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JG

  • Segunda-Feira, 22/05/2017

    Apoio não é rabo preso

    Mil oitocentos e vinte e nove, este é o número de líderes políticos do Brasil denunciados pelos diretores da JBS. Eles, delatores, não são pessoas inocentes, não deram dinheiro para os políticos brasileiros devido seus belos olhos, mas porque sempre levaram vantagens em qualquer governo. Quando o chefe maior da Odebrecht declarou que a corrupção dos governantes no Brasil é histórica e vem de muitos anos, não dá pra dizer que este ou aquele partido é inocente.

     

    Um dos Batistas disse em alto e bom som, para quem quisesse ouvir “Nós demos dinheiro para este ou aquele para comprar apoio na campanha eleitoral. Demos dinheiro e o presidente da Câmara saiu comprando deputados por aí”. E agora surge na lista a maior figura representativa deste país, Michel Temer.

     

    Vejam só, os senhores, o tamanho da força financeira destes dois grupos que se apoderaram do dinheiro do povo brasileiro. Eles não pensaram duas vezes em assaltar o BNDES, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e outros, e ele, um dos Batistas, disse para o presidente “O senhor tem que dar um jeito nos diretores deste bancos”. Até mesmo sugeriu ao presidente a mudança do Secretário Nacional da Receita Federal, o senhor Rachid. “Ele é ruim de lidar”, disse o empresário - “Até nem sei se vou continuar chamando-o de empresário ou de falcatrua”.

     

    Fico pensando quando esse falcatrua foi pressionar o presidente da república, não era do próprio presidente da república, como maior autoridade do país, dar ordem de prisão a estes ladrões? E quando ele esteve frente a frente, delatando para o judiciário que ele tinha comprado toda essa gente, que tinha recebido através do Banco Nacional de Desenvolvimento toda essa grana, que sua empresa saiu de um pequeno açougue, lá em Goiás, para a maior empresa de proteína animal do mundo, com o suor e sangue do povo brasileiro, não era para o ministro que lhe ouviu também dar-lhe voz de prisão? Omissão, negligência ou irresponsabilidade destes dois poderes citados?

     

    Parece que estou vendo a cena, ele confessando seus crimes e as autoridades mandando ele para casa, e talvez até aconselhando-o a voltar para os Estados Unidos, voltar a levar sua vida de playboy rico às custas da doença, da falta de recursos para educação, da falta de dinheiro para segurança, porque se tem uma bandidagem no poder politico, aqui na rua tem uma bandidagem que massacra e humilha o povo brasileiro.

     

    Temer não é inocente, talvez não sofra o impeachment, porque dizem os analistas que tem todo o apoio na Câmara dos Deputados. Para mim, como homem simples da comunidade brasileira, ele não tem apoio nenhum em qualquer lugar, o que ele tem no Congresso Nacional são mais de 300 rabos presos, por isso que ele pode continuar com a graça dos congressistas.

     

    Mas não porque seja inocente, ele está enlameado nesta sujeira toda, como todos os outros depois da ditadura assumiram a liderança deste país, surfando sobre as ondas da democracia, da liberdade, dos direitos intelectuais, dos direitos individuais. Todos nós temos direito, todos nós somos iguais perante a lei, nós, o povo, mas eles são diferentes, eles falam em milhões como se fossem falar em troco para ir a feira comprar bananas.  

  • Terça-Feira, 02/05/2017

    Meu acetato está mais triste

    Domingo enquanto nós aproveitamos um passeio no parque, chegando em casa recebemos a notícia que o menestrel cearense havia nos deixado, Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, aos 70 anos, resolveu cumprir com o que escreveu, ou melhor não cumpriu, porque na canção ele cantava “O ano passado eu morri, esse ano eu não morro”, mas morreu.

     

    Belchior nos últimos 40 anos se tornou referência da música de protesto contra regimes. Ele cantou como nunca a chateação de viver num regime militar, cantou contra o regime, mas nunca ofendeu pessoas do regime, sempre achava um jeitinho de driblar a censura. Belchior que cantou Apenas Um Rapaz Latino-americano, Tudo Outra Vez, Divina Comédia Humana, ou ainda, o grande clássico Como Nossos Pais e Velha Roupa Colorida, expressou o meu sentimento de adolescente, e alimenta ainda meus sonhos de idoso jovem.

