Ouça agora

Rádio AM 1170 Rádio FM 90.1

Ouça pelo celular



JG

  • Sexta-Feira, 25/07/2014

    89 anos é muita idade

    Eu estou com 60 anos de idade. Dirijo, arrisco às vezes andar nas estradas do Rio Grande. Mas ando com muito cuidado e com muito medo.  Tenho boa visão, ainda tenho os reflexos em dia para dirigir.

     

    Mas numa estrada que nem Passo Fundo/ Marau, não passo de 80km por hora. Por certo quem está na estrada comigo, andando atrás de mim, deve ficar muito bravo.

     

    Isso porque tem alguns setores da estrada que 40km e 60km é a velocidade recomendada. E eu ando.

     

    As vezes vou para o acostamento quando sinto que o motorista que está atrás está com pressa.

     

    Hoje pela manhã um cidadão com 89 anos de idade, dirigindo em uma estrada molhada, com pouca visibilidade e vamos falar sério, com 89 anos não se tem mais o mesmo reflexo e a mesma visão de um motorista com a metade de sua idade.

     

    E o cidadão veio a falecer.

     

    Eu falo francamente, fico invocado às vezes quando vejo uma pessoa com mais de 70 anos atravessando a Avenida Brasil, uma via de alto movimento e com alguns momentos de alta velocidade.

     

    De que forma eu, filho ou neto, vou deixar um ancião andar sozinho nas ruas?

     

    Sei que muita gente vai ser contra o que estou falando. Você deve estar pensando que eu quero ditar regras para uma sociedade que está cada vez mais velha e por estar mais velha vai perdendo a segurança, a rapidez, o reflexo para atravessar uma avenida.

     

    Não estou dizendo que este cidadão que morreu hoje pela manhã seja o culpado. Agora, alguma coisa deve ser feita.

     

    Ontem a tarde uma senhora de 82 anos também provocou um acidente de trânsito. Felizmente, não morreu.

     

    E essa questão de proteger os nossos idosos não é só dos governos e autoridades: é da família. 

     

  • Quinta-Feira, 24/07/2014

    Às vezes duvido até de mim

    Há quantos anos sou âncora do programa Repórter do Povo rodeado de repórteres e jornalistas por todos os lados. Sinto-me uma ilha!

     

    Mesmo assim, ainda não me convenci de que eu tenho razão de tudo.

     

    Sou um ser democrático por natureza. Vim de uma família numerosa. Já pensou 13 filhos mais pai e mãe sentados à mesa discutindo os assuntos da família? Todos tinham razão!

     

    Às vezes, quando a discussão não tomava um rumo bom, o velho tomava as rédeas da conversa. Às vezes brabo e às vezes conciliador.

     

    E sentenciava: teu direito termina aonde começa o direito do teu irmão.

     

    Mas na rua também era assim. Ele dizia: aqui em casa você pode transgredir a lei, mas não esqueça que se aprender a transgredir a vida e o mundo irão te reprender.

     

    Sábias palavras!

     

    Falar da segurança, da educação, da saúde, do dia-a-dia de uma comunidade é muito complicado. Criticar alguém no microfone do rádio é de muita responsabilidade!

     

    Às vezes engulo as palavras que eu mesmo digo, porque sei que se existe o gremista, existe o colorado. Se existe o de esquerda, tem também o de direita.

     

    E o de centro: serei eu?

     

    Mediador da opinião de uma comunidade de mais de 200 mil habitantes? Na sua maioria nos cobrando posições? Não só de mim, mas da própria empresa aonde trabalho.

     

    Meus colegas chegam e me dão recados: o ouvinte reclamou da tua posição.

     

    E alguns chegam a dizer: se não conhece, ele que não dê opinião!

     

    E esses também têm as suas razões. Porque o mais sábio de todo o mundo sempre ouviu opiniões. Nunca quis ser igual a ele e nem posso querer.

     

    Afinal de contas, sou apenas um cidadão com muitos deveres e com muitos direitos.

     

    Que bom que a vida é assim: direitos e deveres.

