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JG

  • Segunda-Feira, 12/12/2016

    Pode ser legal, mas é imoral

    Essas denúncias que estão na mídia contra importantes políticos brasileiros. A lista de hoje aponta 51 políticos de 11 partidos, mas as más-línguas anunciam que virão mais, porque são 72 executivos da Odebrecht a fazerem a delação premiada. Dizem ainda, que mais de 200 do Congresso e do Senado estão envolvidos com a cobrança de propina, se fosse em outra época seria normal o anormal.

     

    A contribuição para campanhas políticas sempre existiu, a diferença é que agora o dinheiro que seria para partidos foi parar em contas nada a ver. É 22 milhões para um, 22 milhões para outro, até agora de manhã foram apurados que 72 milhões de reais foram parar nas contas destes políticos. Por isso que digo, poderia ser legal, mas agora tornou-se imoral o normal, o legal virou anormal.

     

    Hoje pela manhã, no programa Repórter do Povo, o Dr. Dárcio Vieira Marques disse que a divulgação tornou todos eles “foras da lei”. O procurador-geral da república, Rodrigo Janot declarou que vai investigar o vazamento destas informações para mídia, que não se pode colocar todo mundo dentro de um saco, sacudir e misturar, deu para entender, né?

     

    Hoje pela manhã ainda, conversando com a produção do nosso programa e também com o inspirador deste blog, discutimos como se davam as negociações. De um lado os achacadores partidários, dizendo que a emenda constitucional, que estava no Congresso, só iria para frente diante pagamento, ou melhor, mediante “uma ajudinha para minha campanha”.

     

    De outro lado os pagadores das campanhas batiam na mesa, “trancou lá aquela emenda no seio do seu partido, da sua bancada? Se aquilo lá não se mexer, não vou te pagar este mês 2 milhões”. E o projeto tinha que durar no máximo 4 meses, a cada etapa 500 mil reais.

     

    Mas, o pior de tudo, é que os achacados passaram a ser ditadores “Eu é que vou dizer como tem que tramitar essas emendas”. Vejam só como acontecem as negociatas, quando Lula era deputado federal e disse que o Congresso Nacional, daquela época, era composto por 300 picaretas, quase o crucificaram no parlamento.

     

    Aqui no Estado, Gilberto Capoani, anos atrás, declarou que a Assembleia Legislativa era um balcão de negócios e, também, quase foi crucificado. Recentemente, no caso Basegio, um deputado declarou na sexta-feira que era normal desviar dinheiro da Assembleia, no sábado e domingo ele sofreu uma pressão de seus companheiros na Assembleia e segunda-feira declarou na imprensa gaúcha que não era bem aquilo que ele queria dizer.

     

    É assim que se comportam os homens, que deveriam zelar pelos bens da nação, salvaguardar a saúde, a educação, a infraestrutura deste país, são os primeiros a avançarem escondidos em siglas, mas que se não tivessem siglas seriam chamados de ladrões.

     

    Podem me dizer: o normal é anormal, o legal dentro da lei tornou-se ilegal, só assim eu posso compreender que está na lei, mas não é da lei. O que a lei manda, o próprio legislador não repeita.  

  • Sexta-Feira, 09/12/2016

    Não sei o que dizer

    Na semana retrasada, escrevemos neste blog que o presidente Temer tinha chegado a conclusão de que as instituições brasileiras estavam falidas e, com isso, o Brasil não adquire credibilidade internacional. Se falarmos com advogados sobre a Constituição, eles dizem que o Brasil vive uma insegurança jurídica, não temos segurança para causar o desenvolvimento na iniciativa privada. Conversamos com empresários arrojados, que tentam crescer a sua indústria, o seu comércio, os serviços que são oferecidos à comunidade, mas não sabem o que vai acontece logo ali.

