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JG

  • Sexta-Feira, 03/03/2017

    A máquina do desenvolvimento estará à mostra

    A Expodireto que começa na segunda-feira em Não-Me-Toque, começou aqui em Passo Fundo, idealizada pelo saudoso Giba e sua revista do Plantio Direto. Não encontrou ressonância e nem apoio das principais instituições que lidam até hoje com o agronegócio.

     

    Embora Passo Fundo seja sede do maior centro de pesquisa da agricultura do interior do Estado, a nossa Embrapa Trigo, tem uma empresa como a Emater, atendendo toda região Norte, nossa Universidade de Passo Fundo e empresas de máquinas agrícolas de nome e renome nacional e internacional.

     

    Ninguém ligou, nem mesmo a Prefeitura. Giba levou para Carazinho, tímido, mas continuou. Eis que então, surge Nei Mânica e sua Cotrijal de Não-Me-Toque, criou esta que é uma das maiores feiras do agronegócio da América Latina. Lá estarão expostos todo o desenvolvimento da indústria, do comércio de máquinas agrícolas de última geração, com alta tecnologia e rendimento insuperável.

     

    Lembro-me que, naquele início, se falava que quase metade da produção agrícola se perdia na lavoura até o porto de Rio Grande ou Paranaguá, 30% ficava perdido dentro da lavoura. Colheitadeiras obsoletas, plantadeiras que não tinham um bom desempenho e tantas outras ferramentas que não correspondiam a realidade, o mundo consumindo cada vez mais alimentos e nós perdendo dentro da nossa cerca.

     

    De lá pra cá toda a tecnologia do maquinário agrícola, como armazenar, como transportar, tudo foi ganho, mas o maior ganho foi na pesquisa de grãos. A genética cada vez mais modificada para melhor, produzir mais e em menor espaço, é isto que se pensa.

     

    O plantio direto, por si só, já foi um ganho para humanidade, não se precisa mais tantos adubos, tantos inseticidas para se proteger a lavoura, ela está quase nascendo naturalmente, menos veneno, mais produtividade.

     

    Falava hoje, no Repórter do Povo, com seu Enio Schroeder sobre esta questão. O homem do campo está aproveitando a cada Expodireto que acontece as inovações que estão chegando lá no campo? Ele está conseguindo melhorar a produtividade? Esta tecnologia e modernidade, que vamos ver a partir de segunda-feira no parque da Expodireto, têm feito bem para o homem que trabalha a terra no dia a dia, de sol a sol, esperando sempre que o clima colabore? Este homem está levando vantagens também na hora de produzir, de transportar e de vender? Creio que sim, porque se assim não fosse de nada serviria uma exposição de tal tamanho e também de repercussão mundial.  

  • Quarta-Feira, 01/03/2017

    Gostei da piada

    Hoje no programa Fora do Ar, um de seus integrantes, compadre Lagoa, saiu com essa “Fila de hospitais lotados, tudo normal. Postos de saúde superlotados, fila na espera para exames médicos também lotados, tudo normal”. Ninguém grita, ninguém fala, a não ser o povo que se queixa através do rádio ou da mídia televisiva.

     

    Não vejo e não ouço nenhum líder político, seja ele municipal, estadual ou federal gritar por este povo. Agora um presídio cheio de pessoas que causaram desaborres para sociedade, aí sim, vamos fazer uma audiência pública, uma visita ao Presídio Central em Porto Alegre, uma visita ao presídio de Passo Fundo para ver em que condições estão os apenados.

     

    Temos nos poderes legislativos bancadas para todos os segmentos da sociedade, não que esses segmentos não tenham o seu valor, é a bancada dos médicos, da agricultura, da indústria, do funcionalismo público em geral, a bancada da bala, que defende a pena de morte, e a bancada do povo brasileiro, que está a Deus dará, sem segurança, sem educação de qualidade e sem atendimento a saúde.

     

    Os aposentados e pensionistas, volte e meia, veem um dos representantes do senhor presidente e o próprio presidente dizer que a previdência é o desastre no Brasil, se não houver reforma da previdência o Brasil vai quebrar, e vai quebrar mesmo, porque tudo o que entra nos cofres da União vem dos impostos e, principalmente, a maior capitalização do governo é o contribuinte da previdência social.

     

    São 36 deputados da comissão especial que estuda a reforma da previdência, 18 são contra discutir a matéria. E o povo brasileiro como é que fica? Só se protege o que está debaixo das asas dos governos, mas aquele que trabalhou a vida inteira não tem quem defenda.

     

    Querem agora uma CPI para estudar a previdência social. Pessoas do Congresso Nacional que se elegeram com a bandeira de derrubar o fator previdenciário quando era governos do seu partido, se quer pleitearam ao presidente ou a presidente da hora a reforma. Ouvi dizer que um daqueles lá batia na mesa do plenário para aparecer na mídia, mas quando ficava frente a frente com o ministro da pasta ou com o seu presidente dizia “Deixa eu fazer o meu cartaz, eu bato lá, mas, na verdade, o que o senhor fizer eu apóio”.

