sol com a peneira.

     

    Estava eu conversando neste sábado com um servidor do Estado, que está na Reserva, e dizia ele: “Tarso Genro foi o melhor governador para nós, nos deu aumento até 2018”. Só que o próprio governador não disse para ninguém de onde sairia o dinheiro, e é isto que um Tribunal de Contas do Estado deveria fazer. Gastou tanto de onde saiu? Vai gastar tanto, de onde vai sair? Mas não, amigos do poder, nomeados pelo poder, podem fazer que eu aprovo.

     

    E hoje estamos aí, salários parcelados, 13° sem pagar, funcionários públicos estaduais sem previsão de receber o próprio salário do mês de dezembro, enquanto esses tribunais fiscalizadores procederem assim, os estados vão continuar na penúria. O dia que tirarem este apadrinhamento e deixarem os técnicos, que conhecem os processos trabalharem, governadores terão mais responsabilidade na hora de gastar o dinheiro do povo.

     

    Sempre pensei e sempre respeitei todos os Tribunais de Justiça, de Contas, o próprio Tribunal de Justiça Militar, porque achava que eles eram um aparelhamento para defender o povo que paga imposto, mas quando o senhor conselheiro do TCE ou o ministro do TCU são nomeados por partidos políticos, não há esperança nenhuma que as leis sejam respeitadas e que o povo possa acreditar num Brasil melhor, num Estado melhor, numa vida melhor, sem sobressaltos na hora de precisar de um médico, um remédio, uma escola e de um guarda pra me dar segurança. Tomara que em 2017 não tenhamos que lamentar essas coisas aqui. Nomeação não, competência e seriedade sim.  

  • Quarta-Feira, 21/12/2016

    Fundações que afundavam

    O Rio Grande do Sul vive, neste momento, uma verdadeira revolução, o pacote de maldades do governador virou pacote de bondades para os rio-grandenses. Saiu hoje a relação das fundações que foram extintas. Quando falávamos neste blog que algumas fundações eram compostas por cargos de confiança, uns amiguinhos do rei e outros amiguinhos de quem cerca o rei, as pessoas me chamavam de fascista, que eu não sabia o que estava falando, que nem tudo era troca de favores.

     

    No governo Yeda, quando o deputado estadual Gilberto Capoani declarou na tribuna da Assembleia Legislativa de que aquela casa, que deveria ser para defender os interesses do povo gaúcho, havia se transformado em um grande balcão de negócios, quase o crucificaram.

     

    O Rio Grande do Sul vive ainda uma de suas maiores crises financeiras. O salário de novembro foi pago na semana passada, o 13° do funcionalismo não se sabe se vai ser depositado este ano, ou ficará para o ano que vem. E não esqueçam que antes do fim do ano, o governo vai ter que pagar o salário de dezembro.

     

    A coisa foi afundando de um jeito que não tem mais saída. Agora, estamos festejando a decisão da Câmara dos Deputados que joga o pagamento da dívida do Estado com a União para daqui três anos. Estima-se que o Rio Grande vai economizar até lá 8 bilhões de reais, mas não esqueçam que esta dívida não foi perdoada, ela foi prorrogada. No final desses três anos, vamos ter que pagar e o nosso credor, a União, poderá cobrar juros escorchantes, como sempre faz.

     

    Tem gente que está de cara torcida com a imprensa, e com alguns setores da sociedade, porque estão aplaudindo a coragem do senhor governador de acabar com oito fundações, que não dão lucro nenhum e só geram prejuízos. Para que essas fundações, que na sua maioria são moeda de troca por apoio dos partidos políticos? E podes verificar, olhar quem estava contra a extinção destas fundações, eram deputados que em sua maioria usavam essas fundações para dar emprego aos seus correligionários, e alguns aparelhados de partidos políticos que só sugam o país.

     

    Lhes pergunto: partido político gera riqueza? Não, não gera, eu lhes garanto, ao contrário, um projeto na Câmara dos Deputados em Brasília está estudando sobre o aumento da verba partidária, que hoje passa de 800 milhões, ela poderá ganhar um aditivo substantivo e passar a valer 3,2 bilhões.

     

    E esses 36 partidos, que estão lá, geram alguma riqueza para este país? Pagam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço? Imposto de renda? E os aluguéis em Brasília para todo estafe, quem é que paga? Somos nós, brasileiros que produzem no campo, na indústria, no comércio, nos serviços, tudo o que move economicamente este país.

     

    Mas vamos voltar para o Estado gaúcho, calcula-se que com a extinção dessas fundações o Estado vai economizar 145 milhões de reais, ainda é pouco para quem tem um déficit orçamentário de quase 8 bilhões de reais.

     

    Ficaram bem brabos aqueles que perderam a teta, o Rio Grande não pode ser “uma mareca das assas bem grandes” para abrigar os marequinhos, que sempre foram verdadeiros bezerros, carneirinhos, terneirinhos, que só sugaram a vaca. Mas a teta secou, e não teve outra saída sem ser essa.