     

    Agora uma classe está vivendo momentos de insegurança, a classe médica não quer atender pelo Instituto de Previdência do Estado, porque faz cinco anos que o IPE não reajusta seus honorários. Hoje pela manhã, ouvi o desabafo de uma professora que trabalhou a vida inteira pelo Estado: “Estamos muito preocupados, ganhamos pouco, o IPE era a única segurança que nós tínhamos e até isso esse governador quer nos tirar”.

     

    Se conversar com o pedreiro ele também está preocupado, porque o momento de ouro da construção civil no Brasil já passou. Nós tínhamos aqui em Passo Fundo, há bem pouco tempo, cerca de 80 a 90 novos empreendimentos saindo do chão, edifícios modernos para morarmos e com salas para trabalharmos. Este empresário audacioso ainda está teimando, mas com muita dificuldade.

     

    Juro para os senhores que esta semana para mim, como comunicador, foi difícil, procurava palavras para vender otimismo e não achava. Essa briga do Legislativo com o Judiciário parece que castrou os meus neurônios, quase que eles pararam de funcionar. Onde um cidadão que responde na Justiça 12 processos e já é réu em um, ainda é presidente do Senado? Nós só nos preocupamos porque ele está na linha de sucessão a presidência da república. Mas, lhes garanto que em qualquer outro parlamento mundial, de qualquer nação, este cidadão já teria sido cassado, defenestrado do meio político.

     

    Infelizmente no Brasil é assim, todos somos iguais perante a lei, não interessa o tamanho do rombo, não interessa quanto eu tenha roubado, de um real a bilhões de reais, a mácula perante a lei é a mesma, mas o nosso Judiciário nos decepcionou. Hoje além de não acreditarmos mais em políticos, estamos perdendo a crença na última barreira que o povo brasileiro tinha como defesa.

     

    Depois dessa do Judiciário, nada mais esperamos. Já pensou se, de repente, um maluco resolve fazer justiça pelas suas próprias mãos, ele vai preso ou será morto em praça pública? Todos os dias têm uma manchete de fraude na aposentadoria, no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, no Fundo de Amparo ao Trabalhador, no Ministério da Saúde, do Trabalho.

     

    Já sabíamos a maracutaia no financiamento da educação do MEC, conhecíamos funcionários fantasmas, políticos fantasmas, mas agora temos estudantes fantasmas, era só o que me faltava. 2.016 Depois de Cristo e até agora o Senado nada fez.  

  • Terça-Feira, 06/12/2016

    Não tenho vontade de rir

    A minha risada ultimamente tem sido meio forçada, porque os acontecimentos no Brasil não deixam alegre nenhum cidadão que tenha um pouquinho de brasilidade. A nova república nos devolveu a democracia, mas democracia sem pão na mesa não tem graça. Embora algumas pessoas mais ufanistas ficam sempre elogiando a democracia, eu lhes pergunto se esta democracia, em que os poderes se adonaram das riquezas do país, só para eles, é que serve os lucros que a nação tem.

     

    O pior de tudo é que na hora de falarem em previdência social a pregação é a mesma, entra governo e sai governo, entra partido e sai partido, o aposentando, o trabalhador, o pensionista estão sempre devendo para eles. Nos jogam na cara que o prejuízo deste ano na previdência é de 186 bilhões de reais, este é o desfalque. Falam como se o aposentado da iniciativa privada, o aposentado do serviço público estadual, federal e municipal fossem os culpados deste desfalque e querem que este povo pague a conta.

     

    Se nós fossemos trabalhadores a descontar e depender da previdência, eu até concordo com o rombo, mas não esqueçam que nós pagamos previdência em tudo o que compramos, na conta da luz o consumidor já tem que pagar a taxa da previdência, ao comprar combustível, além do preço caríssimo, o imposto já vem embutido, o telefone também. Só nesses itens, os entendidos em previdência dizem que o governo arrecada 70 bilhões de reais por ano, só que este dinheiro vai para outro caixa do tesouro e não para o caixa da previdência.

