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JG

  • Terça-Feira, 21/03/2017

    Não tem que agradar

    Nesta semana fomos bombardeados no estúdio da Rádio Uirapuru por pessoas que, muitas vezes, não ouvem o rádio, o rádio é que tem que ouvir elas. O rádio não pode pensar, são elas que têm que pensar pelo rádio. Se adonam da verdade e querem ouvir aquilo que pensam.

     

    Fim de semana, o jornal Troca-Troca Uirapuru trouxe o editorial elaborado pela nossa editoria e com minhas palavras. Falei sobre um novo valor politico, que estava e que está nascendo. Falei sobre o jovem presidente da Assembleia Legislativa do PT, Edegar Pretto pelo seu jeito de conduzir a nossa casa legislativa. Parece-me que ele é moderno, ele quer fazer da politica, a politica do bem comum, elogiei-o.

     

    No meu celular ninguém se manifestou falando bem, recebi muitos telefonemas e torpedos me chamando de puxa-saco do presidente da Assembleia. Quando falo de um partido, seja ele qual for, falo de bem, das ações, sempre aparece alguém pra me chamar de puxa-saco ou, pior de tudo, dizem que somos vendidos, que defendemos uma empresa, uma administração pública e se criticamos somos oposição. Como é difícil agradar alguém!

     

    Mas também, por que tenho que agradar alguém? Eu tenho que cumprir com a minha função de comunicador, é pra isso que a empresa me paga, até nem gosto de elogios, gosto mesmo são de críticas. Portanto senhores, o que quiserem falar podem falar, nós não vamos calar a voz, porque alguém se acha mais democrático que os outros.

     

    Mas é bom saber que se falamos para direita, falamos também para esquerda. Quando entrevistamos um deputado de um partido, o outro já vem como se fosse meu chefe dizendo a quem eu deveria entrevistar no outro dia, porque eles se sentem ofendidos.

     

    Mas a imprensa a Rádio Uirapuru, principalmente neste 35 anos, sempre teve seu microfone aberto para todas as vertentes, políticas e pensadoras da nossa comunidade. Se eu entrevisto uma expressão política do PDT, do PMDB, do PSDB ou do PSB, de todos os partidos, nós estamos cumprindo com a nossa missão.

     

    Nunca me esqueço do empresário de comunicação, que foi chamado pelo governador da hora para se queixar de seus funcionários jornalistas e comunicadores -“Eles não largam o meu pé, eles querem destruir minha vida política”. Saindo do gabinete do senhor governador, o empresário se deu de cara com uma manifestação e uma das lideranças enfrentou-o dizendo: “O senhor é vendido, seus órgãos de comunicação são vendidos ao governador do Estado, só falam o que o governador quer”.

     

    Ele, atarantado, convocou uma reunião com seus principais jornalistas, comunicadores e comentaristas e declarou: “Estamos no caminho certo, os dois lados estão se queixando de vocês, vocês são muito radicais. Vocês conseguem desagradar todos os segmentos da sociedade, seja a mais alta liderança de trabalhadores do Estado ou o mais alto grau governamental”.

     

    Sinto, às vezes, meus colegas preocupados com as críticas ao nosso trabalho, que vem através do whatsapp, do torpedo, do e-mail, dos telefones, querendo muitas vezes me proteger. Mas eu faço questão de ficar sabendo que de um lado, ou de outro, eu não vou agradar todos e nem tenho essa pretensão. Não quero ser bonzinho, mas também não quero ser o lobo mau, que atacou a velhinha.  

  • Sexta-Feira, 17/03/2017

    Um país fraudado e um país envenenado

    Que coisa o que está acontecendo no nosso país. Nas investigações do Mensalão do PT e do PSDB mineiro pensávamos que era só a política que estava podre, só os políticos eram os culpados desta nação não adquirir a credibilidade diante das nações do mundo.

     

    Mas agora com as revelações da operação Lava Jato, grandes empresas estão comprometendo a credibilidade desta nação. Chegamos a conclusão de que perdemos totalmente a credibilidade, principalmente a do nosso povo que não acredita mais nos políticos e nos grandes empresários.

     

    Quando surgiu aqui no Rio Grande do Sul a operação do Ministério Público contra os envenenadores do leite, crianças tomando água podre misturada com soda cáustica estavam sendo envenenadas, achamos que parariam por aí, ficariam com medo e respeitariam pelo menos as autoridades constituídas. Mas não parou. Pertinho de nós gente inescrupulosa estava envenenado o requeijão, a nata, o queijo e outros derivados do leite para se locupletarem, ficarem bem ricos.

