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JG

  • Terça-Feira, 25/10/2016

    Quando os poderes perdem o respeito

    Nós vivemos indecisões cruciais para sedimentar a nossa democracia. Ouvia hoje pela manhã, no Jornal das Sete, aqui na Rádio Uirapuru, uma importante liderança do comércio dizendo que o Brasil não pode esperar mais para uma reforma tributária, eleitoral e econômica. Só com essas reformas, prometidas há tantos anos, o Brasil pode ter a sua credibilidade restabelecida.

     

    A comunidade internacional está de olho nas potencialidades deste país, mas por uma vontade das lideranças não cria este novo momento que nós sonhamos. Tivemos no impeachment da presidente Dilma Rousseff um desconforto politico e pensamos “Agora vai”, o pior é que não está indo para o lugar que merece. O novo presidente está, ao que parece, meio perdido nas suas alianças politicas, tentando agradar gregos e troianos, mas aí é que não dá certo,

     

    A politica do “é dando que se recebe” está superada, e as lideranças desta nação não se deram conta. O povo não aguenta mais pagar a conta, sem receber nada de volta. Agora, quando vimos e ouvimos o presidente do Senado criticar o judiciário, chamando um juiz de “juizeco”, parece que estamos voltando a 2014, quando o mascote da Copa do Mundo no Brasil era o tal do Fuleco.

     

    Quando o próprio presidente do Senado chama o Ministro da Justiça de “chefete” é que os três poderes da nação estão na contramão, um do outro, isto é um perigo para as instituições. Se o povo não pode contar com o Executivo, não conta também com o Judiciário e o Legislativo, faz anos que estão em descrédito com a nação. Teremos que parar e pensar quando que um vai respeitar o outro, e é deste jeito que trago este assunto para minha cidade.

     

    Na semana passada, uma equipe da Brigada Militar estava fazendo uma operação em um bairro na cidade, quando foi apedrejada por alguns moradores. Na noite de ontem, a falta de energia elétrica levou uma equipe ao bairro para reparar o dano, e também foi agredida por moleques.

     

    Parece que alguns setores deste país têm muitos moleques que estão brincando de fazer o Brasil uma grande nação, mas quando o Estado não se apresenta, a população desorganizada se apresenta e tenta botar respeito para as pessoas de bem. O trabalhador, a dona de casa, o empresário que abre a sua loja e sua empresa para gerar desenvolvimento está sendo pressionado por um grande número de bandidos, que lhe agridem, magoam e humilham. Se queixar para quem, se o Estado sumiu, está ausente e os poderes já não se respeitam mais?

  • Segunda-Feira, 24/10/2016

    Governador volta da Europa

    Estando de volta ao seu Estado, o excelentíssimo governador, José Ivo Sartori se encontra com os velhos problemas e alguém de nós querendo arrumar outros para ele e sua administração. Estou falando de “nós”, a mídia, que caímos no lugar-comum de que tudo que dá errado, o poder público tem que resolver.

     

    Sábado no Sem Segredo foi discutido a situação dos alagamentos nos centros urbanos e “nós”, protegidos, queremos que a prefeitura resolva, que o Estado e a União resolvam. Mas e eu, o que estou fazendo? Mais uma vez, veio a tona a questão do lixo jogado na rua, sem o mínimo de proteção. Vocês devem estar rindo de mim, ora, onde se viu proteger o lixo?

     

    Sim, essa proteção aos nossos resíduos que estou falando é adicioná-lo num plástico, jogá-lo no lugar certo e na hora certa. Não é em qualquer esquina que eu devo me desfazer deste saco de lixo e hoje, com o caminhão passando em frente a minha casa, com um calendário a ser cumprido, eu não posso bancar o ignorante e jogar, mesmo sabendo que o caminhão não vai passar.

     

    O saco de lixo não caminha sozinho, nem perna o coitado tem, mas conta com a incompreensão de muitos moradores. Este lixo, que com a enxurrada vai parar nos córregos, nas bocas de lobo, nos riachos que cortam hoje a cidade. Os rios se veem exprimidos pelo relaxamento humano, têm um momento que trancam, alagando as regiões mais baixas da cidade.

     

    Mas o assunto era outro, era Sartori e seus problemas, os quais não foram ele que arrumou, foram outros governadores e até mesmo de seu partido, que há 40 anos desgovernaram este Estado. Uns gastando o que não podiam, outros dando benesses para tentar ficar mais tempo no poder. Uma máquina administrativa que está aparelhada de ideologias de todos os partidos que por lá passaram, e não foram poucos, só mesmo uns dois ou três ainda não tiveram a chance de governar o Estado.

     

    Todos eles, que governaram, foram fatiando o Estado, como se eles fossem os donos do dinheiro público da organização estadual. E agora, Sartori tem que resolver, e o pior de tudo é que sonhador como ele é pensa que vai resolver, mas sozinho não resolverá nada, nem os cabides de emprego, que não rendem nada para o Estado, ele vai poder fechar ou vender por pouco mais de nada, alguns que só estão ali para esconder companheiros partidários que historicamente sempre acharam um lugarzinho para ficarem bem escondidinhos.

