Fórum Soja Brasil: custo de produção e renda desafiam produtores

Promovido pelo Canal Rural, o evento reuniu produtores, pesquisadores e lideranças do agronegócios no auditório central da Expodireto Cotrijal, nesta quinta-feira (08)

Créditos: Divulgação Expodireto Cotrijal

“Está na hora de olhar o sistema como um todo, sem pensar apenas na próxima safra”. Este foi o principal recado do pesquisador do Cepea/Esalq, Mauro Osaki, que junto com os demais participantes do Fórum Soja Brasil debateram o “Custo de Produção x Renda”. Em sua 6ª edição, o evento promovido pela Canal Rural também contou com a participação da doutora em Ciências Biológicas, Adriana Brondani, do Conselho de Informações de Biotecnologia; e do pesquisador da Embrapa Soja, Henrique Debiase.

 

Através de dados e informações das últimas safras de soja do Brasil, Osaki mostrou que a cada safra o produtor desembolsa mais para fazer um bom cultivo de soja. “Os manejos de pragas e doenças estão fazendo com que o produtor entre mais vezes em sua lavoura, gerando um custo maior. Em 2007, o custo com inseticida ficava em torno de 1,5 saca de soja/hectare. Hoje a conta é de 3 sacas”, comentou o pesquisador, que informou que hoje no Brasil a custo total gira em torno de 46 sacas de soja/hectare. “Se tivermos uma quebra, o produtor não tem como pagar suas contas”, destacou.

 

20 anos de pesquisas

O aumento de produção sem aumentar a área agricultável foi uma das alternativas destacadas por Adriana Brondani. Ela fez referência aos 20 anos da soja transgênica no Brasil e reforçou que as lavouras brasileiras estão no segundo lugar na adoção da tecnologia transgênica, perdendo apenas para os Estados Unidos. “O produtor vem colhendo bons frutos desses 20 anos de pesquisas, com ganho em eficácia no controle de plantas daninhas, alta competitividade com o Plantio Direto e preservação da área e incremento de 259% em produção”.

 

“A pesquisa e os trabalhos de gestão devem caminhar lado a lado com o trabalho do campo”, disse o pesquisador da Embrapa, Henrique Debiase, que foi enfático ao destacar a necessidade do produtor investir em um melhor manejo do solo e fixar os conceitos do Sistema de Plantio Direto. “As lavouras devem ter o mínimo revolvimento, cobertura permanente do solo, o aumento do teor de matéria orgânica e principalmente a diversificação do sistema de produção, incluindo culturas com grande capacidade de produção de palha e raízes. Com isso há uma possibilidade de aumentar a produtividade e reduzir custos. Aumentando assim a rentabilidade”, destacou.

 

Debates em prol do resultado do produtor

Às vésperas da elaboração de um novo Plano Safra, os anseios dos produtores de todo o Brasil voltaram à pauta da Expodireto Cotrijal. Com a participação do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller; do diretor-executivo da Aprosoja, Fabrício Rosa; do diretor-presidente do Instituto Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável do Agronegócio (IBDAgro), Ademiro Vian; e do deputado federal Luiz Carlos Heinze, o debate rendeu discussões importantes sobre seguro rural, taxa de juros, liberação de crédito e seguro de renda para o trigo, arroz e leite.

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