     

    Ouvindo a Rádio Uirapuru ontem, o Dr. Eduardo Brol Sitta, especialista em previdência, destacou que se o governo brasileiro fosse atrás dos grandes devedores da previdência, não precisaria haver a tal reforma que ele quer. Lembrei principalmente dos clubes de futebol, eu sou torcedor quase que fanático, mas quando se fala em falcatrua para lesar a pátria, eu fico P da vida. É só fazer uma relação de dinheiro que não entrou no caixa da previdência, mas foi parar nas mãos de dirigentes inescrupulosos, que ficaram ricos dando golpe no dinheiro público.

     

    Agora, vamos voltar para o Estado. Os médicos que atendiam para o IPE, o nosso Instituto de Previdência do Estado estão se negando a atender o funcionalismo estadual, porque o governo não está repassando o que é descontado do funcionalismo para o IPE. Portando, o IPE também está falido e não tem dinheiro para pagar os profissionais conveniados.

     

    Eu acho engraçado que se uma pequena empresa igual à minha deixar de pagar os seus impostos, de um dia para o outro bate a fiscalização federal, estadual e municipal, de preferência com a Polícia Federal, Brigada Militar, com os fiscais da prefeitura de 12 na mão para prender o meu patrão, como se ele fosse um grande bandido. Mas, prender os grandes e tomar o que eles levaram da minha contribuição não aparece ninguém.

     

    Quando eu bato na farmácia do povo ou está fechada ou não tem remédio, quando chego num posto de saúde com uma criança para consultar não tem pediatra. Mas é de lamentar que eu não posso ir a Brasília com uma dupla de brigadianos e prender o presidente, ir a Porto Alegre e prender o governador ou ir na prefeitura e prender o prefeito, porque eles não estão cumprindo com a lei, deixando o povo a mercê da doença, do analfabetismo, da insegurança.

     

    Tudo o que eles deveriam fazer, não fazem. Se a lei é para todos, porque também eles não têm obrigação de cumpri-la? E mais, convocam a imprensa para dizer que a coisa está falida. Como não estar, se é administrada com muito relaxamento, é como se eles batessem no peito e dissessem-nos “não temos obrigação de prestar contas”.  

  • Sexta-Feira, 02/12/2016

    Antes éramos o espelho

    Para começar, falo em desenvolvimento, não é porque neste momento a comunidade de Chapecó está sendo o centro da atenção da mídia mundial, nem pelo seu momento de luto e tristeza, mas quero dar aqui o meu testemunho. Cidadãos passo-fundenses que saíram daqui para tocar a sua vida em Chapecó e, de repente, uma cidade com 210 mil habitantes torna-se uma das mais pujantes do estado de Santa Catarina.

     

    Grandes lideranças políticas saíram de Chapecó. Chapecoenses vinham aqui estudar e tornaram-se grandes profissionais, em todas as áreas. Num primeiro momento na agricultura, agrônomos, veterinários, estudaram na nossa UPF. Muitos médicos, professores, arquitetos, engenheiros, todos eles vinham para cá estudar e espelhar-se na nossa pujança.

     

    Os tempos foram passando, a cidade lá foi crescendo, de um jeito organizado, com pessoas que vieram aqui espelhar-se e tomar decisões em todos os setores daquela comunidade. Cada vez que passo por lá, vejo as ruas limpas, sinalizadas, um sistema viário de dar inveja. Se chegar em Chapecó quando clareia o dia e rodar por aquelas avenidas, você vai ver que tudo flui, os caminhões pesados não precisam andar no centro, passam em torno da cidade, sem atrapalhar o tráfego.

     

    Conversando com amigos, hoje pela manhã, me deram a informação de que a educação em Chapecó é de dar inveja, a qualquer sistema educacional aqui do Rio Grande do Sul. Perguntei: “Mas lá os alunos não fazem ocupações? Os professores não fazem greve?”. E um amigo me disse: “Talvez os estaduais vez ou outra protestam, pedem melhorias de salários e de condições na educação, mas os professores municipais esses não”. Esses tem uma escola de boa qualidade, material de boa qualidade, parece que eles tem o que não temos aqui também, alunos de boa qualidade, que saem de casa para estudar e não para matar tempo.