     

    O povo que pague a conta, os impostos vão continuar vindo, só que a arrecadação está toda comprometida. Já temos funcionários do Estado perguntando se vamos ou não receber o nosso 13°. Hoje pela manhã, no Repórter do Povo, tentei responder para estes funcionários que não esperem o 13°, se o governo do Estado puder, talvez até o dia 31 de dezembro cumpra o calendário de pagamento do ano. Décimo terceiro talvez seja mais uma daquelas operações com o banco do Estado, em que você pega o dinheiro e o Estado paga depois a conta.

     

    Alguns otimistas me dizem que em 2017 a coisa vai melhorar, só vai melhorar se nós cortarmos algumas vantagens financeiras, que se agregaram historicamente nos meus salários e que eu não quero abrir mão. Porque, afinal de contas, são direitos adquiridos, o governador se quiser que resolva. Na campanha ele prometeu que a coisa ia melhorar, então se prometeu que cumpra, porque os meus direitos adquiridos ninguém vai me tirar.  

  • Quinta-Feira, 20/10/2016

    Ser grande até na hora em que errar

    Durante essa semana, ouvi um palestrante de tantos que vejo, ouço e até leio, acompanhei um grande debate sobre o recall. Quando acontece de uma televisão que não funciona, a gente reclama na loja e a fábrica manda buscar.

     

    Recentemente, uma grande fabricante de telefones móveis ou smartphones de última geração, da geração 7, foi recolhido do mercado, porque estava causando sérios danos as pessoas que adquiriram.Um imóvel que a gente compra e logo ali já começa a dar problemas, o dono da construção vai e refaz, resolve o problema.

     

    Conversando com os colegas aqui da Uirapuru, nós que lidamos com a notícia, muitas vezes, quando perdemos o fato a gente diz “comemos de barriga” ou “dormimos no ponto”, e é assim na mídia em geral. A barriga dessa semana, foi a notícia de que uma candidata a vereadora tinha destinado a um partido politico 75 milhões de reais, quando na verdade a soma real era de 750 reais, um erro de digitação do Tribunal Eleitoral na hora de registrar a declaração da candidata, que não foi eleita, enganaram-se os digitadores colocando dígitos a mais.

     

    A grande mídia ontem e hoje ocupou espaço para se desculpar, confessar o erro, e isto também é um recall da notícia. Que bom que a democracia é assim. Hoje falamos um fato sem, muitas vezes, buscar a fonte e a realidade, mas amanhã temos a grandeza de reconhecer o nosso erro, isto é liberdade de imprensa. Até na hora de eu errar, mostrar para população que nos vê, ouve e lê que somos seres humanos iguais a eles, podemos errar, podemos acertar, o que não podemos é manter o erro como se fosse verdadeiro.

     

    A verdade só eu sei, ninguém sabe mais do que eu. Que é isso? Será que eu não sou formado de carne e de osso, com sangue correndo nas veias, neurônios para pensar, imaginar e sonhar, que ser humano seria eu, se me julgasse acima de qualquer suspeita e bater no peito "eu não erro, eu sou perfeito". Cuidado, nem tudo é assim.

     

    "Errar é humano, mas persistir no erro é uma tragédia", uma frase antiga, mas que vale ainda hoje, ainda mais que a informação anda muito rápida. Mesmo quando escondo a informação verdadeira, em vez de eu ser um homem alinhado com a comunidade, posso me tornar um traidor desta comunidade.  

  • Quarta-Feira, 19/10/2016

    Brasil continental

    Não é só na extensão geográfica, mas na ação da natureza, enquanto alguns estados do norte e nordeste padecem a falta de chuva, sofrem com a seca, que até chega a tirar a esperança daquele povo, nós aqui debaixo d'água, cidades, campos, lavouras com um volume de chuva pra lá da expectativa.

     

    Nós sabíamos que a previsão de chuva para o mês era de 150 mm, mas já choveu mais de 249 mm. Para onde vai essa água? O pior de tudo, é que quando ela passa destrói tudo pela frente, casas invadidas, automóveis arrastados, pontes destruídas. Que natureza é essa? As pessoas perguntavam umas para as outras.

     

    Até quando vai essa chuva? Quando eu sai na rua tive que responder essa pergunta umas dez vezes, e fiquei pensando, como é que pode, há 15 dias o agricultor reclamando pela falta da chuva e nós agora, desde segunda-feira, reclamando pelo excesso de chuva. Mas não esqueçam, a natureza sabe o que faz. Os alagamentos urbanos são causados por entupimentos de bueiros, de bocas de lobo, alguns rios e riachos assoreados pelo descuido humano, quando a água vem ela quer o seu lugar de novo, ela quer correr livremente.

     

    Mas como vamos exigir que o Rio Santo Antônio aguente toda essa água? Ele que corta parte da nossa cidade até desaguar no nosso rio Passo Fundo, perdeu a sua vazão, perdeu o seu leito. O ouvinte nos dizia “Venham aqui com a reportagem para ver que dentro do rio estão pneus, sofás, geladeiras velhas”, e outras sujeiras que o ser humano joga lá para dentro, como se o rio fosse um depositário do nosso lixo.