     

    Sinto muito, afinal de contas são 1.002 pessoas que vão perder o emprego, isto mesmo, eles perderam o emprego, porque nunca tiveram serviço.  

  • Quarta-Feira, 14/12/2016

    O dia com dois assuntos

    Primeiro tópico: a entrevista do vice-governador

     

    Hoje pela manhã, no programa Repórter do Povo da Rádio Uirapuru, esteve nos visitando e falando com seu povo o vice-governador, José Paulo Cairoli. Não preciso recordar que o governo e o Estado do Rio Grande do Sul estão com sérias dificuldades financeiras.

     

    Quem acompanhou desde o início a entrevista ouviu o que perguntamos a ele: se com todos os cortes que estão previstos no pacote para ser votado na Assembleia amanhã ou terça-feira, o Rio Grande vai ter como resolver problemas cruciais na área da educação, da saúde, da segurança e da infraestrutura, que são as estradas sucateadas.

     

    “Todos nós sabemos que em dois anos, por melhor que seja, não iriamos resolver”, foi o que falou o vice-governador.

     

    Mas, muitas vezes, parece que algumas pessoas não querem ouvir, só ouvem o que lhes interessam. Misturando Estado com governo, Estado com partido politico, e isto foi perguntado e respondido.

     

    Segundo tópico: A falência da VARIG

     

    O segundo tópico, que eu gostaria de abordar com os senhores, é que hoje, dia 14 de dezembro, mas em 1966 morria Rubem Berta. Para quem não sabe, foi o primeiro funcionário e diretor-presidente da maior empresa aérea que o Brasil já teve, chamava-se Viação Aérea Rio Grandense (VARIG). Pois esta empresa fez história, chegou a ter mais de 20 mil funcionários só no Brasil.

     

    A aviação brasileira era respeitada, mas depois, quando seus diretores resolveram fazer desta empresa que era privada, uma administração como se fosse pública, concedendo vantagens a alguns foi a falência. Não precisaria ir a derrocada, se bem administrada continuasse sendo. Depois foi briga politica com o governo central, exigindo cada vez mais da empresa na questão tributária e interesses nacionais e internacionais acabaram com esta empresa.

     

    Na história da VARIG, a empresa viajava todo o mundo, Estados Unidos, Europa, Ásia e América Latina inteira, tinha uma credibilidade fora de série. Vocês sabiam que quando os brasileiros viajavam para fora do país, se nós encontrássemos qualquer dificuldade diplomática ou de saúde a primeira coisa que um brasileiro fazia era procurar um escritório da VARIG, não as embaixadas do Brasil. A empresa tinha mais credibilidade fora do país, que o próprio corpo diplomático do meu Brasil.

     

    Se houve má gestão é uma certeza, mas também teve, como diria Leonel Brizola “interésses”. Não esqueçamos que para favorecer o capitão Rolin e o Wagner Canhedo, dois empresários paulistas, foram favorecidos pela administração do Brasil.

     

    Quando se dá incentivo para tantas empresas e setores da indústria, principalmente quando se protege com “as asas de protetor” os bancos internacionais com incentivos, há até perdão de dívidas como o fisco.A VARIG não poderia receber estes incentivos, interesses de grupos ligados ao governo da época, algumas coisinhas que a gente não pode esquecer.

     

    Se em um momento me encantei com Luiz Inácio Lula da Silva e seus asseclas, muito me desencantei também. Quando os governantes desmontam empresas valiosas, como foi o caso dos Correios, fatiado para agradar partidos políticos, perdi as esperanças, e com a VARIG foi a mesma coisa, ficou na saudade e, mais do que isso, esta mágoa eu não esqueço.  

  • Segunda-Feira, 12/12/2016

    Pode ser legal, mas é imoral

    Essas denúncias que estão na mídia contra importantes políticos brasileiros. A lista de hoje aponta 51 políticos de 11 partidos, mas as más-línguas anunciam que virão mais, porque são 72 executivos da Odebrecht a fazerem a delação premiada. Dizem ainda, que mais de 200 do Congresso e do Senado estão envolvidos com a cobrança de propina, se fosse em outra época seria normal o anormal.

     

    A contribuição para campanhas políticas sempre existiu, a diferença é que agora o dinheiro que seria para partidos foi parar em contas nada a ver. É 22 milhões para um, 22 milhões para outro, até agora de manhã foram apurados que 72 milhões de reais foram parar nas contas destes políticos. Por isso que digo, poderia ser legal, mas agora tornou-se imoral o normal, o legal virou anormal.

     

    Hoje pela manhã, no programa Repórter do Povo, o Dr. Dárcio Vieira Marques disse que a divulgação tornou todos eles “foras da lei”. O procurador-geral da república, Rodrigo Janot declarou que vai investigar o vazamento destas informações para mídia, que não se pode colocar todo mundo dentro de um saco, sacudir e misturar, deu para entender, né?