     

    Enquanto tiver preocupado com os deveres, não terei tempo para exigir aquilo que não  tenho direito. 

  • Quarta-Feira, 23/07/2014

    O que viraram nossas frases

    A principal frase da ideologia brasileira é a “Ordem e Progresso” da bandeira nacional. E já faz tempo que estamos em busca dessa ordem, das pessoas se respeitarem como cidadãos.

     

    Mas como ordenar se as pessoas não se respeitam, fazem protestos que não são só protestos: são crimes. Pessoas que cometem crimes. Matam jornalistas e radialistas e pedem asilo político.

     

    Isso é ordem?

     

    Na mais alta Corte da Justiça Nacional assessores de ministros tem que planejar estratégias para que ambos não seencontrem nos corredores do Supremo. Outrora companheiros, agora inimigos. Um quer o rim do outro.

     

    Estou falando do Ministro Barbosa e do Ministro que irá sucedê-lo na casa, Ministro Lewandovski. Verdadeiros muros humanos são levantados dentro do Supremo para que as figuras não se encontrem, porque se não o nosso Supremo vai virar um ring.

     

    No Rio Grande uma frase que somos apaixonados é a que vem do hino do Rio Grande “sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.  Mas quando olhamos para o quadro político e administrativo do Rio Grande a frase já foi mudada em todos os setores. A barganha se apossou dos nossos ideais.

     

    Quando se vê assinatura de testemunha ou avalista de um grande negócio, muitas vezes escuso, de um Desembargador da República. Ou quando vândalos saíram de um jogo de futebol e arrebentaram um posto de gasolina, agrediram pessoas, presos que foram pela polícia e o delegado no comprimento de seu dever decretou fiança de R$10 mil para cada um dos bagunceiros, o processo chegando à mesa de um juiz, o mesmo entendeu que aquela fiança era muito alta para o poder aquisitivo dos baderneiros.

     

    E lá foram eles, soltos, sem pagar nada à sociedade e o dono do posto que vá buscar ressarcimento do prejuízo aonde ele quiser.

     

    Menos de quem usou da violência para acabar com o seu negócio.

     

    Se chegarmos na Assembleia Legislativa a negociata é muito grande. Corporativismo puro onde o hino do Rio Grande está alterado.

     

    Sirvam nossas barganhas de modelo a toda terra.

     

    De que valeu movimentos como a Revolução Farroupilha, uma Inconfidência Mineira, uma Revolta Paulista, uma Insurreição Catarinense do Contestado, se quem deveria cumprir a ordem e o progresso simplesmente pega a nossa Constituição, rasga e diz: a lei não me permite tomar tal atitude.

  • Terça-Feira, 22/07/2014

    Quem será o substituto?

    Seguidamente neste blog lembramo-nos de figuras folclóricas e históricas da minha cidade. No próprio programa Repórter do Povo, quando nos faltam estas pessoas, fizemos homenagens, falamos das coisas que aconteceram e que vivemos com essas figuras que, de repente, vão embora.

     

    Hoje pela manhã fomos surpreendidos pela notícia da morte do Amaranto. Claro que é Amarante, mas nós, no dia-a-dia o travamos como Amaranto por causa de outra figura folclórica: Amaranto Pereira.

     

    Era uma figura legitima da fronteira. Nascido no Santo Antônio das Missões, pertinho de São Luiz Gonzaga e São Borja.

     

    Janguista fanático. Quem nasce na fronteira nasce com a cultura de que Getúlio Vargas e João Goulart eram figuras de referência e muitas vezes no falar e no proceder queríamos ser iguais a eles.

     

    Contar histórias da fronteira, que pra nós fronteiristas é a terra mais importante do mundo. Os domadores e ginetessão sempre os melhores! Tosador de ovelha e carneador também.

     

    Este era o Amaranto, que era o nosso faz tudo aqui na rádio. Trocava lâmpadas, pintava o prédio e se deixasse, até na instalação da rádio ele queria mexer.

     

    Tinha que estar sempre atento.

     

    Eu não sei não, mas me parece que ele foi até técnico de som, operador de rádio.