     

    Engraçado, logo ali, teremos mais uma campanha para presidente da república, para governador do Estado, para Câmara dos Deputados, Senado e também para deputado estadual, será que eles irão vir com a mesma cantilena e o bobo aqui cai na fria e na mentira? Terminou o Carnaval, parece que o ano iniciou para eles, porque para o povo brasileiro, que produz a riqueza desse país nem Carnaval era. Carnaval é o que eles fazem com os impostos arrecadados e o que acontecer daqui para frente será uma grande piada.  

  • Quinta-Feira, 23/02/2017

    Um feriadão que custa muito dinheiro

    É incrível um país em que todos os seus governantes declaram para o povo que a economia está em decréscimo, a produção está caindo, a geração de empregos diminuiu, o número de desempregados chegou a tanto, mas, ao mesmo tempo, anunciávamos hoje de manhã no Repórter do Povo que a maioria dos serviços públicos estarão parados até quarta-feira, depois do meio dia. Os bancos fecham amanhã e só abrem na Quarta-feira de Cinzas.

     

    Eu não me lembro bem, mas anos atrás a Confederação Nacional da Indústria declarou que em um feriado, o Brasil deixa de faturar em média 250 milhões de dólares, porque tudo para. A indústria tem que desligar a sua máquina e ligar na Quarta-feira de Cinzas, até aquecer os fornos, as caldeiras para movimentar essa máquina vai no mínimo mais um dia.

     

    E é isso que se pergunta: “Até quando nós vamos viver na farra, negar o prato de comida porque o país está em crise, um transporte coletivo de qualidade porque o país está em crise?”. É tudo assim, como recuperar se tudo é Carnaval?

     

    Os principais pontos do Carnaval brasileiro estão desde o início do ano sambando e marchando, mas quem na realidade marcha é o povo, é o empresário, é o trabalhador que perdem dinheiro.

     

    Engraçado, tenho acompanhado os noticiários nestes últimos dias, aquela ânsia dos principais telejornais do Brasil falarem em crise parece que se deixou de lado. Os grandes apresentadores das notícias brasileiras, os críticos, os cronistas ou estão dispensados ou estão convocados pelas suas redes para cobrir o Carnaval.

     

    Até nem sei, como é que hoje pela manhã “manchetiaram” mais uma ação da Lava Jato, mais envolvidos no desvio do dinheiro público estavam sendo cassados. Porque senão é só Pierrô e Colombina, marchinhas, blocos e samba enredo. Mas quem na verdade esta enredado é povo, que se amortece na farra e não é capaz de cobrar seriedade dos homens públicos desse país.  

  • Quarta-Feira, 22/02/2017

    Dória, será o cara?

    As notícias e as imagens que vêm da capital paulista são de que alguns setores da sociedade paulistana estão dando glórias ao Dória, prefeito daquela cidade. Ele tem aparecido em lugares, que se fossemos para o coloquial, não seria obrigação de um prefeito. Uma autoridade não deveria estar varrendo rua, andando de ônibus, mas ele está.

     

    Ele conversa com o seu povo e o homem público precisa disso, é lá que ele vai saber qual a dificuldade do trabalhador que levanta cedo, vai para parada de ônibus, embarca no ônibus, pergunta como está sendo tratado pelo cobrador, pelo motorista, pela empresa, que sendo pública ou privada oferece serviços pagos pela população. Ele deixa de ser passageiro e passa a ser um cliente da Prefeitura e da empresa prestadora.

     

    E ele já deu a palavra “O fiscal que não cumprir com a sua missão estará fora do trabalho, será demitido”. Os guardas de trânsito de São Paulo não podem mais ficar escondidos com o radar para multar os motoristas, eles têm que ficar bem a vista, isto é que eu chamo de educação.

     

    As ruas da cidade estão sendo varridas, a cidade está limpa, ninguém pode trabalhar no meio do lixo. As pessoas ficam elogiando, outros questionando ou criticando. Populismo barato, será que chega a tanto? Um homem que vem da iniciativa privada, fez nome como grande apresentador do show business, falou sempre de empresas e empresários que pelo seu profissionalismo deram e dão certo. Foi assim que conheci Dória e agora prefeito.

     

    Será que, de repente, este Dória está levando para administração pública a seriedade de uma empresa que quer atender bem o seu cliente? Tomara, estou torcendo, porque o homem público é como um artista, ele tem que estar onde o povo está. Essa frase não é minha, mas já se tornou uma consciência coletiva.

     

    Não podemos mais aceitar que um homem que tenha a obrigação e para isso foi eleito, para ser o gerenciador da minha cidade, fique encerrado em seus gabinetes e aceitando explicações de seu secretariado.