     

    Aí fiquei imaginando, ou viajando, como eu digo, as ruas não têm buraco, as lâmpadas da iluminação pública acendem todo dia. E agora me lembrei, o nosso sistema de contêineres para o lixo foi copiado de Chapecó. Mas agora, eles viraram os nossos espelhos. Pena que devido o orgulho dos administradores, lideranças e políticos daqui, eles não se espelham, ou melhor, não vão lá aprender com os prefeitos e lideranças que passaram por lá. De que jeito uma cidade que a questão de 30 ou 40 anos vinha aqui copiar tudo e em pouco tempo nos ultrapassou em tudo?

     

     

    Dizem até que em Chapecó não tem fila para consultas, para pegar remédio, de que as coisas lá andam. O administrador, o médico, o farmacêutico se formaram aqui e quem sabe quantos prefeitos estudaram aqui para tornar aquela cidade um desenvolvimento só. É só comparar a Chapecoense e os nossos clubes de futebol. Um Esporte Clube Gaúcho, que já foi exemplo de grandeza, um 14 de Julho, que dava aula de organização.

     

    Agora este time sofre com o luto e a tristeza de perder o time inteiro e seus diretores. Um time que terá que recomeçar tudo, tudo mesmo. Mas, tenho certeza de quando essa mágoa, a verdadeira nuvem negra que cobre o pensamento e a luminosidade dos chapecoenses passar este povo vai dar de novo ao mundo uma aula de perseverança. Ainda vamos ver essa gente, que antes aprendia conosco, quem sabe a nos ensinar, principalmente uma coisa que nós não temos: a humildade, que às vezes falta para nós.

     

    O que custaria os administradores da nossa cidade darem uma volta em Chapecó e voltarem cheios de esperança, para fazer uma cidade sem falta de luz nas ruas, sem buracos nas avenidas, sem a falta de remédio e de médicos nos postos de saúde. Será que teremos a graça de reconhecer que o espelho mudou de lado?  

  • Quarta-Feira, 30/11/2016

    O baile de bugio continua

    O que está se vendo e ouvindo no Congresso Nacional, num primeiro momento, é um baile de bugio, onde cada um está cuidando o rabo do outro, um tem medo do outro. Quinhentos e treze parlamentares de oposição e de situação estão se olhando pelos ombros, ou tem uns que já andam caminhando dentro do Congresso Nacional com as costas encostadas na parede.

     

    Tudo medo! Um mais rabudo que o outro. Mais uma vez ficou provado na reunião de ontem, quando votaram a PEC anticorrupção, um querendo cuidar só do seu. Olhava para os semblantes daqueles camaradas e pensava que está indo para o Senado esta PEC, que quer por um freio nas ações do Judiciário e do Ministério Público.

     

    Hoje a imprensa já fala de que o primeiro processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros está sendo analisado pelos ministros do Supremo. Isso é um sinal de que em Brasília, o mato dos bugios está em polvorosa, quando o baile terminar vai dar briga, e briga de bugio você já sabe é um jogar “cacaca” no rosto do outro.

     

    Políticos do Brasil nunca foram de provar a sua inocência, mas sim acusar o seu oponente com as mesmas coisas de que são acusados, e é assim que vai terminar essa celeuma toda. O presidente Temer, que tinha tudo há seis meses para dar um rumo a esse país, saiu com a frase ontem, que já se sabe há muito tempo: “As instituições brasileiras não têm sustentabilidade e nem credibilidade”. Disse mais: “Enquanto o Brasil não tiver as suas instituições fortificadas, de nada adianta ele ir ao mundo inteiro tentar atrair investimentos”. Porque os investidores internacionais não acreditam no Brasil. Enquanto isso, a bugiada faz a festa.  

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