     

    Hoje pela manhã, as grandes empresas da indústria da carne estão nas páginas dos grandes jornais, rádios e televisão como fraudadores. Carne vencida, apodrecida, maquiada para vender ao encausto povo brasileiro. Pior de tudo, com a aprovação daqueles que ganham o dinheiro do povo, através de tributos para favorecer os fiscais do MAPA, que dizem alguns que ganhavam dinheiro para deixar a carne podre dos grandes frigoríficos chegarem a mesa do trabalhador.

     

    Como se chegou a essa conclusão? A maioria dos fiscais honestos começaram a desconfiar como que alguns ficais, com a mesma função que eles dentro do ministério moram numa cobertura caríssima no centro da cidade, ou em lugares paradisíacos, com o carro do ano, e alguns até já estavam virando homens de negócios, só com a fraude. Profundamente lamentável!

     

    Mais uma vez, este tipo de gente se iguala aos políticos e aos banqueiros que estão aí só pra se servir do povo brasileiro. Tomara que a Polícia Federal e o Ministério Público não desistam e, principalmente, a Justiça Brasileira faça valer a lei. Eles não são foras da lei, eles são assassinos mesmo e lugar de assassino é na cadeia.  

  • Quinta-Feira, 16/03/2017

    Olhar nos olhos não me garante mais fidelidade

    Este é o cenário politico no Brasil. Pessoas que antes de entrarem na vida pública me olhavam nos olhos, conversavam comigo e me convenciam “este vai dar certo”, “é um cara honesto”, “um cara do povo”, “a humildade deste cara me comove”, “a sinceridade com que ele fala dos seus projetos me satisfaz”, “este homem vai servir o Brasil, o Estado e a minha cidade”.

     

    Mas agora, neste redemoinho, ventos maléficos me jogam na cara de que eu votei mal, que eu não sei votar. Como assim, se todos eles me convenceram que tinham um plano para governar? E não fui só eu, o homem do bar, da lancheria, da loja, do posto de gasolina, da farmácia, a dona de casa, olharam e disseram “é deste que nós estamos precisando”.

     

    Mas e dizer o que agora? Todos eles com as mãos sujas, com milhões e bilhões de reais que poderiam resolver os problemas de saúde, de segurança, de educação, de moradia para quem não tem, jogados no ralo, e no ralo mesmo, porque até milhões de reais apareceram boiando na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e até hoje ninguém sabe de que latrina aquele dinheiro saiu.

     

    Tá difícil pensar que ano que vem todos eles ou a maioria virá travestida de cordeiro, mas por baixo do pelego são verdadeiros tigres querendo abocanhar salários, mordomias, autoridade. Sim, porque eles são autoridades e o povo que lhes vota é apenas um povo. Este povo continua pagando a conta, sem receber nada de volta.

     

    Tá doente? Vai pra fila. Precisa de trabalho? Vai pra fila. Precisa de educação? Morra analfabeto, porque quanto mais iguais a ti, melhor pra mim. As minhas bandeiras partidárias eleitoreiras devem ser mantidas, a hora que você quiser me tirá-las vou fazer uma reforma política, para que a democracia continue mandando neste país, mas a minha democracia.

     

    Numa lista fechada tu vai votar no teu partido, mas só eu serei eleito, mesmo que eu esteja envolvido com a operação Lava Jato, com o Mensalão e tantos outros escândalos financeiros, mas o teu voto é de minha propriedade, tu vota porque eu deixo você votar. Afinal de contas, as casas legislativas são a certeza da democracia, mas não da escolha.  

  • Terça-Feira, 14/03/2017

    Será que estamos ganhando um estadista?

    Muitas vezes morri de inveja dos parlamentares do Norte e do Nordeste, quando os interesses dos Estados destas regiões estão em jogo, eles se unem e vão na pressão para cima do presidente da hora. Se é na saúde, eles vão buscar recursos, se é para o desenvolvimento eles estão pressionando.

     

    Eu tinha um sonho de que um dia os parlamentares gaúchos seguissem o exemplo deles. Nós temos 32 parlamentares de vários partidos, na Assembleia Legislativa também temos pluralidade, mas parece que os interesses ideológicos, partidários e egocêntricos falam mais alto.