    Ingênuo, inocente, sempre era vítima de brincadeiras dos colegas locutores e até mesmo vítima de trotes do Dr Luiz Fragomeni, do Júlio Rosa, Altair Colussi e outros sempre queriam fazer sacanagem com o Amaranto.

     

    A história da Rádio Uirapuru ele leva consigo.

     

    Vender comercial era um desafio também. Se deixasse, ele tomava conta da programação e virava locutor.

     

    Nós, radialistas, às vezes ficávamos olhando de revesgueio: “Que que esse grosso tá pensando?! Eu sou radialista e ele é apenas um faz tudo!”

     

    Calmo, dedicado e conselheiro. Cozinheiro de mão cheia, principalmente quando viajava para o seu São Borja véio e trazia de lá uma manta de charque ou um espinhaço de ovelha. Era bom de ver e saborear essas iguarias.

     

    Não tinha ruim pro Amaranto.

     

    Setenta e quatro anos.

     

    Se mandou!

     

    Por certo, já está se reunindo com o Júlio Rosa, o Altair Colussi, o Flávio Ferlim, Luiz Fragomeni, Bruno Markus, rindo a toa.

     

    Fazendo agora troça de nós, que estamos aqui.

     

    E por certo, junto com eles, está a nega Rosa do INPS.

     

    E o Deodoro, que era motorista e compadre do Dr. Luiz.

     

    Tá ficando grande a coisa lá em cima!

     

    Hoje de manhã um ouvinte me sacaneou, me disse que essa turma está montando uma rádio lá em cima e estão precisando de um gritão.

     

    Mas não adianta me agourar! Eu sei que vou, mas por enquanto estou aqui para saber:

     

    Quem irá substituir essas figuras?

     

    Acho que esta resposta não terei.

  • Segunda-Feira, 21/07/2014

    Ser ou não ser, eis a questão

    Frase batida, mas sempre atualíssima. Discute-se hoje no Rio Grande o casamento gay em um Centro de Tradições Gaúchas.

     

    Para os “tradicionais” isso é o fim da picada.

     

    O Rio Grande sempre teve a pecha de ser um estado machista, aonde qualquer discussão vai pra ponta da adaga, do facão e outras armas.

     

    Tratam-nos como se fôssemos estúpidos, agressivos, no entanto se conversar com o gaúcho, pelo seu nome “gaúcho”, quer dizer humilde e hospitaleiro. Homem da pampa. Pobre e trabalhador.

     

    Alguns pensam que ser gaúcho é ser retrógrado, intransigente no seu modo de pensar e nos seus ideais.  O casamento homoafetivo que se discute nunca foi e nunca será motivo de envergonhar-se e sim de ser um ser evoluído, que aceita a convivência das pessoas em todos os gêneros.

     

    A discussão hoje pela manhã no programa Repórter do Povo foi bonita de ver! Opiniões para todos os gostos.

     

    Vai ser até o tema do Sem Segredo.

     

    Enquanto fazia o programa de hoje e ouvia as opiniões, viajei da história de grandes personagens do mundo, de todos os tempos. Boa parte deles eram gays.

     

    Lembrei-me, portanto, que desde guri fui fascinado pelas pessoas que tem outra orientação sexual. Nunca vi um gay que não fosse dotado de sabedoria, inteligência, perspicácia.

     

    Eram e são grandes jornalistas, decoradores, poetas, escritores, pintores, artistas, recriadores da natureza (pois é isso que eles são!) que eu nunca vi sem que tivessem todas estas qualidades.

     

    E mais do que isso, são pessoas amáveis, receptivas.

     

    Se quiseres ter um pouquinho de sabedoria e entendimento do mundo e da vida, deem-se a conviver, conversar e trocar ideias com todas as pessoas. Inclusive, meus amigos, os gays.

     

    Eles não são diferentes.

     

    Eles sofrem, riem e são fortes têm o dom de entender a maior dificuldade que podem: a de aguardar que nós os entendamos.  

Pesquisar artigos anteriores

Você acha que o Brasil tem muitos feriados?

Copyright © 2017 Grupo Uirapuru . Todos os direitos reservados. Parceria Sistemas