     

    Já falei neste blog da perda de tantos ídolos, um confidente romântico como foi o cantor Wando, um Jerry Adriany que cantou e embalou os meus mais apaixonados sonhos de amor, porque a vida é feita assim, de sentimentos com paixão e outros sem a paixão, mas com a razão.

     

    Belchior viveu uma vida intensa, homem de palco de teatro, cantor de rua, o verdadeiro menestrel, ninguém pode duvidar, mas fico eu a me perguntar por que estava tanto tempo isolado, longe de mim e de seus fãs, escondido? Será que ele estava triste, magoado, decepcionado?

     

    Um homem que foi professor, que estudou filosofia e medicina, quase se transformou em um pregador católico, um padre, porque estudou teologia também. Será que nada disso que ele se esforçou para aprender não foi suficiente para sentir-se um verdadeiro ser humano? Mas aí, a desilusão que ele sentia tirou de nós a sua principal riqueza, que era cantar e compor com sabedoria.

     

    Irei para casa agora, ligarei meu toca disco e ouvirei no acetato a velha canção “não leve flores para o inimigo”, ou quem sabe “o medo do avião que eu também tenho”, ou de repente “numa rua qualquer da cidade um guarda me parar e me pedir os documentos e mais uma vez rir da minha fotografia e do nome da cidade de onde eu vim”.

     

    Tudo isso é realidade, tudo isso é a minha realização como fã do Belchior, mas tenho certeza que se eu não limpar bem o disco e não calibrar a agulha do toca disco, o meu acetato estará bem mais triste.  

  • Sexta-Feira, 28/04/2017

    A favor ou contra?

    Me lembro quando era um adolescente, apenas ouvinte de rádio, ouvia a jornada esportiva e tinha os meus ídolos radiofônicos, como eram meus ídolos eu queira que eles estivessem sempre ao meu lado, tendo sempre a mesma opinião que a minha. Se era um comentário que favorecia o meu time de futebol eu ficava faceiro, se falava bem dos políticos que eu admirava, muito mais alegre eu ficava, e aí dizia: “Este comentarista é gremista, o narrador é colorado. Este comentarista de politica é trabalhista ou é da UDN, quem sabe do PSD”. Tudo isso fluía na minha imaginação.

     

    O tempo passou e eu virei radialista. Nós sempre queremos que os nossos ídolos torçam para os nossos times, que a opinião política seja a meu favor, se ele for contra ele é um venal, vendido, e hoje ainda é assim. Por ocasião desta paralisação nacional, a reportagem da Rádio Uirapuru foi
    às ruas para saber que horas saía o ônibus, como estavam as casas bancárias, se abririam ou não, se a escola estaria aberta para seus alunos, os postos de saúde e os hospitais iriam funcionar.

     

    A cada informação o whatsapp e o torpedo da rádio recebiam as opiniões, informações e reclamações. Lá pelas 7h30 estou saindo de casa, ouvindo o Jornal das Sete, Ieda Almeida e Régis Leonardo falando das informações que vinham das ruas, as pessoas nas paradas esperando o ônibus que não viria

     

    A cada notícia que a dupla de noticiaristas ou de repórteres das ruas traziam uma opinião: “Vocês não estão falando da falta que está fazendo os coletivos urbanos, vocês só estão elogiando os sindicalistas”. O outro já respondia: “Vocês estão na gaveta, vocês são comprados pelo grande empresário”.

     

    Sabe que isso magoa às vezes, dependendo das pessoas que recebem este tipo de consideração, principalmente porque aqui, na Rádio Uirapuru, sempre tivemos a liberdade de falar a favor ou contra e dar voz as pessoas que são o centro dos acontecimentos. Portanto, xingamentos de que somos vendidos ou protetores de sindicalistas não nos atingem mais.

