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JG

  • Sexta-Feira, 13/01/2017

    As coisas pioram, antes de melhorar

    O Brasil terá, em 2017, a terceira maior população de desempregados entre as maiores economias do mundo. A cada três trabalhadores desempregos no mundo, um será brasileiro. O dado foi divulgado esta semana pela Organização Internacional do trabalho (OIT). O país deve aumentar 1,4 milhão de desempregados no decorrer do ano. No mundo, este número deverá atingir a espantosa cifra de 3,4 milhões, tendo como epicentro da crise o Brasil. De acordo com os dados da OIT, o país é superado apenas pela China e a Índia, em termos de números absolutos.

     

    A recuperação de um processo de crise é sempre lenta e a última engrenagem que começa a se movimentar é o emprego. Não é por nada que o economista da OIT, Steve Tobin, afirma que “as coisas vão piorar no Brasil, antes de voltar a melhorar”. É que, primeiro, o país precisa melhorar seus índices, como o da inflação, juros, etc... Depois, as empresas, especialmente a indústria, precisa retomar a produção. Retomando a produção, a engrenagem começa a se movimentar. Movimentando, temos mais consumo. Consumindo, temos mais demanda e precisamos de mais produção. Para produzir, precisamos de mão-de-obra. A retomada do emprego será, infelizmente, a última engrenagem da retomada do desenvolvimento. A confirmação desta lógica veio com o relatório da OIT, divulgado esta semana. Tudo isso não seria desta forma, não fosse a irresponsabilidade criminosa de corruptos que levaram o país a bancarrota. 

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Quinta-Feira, 12/01/2017

    Juros mais baixos e um alento para a economia

    A informação de que a inflação ficou pouco abaixo da meta em 2016, motivando a redução da taxa anual de juros para 13%, dão um alento neste começo de 2017 e certamente contribuem para um cenário mais positivo. A decisão do Banco Central, anunciada no final da tarde de ontem tomou o mercado de surpresa, mas uma boa surpresa. A reação nesta quinta-feira é de bom humor. Com taxas de juros menores, e a perspectiva do Banco Central é chegar a 10% até final do ano, a economia é estimulada: mais consumo, mais produção, mais empregos. Nesta ordem, porque a retomada do emprego é o último processo de uma economia nos trilhos.

     

    Mas, com juros mais baixos, é sempre bom manter a cautela. Nada de consumir exageradamente. Vamos aprender com a crise. Ela educa no sentido de que podemos administrar nosso dinheiro na ponta do lápis e anotando tudo no caderninho. Não gaste mais do que ganhe e sempre reserve uma parcela do seu salário para poupar. Pesquisa preços e não compre o que você não precisa e não vai usar. A regra da economia doméstica é básica e vale para todos, inclusive para os governos. Quando gastamos mais do que ganhamos, nos endividamos e é justamente aí é que passamos a sofrer. Pra que sofrer se podemos evitar.

     

    A queda na taxa de juros é um alento, sim, especialmente porque o ano começou mais pesado e violento do que os outros. Mas, o caminho para a estabilidade, esse ainda é longo e vai exigir de todos nós muita paciência e organização. Vamos fazer a nossa parte. A mudança começa de dentro para fora. 

  • Terça-Feira, 10/01/2017

    Dois pesos, duas medidas

    O governo federal quer economizar R$ 6 bilhões por ano com a revisão das aposentadorias por invalidez, propõe uma reforma previdenciária das mais rigorosas, mas, vai gastar R$ 8 bilhões até 2019 com bônus para auditores e analistas da Receita Federal e auditores-fiscais do trabalho (aposentados e na ativa). Cerca de 45 mil servidores serão beneficiados com o Bônus que começa a ser pago em fevereiro, mesmo sem antes alcançar metas. Pelo menos 18 mil ainda trabalham e 27 mil se dividem entre aposentados e pensionistas (beneficiários de servidores que já morreram). O objetivo é estimular os funcionários a aumentar a arrecadação do país.

