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Geral

Amparo a animais abandonados deve envolver toda a sociedade, e não apenas protetores

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

O sábado, 15 de agosto, foi marcado pelo Dia Internacional do Animal Abandonado, uma data criada para chamar a atenção para um problema que ainda cresce e exige o envolvimento de toda a sociedade. O abandono de cães e gatos também é uma realidade em Passo Fundo e tem motivado a criação de políticas públicas voltadas ao acolhimento, proteção e responsabilização de quem pratica esse tipo de crime.

O tema foi abordado no programa Uirapuru Ecologia, apresentado por Gabriel Nunes no último sábado. Participaram da discussão Luciane Von Borowsky e Silvana Bortolom, do projeto social Ventos do Sul; Leo Girardi, psicóloga e protetora de animais; e Bruna Becker, da ONG Adote um Gatinho.

Durante o programa, Luciane Von Borowsky destacou a dimensão do problema no país. Segundo ela, existem cerca de 30 milhões de cães e gatos abandonados no Brasil. A data serve como alerta para uma situação considerada grave e que precisa provocar uma mudança de comportamento da sociedade.

Luciane relatou ainda que recebe diariamente inúmeros pedidos de ajuda relacionados a animais abandonados. Segundo ela, muitas pessoas que encontram um animal em situação de abandono acabam procurando as protetoras e transferindo a responsabilidade para elas. O acolhimento, porém, precisa ser uma responsabilidade compartilhada por toda a comunidade.

Leo Girardi afirmou que o abandono é uma realidade enfrentada diariamente pelas protetoras. Segundo ela, muitas vezes a situação começa antes mesmo de o animal ser deixado na rua, quando pessoas assumem o compromisso de cuidar e dar carinho, mas acabam não cumprindo essa responsabilidade.

Ela ressaltou que os animais estabelecem vínculos de afeto e confiança com as pessoas e retribuem esse cuidado, o que também motiva quem atua na proteção animal a continuar realizando resgates e buscando melhores condições para eles.

A protetora Silvana Bortolom, que também participa de um grupo de ciclistas, relatou que é comum encontrar animais abandonados durante os trajetos realizados pelo interior. Muitos são deixados em locais perigosos, onde correm risco de atropelamento e têm poucas chances de sobrevivência.

Segundo Silvana, embora outras pessoas também avistem esses animais durante os deslocamentos, nem sempre ocorre o resgate. O grupo do qual participa procura retirar os animais desses locais e encaminhá-los para atendimento e acolhimento.

Bruna Becker, da ONG Adote um Gatinho, explicou que nem todos os animais encontrados em situação de abandono conseguem sobreviver. Muitos chegam aos grupos de proteção já atropelados, doentes ou em estado avançado de debilidade.

Mesmo diante dessas situações, segundo Bruna, os animais são acolhidos e recebem cuidado e respeito. Para os participantes do Uirapuru Ecologia, a data reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre a guarda responsável e de evitar que a responsabilidade pelo abandono recaia exclusivamente sobre protetores e organizações que atuam na área.