     

    Lembrei-me de um grande empresário da mídia rio-grandense, o diretor da RBS, Maurício Sirotsky Sobrinho, já falecido. Estava ele no seu escritório, quando o governador Alceu de Deus Colares lhe chamou no Piratini para uma reunião. Aí o governador lascou para cima do empresário: “Pede para tua turma parar um pouco de me criticar, criticar o governo, todos eles são a favor do CPERS”. Colares falou com o empresário, como se fosse ele um deus, um deus ferido.

     

    Maurício Sirotsky Sobrinho saiu da reunião, atravessou a Duque de Caxias e chegou a Praça dos Três Poderes. Lá um piquete de sindicalistas gritava, apupava, chamava-o de vendido ao governo. Reclamavam os sindicalistas que os grandes cronistas, articulistas da empresa eram a favor do governo e contra a classe trabalhadora do magistério.

     

    Não teve dúvida, o empresário chegou na sua empresa mais feliz do que nunca, reuniu os principais editores da sua empresa e sentenciou: “Continuem fazendo o trabalho de vocês, vocês não estão agradando ao governador e, muito menos, os dirigentes do CPERS. Ficaria muito triste com vocês se só um lado da coisa estivesse elogiando vocês, mas a verdade é que os dois não gostam do que vocês escrevem e falam. Toquem o barco, estamos no caminho certo!”.

     

    E foi assim, com este espírito que cheguei na Rádio Uirapuru hoje pela manhã. S o líder da manifestação me elogiar, e dizer que sou bonzinho é sinal que do outro lado tem alguém muito magoado com a minha imparcialidade. O rádio não é feito para agradar, porque se fosse assim eu ficaria toda manhã tocando musiquinha e cantando parabéns para o aniversariante do dia.

     

    O rádio não é para te agradar, o rádio é feito para te provocar, te tirar da zona de conforto. Se não for assim, eu vou colocar uma pantufa, um pijama e ficar em casa só vendo a banda passar.  

  • Quarta-Feira, 26/04/2017

    Os ratos saltaram do navio

    Esse tema já foi referência em outros textos do blog, já abordamos esses assuntos. Como é bom quando tudo dá certo, ou que o emprego e os cargos públicos são meus e digo que quero apoiar, ou apoio o presidente, o governador ou o prefeito, mas quando a coisa aperta quero ser o primeiro a sair do barco.

     

    Sempre disse que ficava e fico indignado com as lideranças politicas de hoje, que quando é para empregar os “cumpanheiros” é muito bom, ou quando não precisa esforçar-se para aprovar projetos que às vezes nem são para o governo que está na ordem do dia, mas muitas vezes projetos que podem mudar a vida cotidiana de uma nação. Para isso acontecer alguns remédios amargos devemos tomar. Eu sou o primeiro a gritar contra, não apoio essas medidas, porque isso não é um projeto que está no seio do estatuto partidário.

     

    É assim que se brotam os políticos de hoje, e é por isso que os partidos políticos perderam a sua força junto a população brasileira. Se fazíamos antigamente política por convicção, idealismo e não ideologia fraca e barata, que para estar no poder faço qualquer coisa, mas quando o “sapato aperta” sou o primeiro a abandonar num canto, como se eu surgisse de repente como grande salvador da pátria que sou.

     

     

    Vemos duas agremiações partidárias brasileiras tomarem esta decisão. Incrível, os dois partidos já apoiaram os dois lados, aqui no Rio Grande PSB foi aliado do PT junto com PDT, PDT que até ontem era aliado de Sartori e PSB que ainda continua. Mas não duvidem que, logo ali, se os carguinhos diminuírem sairemos do barco.

     

    Sinto muita vergonha, porque essas duas agremiações partidárias sempre foram de profundidade nas suas ideias politicas reformistas e transformistas. Mas, de repente, caem na vala comum. Se o mar está calmo, se reinar a calmaria tu é meu aliado, eu sou o teu aliado, mas quando os ventos começarem a soprar contra você não conte comigo, porque as diretrizes partidárias me levam a tomar estas decisões.

