Morre em Passo Fundo o Padre Paulo Augusto Farina, diretor-fundador da Rádio Planalto

Créditos: Padre Paulo Augusto Farina/Reprodução

Por volta de 23 horas deste domingo (13) morreu o Padre Paulo Augusto Farina, diretor-fundador da Rádio Planalto. Após passar mal, em consequência de uma hemorragia, o Padre foi internado no início da noite, não reagiu e acabou falecendo. Padre Paulo era natural de Veranópolis, filho de tradicional família daquela cidade. Em 2019 ele completaria 90 anos de idade.

Em Passo Fundo, além do exercício do sacerdócio, Paulo Augusto Farina foi o diretor-fundador da Rádio Planalto, em 1969. Foi o superintendente da Fundação Cultural Planalto até 1984. Por décadas, comandou a Fundação Beneficente Lucas Araújo, mantenedoras de creches e outras instituições assistenciais.

O corpo do Padre Paulo será velado na Catedral Nossa Senhora Aparecida, onde, às 16 horas desta segunda-feira, será realizada uma missa de corpo presente.

Vida e testemunho

Vindo de uma família de cinco irmãos, padre Paulo Augusto Farina nasceu no dia 24 de junho de 1929, em Alfredo Chaves – hoje Veranópolis -, onde passou sua infância. Mais tarde, entre os anos de 1950 e 1956, estudou Filosofia e Teologia, no Seminário Central Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo. Em 1970, iniciou a faculdade de Direito na Universidade de Passo Fundo, concluindo o curso em 1974. Em 1977, foi licenciado em Filosofia pela mesma Universidade. Antes disso, em 1971, se tornou jornalista profissional através do Decreto 65912 e, em 1980, radialista pela Lei 6.615.

Sua vocação surgiu a partir da aproximação da família com a Igreja. Aos poucos, o jovem foi sentindo o chamado e, logo, ingressou no Seminário, em Gravataí. Foi ordenado padre em 1956, na paróquia São Luiz Gonzaga, em Veranópolis, por dom Antônio Zattera e, desde então, procurou seguir o lema escolhido: “Jesus, ser vosso e levar todos a Vós”. Em entrevista a Dom Ercílio Simon, em setembro de 2006, para o livro “Nossos Padres, nossos heróis”, padre Paulo destacou que a proposta do seu lema sempre foi de dedicar a vida a Cristo. “No nosso raciocínio, no nosso sentimento, além de mantermo-nos fiéis ao Senhor, o desempenho, a nossa doação de vida, só valeria a pena, se arrebatássemos um bom rebanho, se conquistássemos muitos outros operários para as vinhas do Senhor”.

Desde a sua ordenação, atuou como vigário paroquial na Catedral Metropolitana, em Passo Fundo – onde já havia exercido o subdiaconato. Em 1956, logo que ordenado, foi encarregado do Asilo Lucas Araújo – hoje Fundação Beneficente Lucas Araújo -, onde dedicou sua vida, esforços e atenção e atuou até a sua morte como superintendente. Também esteve junto à Juventude Operária Católica e aos Vicentinos. Em 1969, se tornou o primeiro diretor da Rádio Planalto, cargo exercido até 1983.

Também atuou como Cônego do Cabido Diocesano e como diretor da Cáritas Diocesana. Em relação ao seu trabalho e ministério – especialmente junto à Fundação e à Rádio Planalto -, padre Paulo destaca, no mesmo livro, que foram tempos de felicidade e entrega. “Posso dizer que nem vi o tempo passar. Considero-me realizado, apesar das muitas pedras ao longo do caminho. Manter-se firme na missão nos dias de hoje é quase um heroísmo. Valeu a pena nadar contra a correnteza. Sentimos agora o sabor da vitória e da realização. O testemunho de tantos leigos fiéis e sinceros, nos ajudaram a manter-nos no barco da Igreja, no caminho traçado para nós. A missão do sacerdote com certeza não é sombra e água fresca, mas vale a pena. Vale muito a pena”.

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