     

    Dois pesos, duas medidas: enquanto o governo aperta o cinto da sociedade, que está pagando uma conta altíssima pela crise, abre as burras para bonificar servidor que está aposentado e que vai ganhar em cima do trabalho de quem está na ativa. Ninguém fala oficialmente a respeito e o assunto quase passa despercebido no centro do poder, Brasília.

     

    A negociação com as categorias beneficiadas foi feita ainda no governo de Dilma Rousseff, mas começa a ser executada a partir de agora, no governo de Michel Temer. O pagamento começa a ser feito mesmo sem a definição das metas e o cumprimento delas. Um belo presente de Natal, mesmo atrasado. 

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Segunda-Feira, 09/01/2017

    Mais presídios?

    "Se os governadores não construírem escolas, em 20 anos faltará dinheiro para construir presídios”. A célebre frase do antropólogo, político e escritor Darcy Ribeiro, dita em 1982, ecoa pelo Brasil depois da barbárie dos presídios nos estados do Amazonas e Roraima, quando 100 detentos morreram, muitos decapitados. Na verdade, já se passaram muito mais do que 20 anos. Exatos 34 anos. Mas há muito mais tempo todos nós sabemos que uma sociedade justa não se faz construindo presídios, mas investindo na educação, cultura e na geração de emprego.

     

     

    A fala de Darcy Ribeiro há 34 anos, soa como pressagio disseminado pelas redes sociais e comprovada por um estudo do Infopen, em 2014. Este estudo, embora possa ter variação de índice, espelha a realidade nua e crua: mais de 53% dos presos tem ensino fundamental incompleto, 67% são negros e 27% estão presos por tráfico de drogas. Resumindo: pobre, de baixa escolaridade, negro e que tem no tráfico a oportunidade de trabalho.

     

    Embora o governo federal venha anunciando milhões de reais para a construção de presídios, a solução do problema não está nas prisões: está na oportunidade de estudar, ter vida digna e trabalhar. E daí, vamos esperar mais 20 anos?

     

    *Zulmara Colussi (interina)

  • Sexta-Feira, 06/01/2017

    A crise na segurança veio com tudo

    O Brasil amanhece com a notícia de outro massacre: Pelo menos 33 presos da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), na zona Rural de Boa Vista (RR), foram mortos na madrugada desta sexta-feira (6). Segundo a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, o tumulto na unidade começou durante a madrugada. As mortes em Roraima ocorrem na mesma semana em que 60 presos foram assassinados em estabelecimentos prisionais do Amazonas e um dia após o governo federal lançar o Plano Nacional de Segurança Pública para tentar reduzir o número de homicídios dolosos e feminicídios; promover o combate integrado à criminalidade transnacional e a racionalização e a modernização do sistema penitenciário.

     

    O presidente da República levou três dias para se manifestar sobre o massacre de Manaus e ainda classificou a tragédia como um acidente. Levou três dias para fazer uma reunião de emergência. Quanto mais tempo o Brasil levará para mudar a lógica do sistema carcerário do país? Quantos mais presos deverão ser mortos para que as ações anunciadas pelo governo federal sejam colocadas em prática?

     

    A culpa do descalabro do sistema prisional do país é coletivo: é dos governos federal e estaduais, é dos políticos que se dizem representantes do povo no Congresso e Assembleias Legislativas e é do Judiciário. No ano passado, as prisões do país contabilizaram 400 mortes por razões variados. Em apenas seis dias de 2017, quase 100 mortes, todas por rebeliões iniciadas por facções criminosas. O presidente da OAB nacional, Cláudio Lamachia disse que o Estado precisa urgentemente assumir o comando das prisões comandadas por estas facções. Ontem, o Procurador-Geral da República em exercício, Nicolao Dino, anunciou a instauração de quatro procedimentos para apurar a responsabilidade dos estados com o sistema carcerário. Entre eles, está o Rio Grande do Sul. Mais do que apurar responsabilidades, é preciso usar o dinheiro do Fundo Previdenciário efetivamente para resolver o problema, que é sério, grave e afeta a toda a sociedade. A crise da segurança pública vem com tudo em 2017.

     

    *Zulmara Colussi (interina)

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