     

    Hoje pela manhã ainda, conversando com a produção do nosso programa e também com o inspirador deste blog, discutimos como se davam as negociações. De um lado os achacadores partidários, dizendo que a emenda constitucional, que estava no Congresso, só iria para frente diante pagamento, ou melhor, mediante “uma ajudinha para minha campanha”.

     

    De outro lado os pagadores das campanhas batiam na mesa, “trancou lá aquela emenda no seio do seu partido, da sua bancada? Se aquilo lá não se mexer, não vou te pagar este mês 2 milhões”. E o projeto tinha que durar no máximo 4 meses, a cada etapa 500 mil reais.

     

    Mas, o pior de tudo, é que os achacados passaram a ser ditadores “Eu é que vou dizer como tem que tramitar essas emendas”. Vejam só como acontecem as negociatas, quando Lula era deputado federal e disse que o Congresso Nacional, daquela época, era composto por 300 picaretas, quase o crucificaram no parlamento.

     

    Aqui no Estado, Gilberto Capoani, anos atrás, declarou que a Assembleia Legislativa era um balcão de negócios e, também, quase foi crucificado. Recentemente, no caso Basegio, um deputado declarou na sexta-feira que era normal desviar dinheiro da Assembleia, no sábado e domingo ele sofreu uma pressão de seus companheiros na Assembleia e segunda-feira declarou na imprensa gaúcha que não era bem aquilo que ele queria dizer.

     

    É assim que se comportam os homens, que deveriam zelar pelos bens da nação, salvaguardar a saúde, a educação, a infraestrutura deste país, são os primeiros a avançarem escondidos em siglas, mas que se não tivessem siglas seriam chamados de ladrões.

     

    Podem me dizer: o normal é anormal, o legal dentro da lei tornou-se ilegal, só assim eu posso compreender que está na lei, mas não é da lei. O que a lei manda, o próprio legislador não repeita.  

  • Sexta-Feira, 09/12/2016

    Não sei o que dizer

    Na semana retrasada, escrevemos neste blog que o presidente Temer tinha chegado a conclusão de que as instituições brasileiras estavam falidas e, com isso, o Brasil não adquire credibilidade internacional. Se falarmos com advogados sobre a Constituição, eles dizem que o Brasil vive uma insegurança jurídica, não temos segurança para causar o desenvolvimento na iniciativa privada. Conversamos com empresários arrojados, que tentam crescer a sua indústria, o seu comércio, os serviços que são oferecidos à comunidade, mas não sabem o que vai acontece logo ali.

     

    Agora uma classe está vivendo momentos de insegurança, a classe médica não quer atender pelo Instituto de Previdência do Estado, porque faz cinco anos que o IPE não reajusta seus honorários. Hoje pela manhã, ouvi o desabafo de uma professora que trabalhou a vida inteira pelo Estado: “Estamos muito preocupados, ganhamos pouco, o IPE era a única segurança que nós tínhamos e até isso esse governador quer nos tirar”.

     

    Se conversar com o pedreiro ele também está preocupado, porque o momento de ouro da construção civil no Brasil já passou. Nós tínhamos aqui em Passo Fundo, há bem pouco tempo, cerca de 80 a 90 novos empreendimentos saindo do chão, edifícios modernos para morarmos e com salas para trabalharmos. Este empresário audacioso ainda está teimando, mas com muita dificuldade.

     

    Juro para os senhores que esta semana para mim, como comunicador, foi difícil, procurava palavras para vender otimismo e não achava. Essa briga do Legislativo com o Judiciário parece que castrou os meus neurônios, quase que eles pararam de funcionar. Onde um cidadão que responde na Justiça 12 processos e já é réu em um, ainda é presidente do Senado? Nós só nos preocupamos porque ele está na linha de sucessão a presidência da república. Mas, lhes garanto que em qualquer outro parlamento mundial, de qualquer nação, este cidadão já teria sido cassado, defenestrado do meio político.

     

    Infelizmente no Brasil é assim, todos somos iguais perante a lei, não interessa o tamanho do rombo, não interessa quanto eu tenha roubado, de um real a bilhões de reais, a mácula perante a lei é a mesma, mas o nosso Judiciário nos decepcionou. Hoje além de não acreditarmos mais em políticos, estamos perdendo a crença na última barreira que o povo brasileiro tinha como defesa.

     

    Depois dessa do Judiciário, nada mais esperamos. Já pensou se, de repente, um maluco resolve fazer justiça pelas suas próprias mãos, ele vai preso ou será morto em praça pública? Todos os dias têm uma manchete de fraude na aposentadoria, no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, no Fundo de Amparo ao Trabalhador, no Ministério da Saúde, do Trabalho.

     

    Já sabíamos a maracutaia no financiamento da educação do MEC, conhecíamos funcionários fantasmas, políticos fantasmas, mas agora temos estudantes fantasmas, era só o que me faltava. 2.016 Depois de Cristo e até agora o Senado nada fez.  

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