     

    O guri que ia para o colégio de calção curto, chinelo ou quem sabe até descalço, estudou e se fez político, é o atual presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto. Está lá me Brasília hoje com todos os partidos, lutando pelos direitos do Rio Grande. Eles querem que a presidência da república repense a nossa dívida para com a União e pague o que nos deve, através de uma famigerada Lei Kandir.

     

    A nossa dívida com a União chega aos 53 bilhões de reais e a dívida da União para com o Estado soma 49 bilhões. Se quiséssemos hoje fazer uma negociação, um confronto de dívidas, em pouco tempo nós sairíamos dessa pindaíba, que o Rio Grande se meteu há 40 anos.

     

    Mas o que eu quero falar mesmo, é do menino que está dando exemplo de estadista. O estadista, não precisa ser presidente ou governador, o estadista é o homem público que não olha para o seu umbigo e nem para a sua ideologia politica partidária. Mas como diz a palavra, olha para o Estado todo, para políticas que podem tirar o povo da miséria que se encontra.

     

    Foi tão bom ouvir o presidente da Assembleia Legislativa hoje, quando ele me disse no Repórter do Povo: “Estamos tomando estas decisões, porque eu não posso esquecer que anteontem nós eramos governo”. Assim ele quis dizer que esta dívida e esta dificuldade econômica que o Rio Grande do Sul atravessa tem também a culpabilidade do seu partido.

     

    Será que, de repente, estamos vendo um estadista surgindo? É assim que se resolve, deixa-se as bandeiras, o orgulho e aquela mania de dizer “se não é do meu partido, não me interessa, não vou ajudar”.

     

    Edegar Preto está me dizendo de que se eu for egoísta, não posso cantar o refrão do hino do Rio Grande que diz “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda Terra”. Ele reuniu todas as lideranças do Estado, o Tribunal de Contas do Estado, os defensores públicos, a magistratura, a legislatura, para tentar salvar o Estado. E se não for possível, ao menos dizer para o poder central em Brasília que esta terra ainda tem dono.  

  • Segunda-Feira, 13/03/2017

    Eu quero é ganhar

    Esta é a filosofia e a determinação das grandes empresas que exploram este país, se servem do jeito que querem e quando não querem mais viram as costas para as comunidades, que na maioria das vezes alavancaram o seu progresso. Estou falando desta Avianca, que chegou aqui vindo de um país latino-americano para explorar as linhas aéreas Passo Fundo/São Paulo.

     

    Nós, esfuziantes, damos-lhes manchete “O progresso estava sendo complementado”, apesar do péssimo aeroporto que temos. E assim foi, dez anos se passaram, as aeronaves sempre lotadas ganharam dinheiro da nossa cidade e região. Nunca foram para São Paulo com mínima lotação, sempre lotadas, mas, de repente, a empresa cresceu, os olhos dos seus diretores também cresceram.

     

    A desculpa esfarrapada de que estavam mudando de categoria e, portanto, uma renovação na frota, estavam colocando aviões com maior capacidade e o nosso aeroporto, “coitadinho”, não tinha condições de receber.

     

    Existem aeroportos no centro do país que têm a mesma pista do Lauro Kortz, outros até menores, e são atendidos do jeito que for. As empresas aéreas se adaptam a necessidade regional, não deixam de atender. Mas se já comemos o filé mignon, a alcatra sem osso, as carnes nobres e o sangue da comunidade, o pescoço que fique pra eles, como se nós fossemos apenas uma comunidade sem alma, sem sentimentos, sem vontade de crescer.

     

    Isto acontece porque existem lideranças que marcam uma reunião para marcar outra, uma audiência para marcar outra audiência, uma viagem para São Paulo ou Brasília para ganharem tapinhas nas costas e manchetes nas mídias. É isto que dá e não vai ser diferente.

     

    Enquanto não tivermos dignos representantes nos poderes políticos daqui do Estado e também lá em Brasília, não vamos sair do mesmo lugar. Por isso é que estes trustes vêm e fazem o que querem na comunidade, se servem sem participar da vida comunitária e na hora que bem entendem viram as costas, vão embora e deixam o povo chupando o dedo. Porque o meu negócio é ganhar dinheiro, o resto, como diz aquele deputado federal gaúcho, “o povo que se lixe”.  

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