Ameaça ao PIX é remota e tarifa de 25% dos EUA preocupa mais a economia brasileira, diz professor da UPF
O anúncio da tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros voltou a gerar preocupação no setor econômico e incluiu agora o PIX no contexto. Além da taxação, autoridades norte-americanas citaram o PIX entre os fatores que consideram problemáticos nas relações comerciais com o Brasil.
Para analisar os possíveis impactos da tarifa de 25% dos EUA e das críticas ao PIX, a Rádio Uirapuru ouviu o professor de Economia da Universidade de Passo Fundo (UPF), Luiz Eduardo Garcia.
Segundo o economista, a possibilidade de os Estados Unidos conseguirem restringir ou bloquear o funcionamento do PIX no Brasil é considerada remota. Ele destaca que o sistema foi criado pelo Banco Central e está integrado ao sistema financeiro nacional.
Garcia explica que grande parte das operações financeiras ainda é realizada por outros meios de pagamento, especialmente os cartões de crédito. Na avaliação dele, mesmo que houvesse alguma restrição envolvendo instituições internacionais, o PIX continuaria funcionando normalmente nos principais bancos brasileiros.
O professor observa que o crescimento do PIX reduziu a participação das operadoras de cartão em diversas transações do dia a dia. Como essas empresas recebem taxas sobre as operações realizadas, o avanço do sistema brasileiro acabou diminuindo uma fonte de receita de grandes companhias do setor, muitas delas sediadas nos Estados Unidos.
Para Luiz Eduardo Garcia, as críticas norte-americanas ao PIX possuem forte componente político. Segundo ele, esse tipo de manifestação faz parte de estratégias de pressão utilizadas pelos Estados Unidos em negociações comerciais com seus parceiros.
Apesar da repercussão envolvendo o sistema de pagamentos, o economista afirma que a tarifa de 25% dos EUA representa uma preocupação mais concreta para a economia brasileira. Isso porque a medida pode ser adotada unilateralmente pelo governo norte-americano e afeta diretamente setores que dependem das exportações.
De acordo com Garcia, a tarifa de 25% dos EUA pode gerar reflexos para empresas brasileiras que mantêm forte relação comercial com o mercado norte-americano, especialmente nos segmentos exportadores.
O professor ressalta ainda que outros fatores continuam influenciando a economia nacional, como os conflitos no Oriente Médio, o comportamento dos preços internacionais e a política monetária brasileira. Mesmo assim, ele considera que as tarifas comerciais representam hoje um risco mais real para determinados setores da economia do que qualquer eventual restrição ao PIX.