     

    Olhei a reunião do PSB no centro do país e acompanhei a reunião do PDT, aqui no Rio Grande, para tomarem a decisão apoiarem ou não as medidas de Temer e de Sartori. Eles, lideres partidários, não se dão conta que transformaram duas grandes agremiações em chicos bem achicados, bem pequeninos, que não andam mais sozinhos, só vão na carona dos outros, e se não tiver carona na frente, ficamos nós que nem mochilas, sempre andando nas costas.  

  • Segunda-Feira, 24/04/2017

    De Montblanc, Rolex, pedras preciosas a tríplex

    Essa é a história que eu ouvi este final de semana. Estamos de boca aberta com o que aconteceu e o que está acontecendo no país. Homens públicos recebendo dinheiro para favorecer empreiteiros, os empreiteiros que compraram os nossos venais homens públicos estão dizendo que um pedia para reformar o apartamento, o outro pedia pra comprar pedalinhos. Outros com dinheiro na Suíça ou em qualquer pais paraíso fiscal.

     

    Outros apaixonados por joias, ouro, brilhantes, outro por viagens e jantas homéricas, na capital mais cara do mundo que é a França, se fantasiavam ainda, fotografavam para tirar sarro do coitado povo brasileiro, que trabalha honestamente e tenta pagar a carga tributária mais cara do mundo.

     

    Comecei com este título de Montblanc para tocar neste assunto de ganhar um “presentinho”. Montblanc para quem não sabeé a caneta mais cara do mundo, Rolex todo mundo sabe, é o relógio mais cobiçado do mundo. Pois os canalhas, 30, 40 anos atrás já ganhavam estes agradinhos para aprovar projetos contra a economia, contra o bem-estar do povo brasileiro.

     

    Quando se queria criar um projeto de lei nem era preciso a minha assessoria queimar neurônios para fazê-lo, o empresário que tinha interesse no projeto já me trazia o esboço pronto, ou como se diz a minuta acabada. Quando havia um projeto que interessava os maiores empresários da nação, eles mandavam “presentinhos” para ministros, assessores de ministros e parlamentares, mas aí era só uma canetinha, um reloginho.

     

    Mas teve um presidente da república, que eu não estou recordando qual, que resolver dar um basta para lá. Ele tentou estancar estes agradinhos, ninguém do Executivo podia receber um “presentinho” acima do valor de R$ 50, quando fosse assessor de segundo ou terceiro escalão. O ministro até que podia receber um “presentinho” de no máximo R$ 150.

     

    Mas aí veio a abertura politica do Brasil, tomamos um banho de democracia, ficamos tão embriagados com a liberdade instalada no país que não cuidamos mais os bilhões que foram surrupiados de uma Petrobras, de um Ministério da Saúde, de um Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, do Fundo de Assistência ao Trabalhador, obras que custaram R$ 200 milhões, mas na verdade consumiram mais de R$ 1 bilhão.

     

    Mas estou feliz, estou sendo roubado por essa corja, mas eu tenho liberdade de dizer o que eu quero, “Viva a democracia!”. Porque o líder maior do governo me diz: “Eu tenho que garantir a governabilidade da nação, eu tenho que fazer concessões para o judiciário, para o legislativo e para todos que me apoiaram”.

     

    Fico pensando em alguns deputados daquela época, que se contentavam ganhar às vezes uma canetinha, um senador que ganhava um Rolex, e saber que agora nada disso satisfaz mais a ganância desta gente, que se instalou em Brasília.

     

    Emílio Odebrecht declarou no final de semana, em alto e bom som, que chegou a reclamar para o senhor presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva que sua turma estava com a goela muito aberta. “Sua turma presidente, não é mais jacaré, são crocodilos”, disse. Tudo isso, pela ganância do dinheiro público desviado em forma de doação para as campanhas políticas de todos os partidos que estão aí, não escapou nenhum.

     

    Portanto, se o aluno da escola pública não tiver um lápis para aprender, te contenta aluno, nossos parlamentares e nossa classe politica não querem mais também só uma canetinha.  

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