     

    Lembro-me de Jair Soares quando ministro da Previdência viajava o Brasil inteiro, levantava cedo e ia para fila do Instituto, inspecionava obras feitas com o dinheiro do trabalhador. Uma vez virou chacota quando disse que “de clip em clip mudaria a administração do Estado”. Chamaram-no de louco, o que é um clip no chão? Mas de clip em clip o Estado chegou a miséria em que está.

     

    Outra história nossa, seu Ivo Ferrão, ex-vereador desta cidade por vários mandatos, aposentando da iniciativa privada, andava de ônibus. Poderia muito bem usar um de seus familiares para ser seu motorista e andar de carro, mas não, todo dia ia do bairro São Cristóvão até a Câmara conversando com seus eleitores. E lhes garanto que os seus eleitores ficavam contentes com a presença deste nobre vereador.

     

    Isto não é populismo e nem se mostrar. Quando o homem público desce do pedestal e se iguala ao povo que o elegeu, ele está devolvendo o orgulho de quem tem que levantar todo dia cedo, esperar o ônibus numa parada que não tem abrigo, um ônibus abandonado, destroçado, passar com o transporte coletivo por ruas que só deveriam passar carretas e cavalos.

     

    Mesmo assim, este povo sendo judiado, mal tratado todo dia, se um homem público que ele votou para legislar, ou para executar obras no município melhorar a minha cidade, usar slogans bonitos como este da administração “Cuidar da cidade é cuidar da gente”, nos enche de vontade de continuar trabalhando e contribuindo para uma cidade melhor.

     

    Se o Dória é o cara eu não sei, mas os paulistanos estão readquirindo o orgulho de serem chamados de “a locomotiva do Brasil'.  

  • Terça-Feira, 21/02/2017

    Não é má vontade

    Muitas vezes no programa Repórter do Povo, ou num espaço de opinião em que a direção da rádio manda-me posicionar num comentário esporádico, geralmente tenho criticado os governos. Não os governos, mas a falta de ação dos governantes, parece que nós pegamos uma mania de só se queixar.

     

    Eu me queixo da falta de educação, de saúde, segurança, estradas boas para o escoamento da safra, da produção e das riquezas deste país, mas ultimamente estou muito preocupado com a segurança pública. Os partidários do atual governo do Estado pensam que sou da oposição e quando falo da oposição, eles pensam que sou governista, mas só um detalhezinho importante: o setor da segurança pública está pelas caronas, é o caos instalado no Rio Grande.

     

    Esse final de semana que passou foram 40 homicídios, pessoas que perderam a vida e o secretário de Segurança Pública, Cesar Schirmer chega na imprensa e dá uma declaração terrível: “quem está se matando são os bandidos, os traficantes, eles estão se matando entre eles”. Mas, e a rainha de bateria que foi morta ao esperar a filha? E aquela médica que foi morta ao parar no sinal? E o cidadão que estava no estacionamento do mercado foi metralhado, sem dever nada. Ontem à tarde, um coronel da reserva do Exército Nacional morto, nem reagiu.

     

    Então, o secretário de Segurança deveria medir o que vai falar. Para completar a pérola, ao entregar o Centro de Triagem ontem, ele vem com aquela cara dizendo "que não era um hotel cinco estrelas, que o Estado não pode construir presídios cinco estrelas". Mas não é isso que a população quer, nós queremos uma cadeia que recupere as pessoas, que eles saiam de lá melhores do que entraram, mas não é isso que se vê.

     

    Seres humanos jogados num presídio que, muitas vezes, nem saneamento básico tem, o esgoto corre a céu aberto, os ratos, as baratas dormem juntos com os detentos, que pelo excesso de gente estão dormindo no próprio chão das cadeias. Como eu, ser humano que sou, vou ficar contente, não vou falar nessas mazelas que vivem a nação brasileira e, principalmente, o estado do Rio Grande do Sul?

     

    Como perdemos o nosso orgulho de ser gaúcho? Éramos os melhores em educação, éramos os melhores em produção, alimentávamos o Brasil, parece que de repente esmorecemos. Os governantes dos últimos 40 ou 50 anos do Rio Grande do Sul foram delapidando o nosso orgulho, a nossa vaidade, parece que fizeram de tudo para acabar com o Estado, só pensaram nos seus partidos, nos seus companheiros e não pensaram que estavam deixando uma herança muito pobre para quem viesse depois.

     

    E eu, vou ficar quieto, sem gritar, sem dar minha opinião a favor ou contra? Que tipo de comunicador serei? Já dizia o jornalista Dias Gomes, que o jornalista ou o homem de opinião que não quisesse se incomodar fosse pra casa, colocasse um pijama e umas pantufas, que lá ele não ia se incomodar. Ainda não chegou a minha hora, da pantufa e do comodismo. Mas desculpe senhores, não é má vontade, é inconformismo mesmo.  

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