     

    Fico pensando que o rio é como os vasos sanguíneos do nosso corpo, vamos jogando tudo o que é sujeira para dentro do nosso corpo, entupindo nossos pequenos vasos e as principais artérias, e aí com o decorrer do tempo vem as doenças. A terra não é diferente, rios são vasos onde escorre água, primeiramente em pequenos riachos, pequenos grotões e depois vão se acumular em grande rios.

     

    Hoje, onde a água corria livre existe a minha casa, ou uma obra grande do poder público, estreitando a margem do rio. Mas não esqueça, a força da natureza está presente e o rio diz: “quero o meu leito de novo”. Não é ele que está invadindo a minha casa, mas sim eu que invadi onde ele passava livremente. Por isso as enchentes, famílias inteiras tendo que sair as pressas, na maioria das vezes só com a roupa do corpo, tentando salvar as suas vidas, a de seus filhos e amigos.

     

    E a natureza quem a salvará? Teremos que ficar atentos, tudo o que foi dela um dia ela vai querer de volta.

  • Terça-Feira, 18/10/2016

    Aos doutores

    Hoje é Dia do Médico, esta classe que há séculos cuida da saúde da gente, pena que, muitas vezes, eu não me cuido. Eu sempre levei uma vida desregrada, dormindo tarde, passando frio, chuvas, bebendo, fumando, alimentando-me muito mal e de uns anos pra cá, já que a velhice não vem sozinha, os males da saúde começam a me acompanhar. Reumatismos, diabetes, uma veia do coração entupida, começo a me queixar. Quando chego na frente do médico: “Doutor, por favor, me cure!”. Mas ele é médico, ele não é um milagreiro.

     

    Para homenagear estes heróis, e são heróis sim. Primeiramente, enfrentam anos de faculdade, depois especialização, disto ou daquilo, só para me orientar, para cuidar um pouco da minha saúde, mas eu, soberbamente não digo, mas penso “Esse médico não sabe nada, quem sabe de mim sou eu”. Quantas madrugadas de sono perdido, estudando, pensando, concluindo teses para o doutorado, e alguém pensa sempre que esta é uma classe só de privilégios.

     

    Vá viver 24 horas a vida de um médico, muitas vezes, tem que sair na madrugada para tentar salvar um paciente, e quando não consegue ele se sente derrotado, porque sabe que de um lado tem uma vida que ele não salvou, e no mesmo lado tem uma família inteira que chora a falta do ente querido. Quantas vezes ele teve que abandonar sua própria família numa noite de Natal, ou numa noite de ano novo, o aniversário da esposa, do filho, da mãe, do pai, e é assim a vida do médico.

     

    Fico imaginando, como era ainda pior em tempos idos e vividos por médicos que nem Luiz Fragomeni, morando no interior, saindo da sua São Gabriel indo para Sarandi com seus filhos, com sua esposa, jovem, cheio de sonhos. As dificuldades que enfrentou pela falta de um medicamento, muitas vezes, de um aparelho moderno como temos hoje. E um Paulo Fragomeni que atendia também esta gente da minha cidade e daquele tempo ainda a população do interior. Sair no meio da noite, enfrentando o frio, ter que ir atender uma pessoa doente em Sertão, em Coxilha, interior de Tapejara, Mato Castelhano, Ernestina, Pontão. E hoje é o dia deles!

     

    Eu gostaria de estar na minha cidade e homenagear o Dr. Cobeli ou o Dr. Fileto, que ajudaram a minha mãe a me salvar quando nasci, graças a eles estou aqui. E os médicos de agora, que apesar de todos os recursos, da tecnologia, ainda passam por dificuldades. Um Sistema Único de Saúde que não lhes favorecem. Muitas vezes eu mal informado, olho e digo: “Ele é médico, ele é rico”. Como se ele não tivesse o direito de ter um carro melhor que o meu, uma casa melhor que a minha, porque muitas vezes, no meu egoísmo, eu queria que todas as pessoas fossem igual a mim.

     

    Achatamento das classes sociais, como vou exigir de alguém que estudou, gastou, investiu, viva com uma merreca de salário. Querer que o médico seja igual a mim é muita covardia, esta classe merece o nosso respeito. Que todos os médicos, de todas as especialidades sejam felizes! Você já perguntou para um médico quantas vezes ele já chorou? Salvou o meu pai e a minha mãe, mas não conseguiu salvar o seu próprio filho, sua mãe, seu pai ou um irmão querido.

     

    O médico tem que estar todo dia com um sorriso no rosto, o espírito desarmado para receber as minhas queixas. O médico que é clínico geral tem que ser especialista em psiquiatria, tem que ser conselheiro, e se o médico for mais velho que eu, quero que seja igual ao meu pai, tem que entender todas as minhas dores, não só as físicas, mas as dores da alma.

     

    Que bom contar com vocês, eu sou bem feliz com os médicos que cuidam de mim. Cada vez que me encontram, eles me xingam e dizem: “Te cuida JG, porque nós precisamos de ti”.  

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