Skip to content

Saúde

Cigarro eletrônico é epidemia oculta entre adolescentes

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A URI de Erechim realizou uma pesquisa sobre o uso de cigarros eletrônicos. O experimento utilizou ratos e a descoberta acende um alerta para o consumo deste dispositivo, por jovens adolescentes. Os ratos que foram expostos ao vapor do cigarro eletrônico apresentaram um coração mais fraco. O órgão sofreu uma desorganização em suas fibras musculares, perdendo a força para bombear o sangue. Além disso, o coração apresentou sinais de inflamação e estresse precoce das células, semelhante a um envelhecimento acelerado do órgão. Também foram identificados problemas em outros órgãos, como os rins.

A orientadora da pesquisa, professora Fernanda Camera, foi uma das convidadas do Programa Sem Segredo de sábado, e relevou que os resultados são de grande relevância para a saúde pública, especialmente entre adolescentes e adultos jovens usuários de cigarro eletrônico. Para ela, levar conhecimento à sociedade e uma forma de evitar de evitar riscos mais graves. Ela chamou a atenção para a responsabilidade dos pais e das escolas, que precisam mudar sua forma de tratar temas sensíveis como este.

Diálogo necessário

O médico pneumologista e professor da Faculdade de Medicina da UPF, Vinícius Dal’Maso, disse que o uso dos chamados ‘vapes’ se transformou uma epidemia oculta, porque o vapor não tem cheiro e a quantidade de substâncias que constam nele são inúmeras e até desconhecidas em determinados casos. Ele reforça que a venda destes dispositivos é proibida no Brasil, mas que infelizmente tem chegado ao consumidor via contrabando. Além do comprometimento geral do organismo, através do processo inflamatório, um dos pontos mais importantes é a dependência a nicotina, o que tem levado muitos pais com seus filhos ao consultório médico. Vinícius Dal’Maso disse que para além dos efeitos devastadores do cigarro, os pais têm que saber o que os filhos estão fazendo e conversar com eles.

Grupos de apoio

A farmacêutica bioquímica, servidora da Prefeitura de Passo Fundo, Débora Tauffer, tem realizado palestras nas escolas municipais e está impressionada com o número de alunos usuários do cigarro eletrônico. Ela revelou durante o programa que tem pais que buscam o dispositivo no Paraguai para vender aos amigos dos filhos ou tem pais que utilizam o dispositivo como se fosse um cigarro comum. Débora disse que o município tem um serviço para ajudar as pessoas a pararem de fumar, tanto cigarros comuns como os vapes. Basta procurar uma unidade de saúde ou Cais e manifestar vontade. Além de medicação conforme prescrição médica, as pessoas podem participar de grupos de apoio, que são muito eficientes.

Sobre a pesquisa

A pesquisa foi realizada pela mestranda Luana Zambon, do Programa de Atenção Integral à Saúde (PPGAIS) URI Erechim,  e a dissertação foi apresentada no dia 24 de abril. Além da orientação da professora Fernanda, teve a colaboração com outros professores do programa, Alexandre Amaral e Silvane Roman, além da médica cardiologista Isadora Bigolin, a médica veterinária Gabriela Loss e o acadêmico do Curso de Medicina da URI, Diandro Amaral. Participaram da banca avaliadora os professores Jaqueline Scholz (INCOR/SP),  Paulo Silveira (UNESC/SC) e Thiago Heck (UNIJUÍ/RS).