Lixo, vandalismo e invasões: prédio da antiga Oi expõe cenário de abandono em Passo Fundo
O prédio abandonado da antiga operadora Oi, localizado na área central de Passo Fundo, transformou-se em um grave foco de insegurança, invasões e criminalidade, gerando preocupação entre moradores e comerciantes da região.
O imóvel está em avançado estado de degradação e vandalismo. As dependências apresentam salas tomadas por montanhas de lixo, fiação exposta, vidros espalhados pelo chão e grande acúmulo de sujeira. O local vem sendo invadido diariamente por moradores de rua e usuários de drogas, que utilizam o prédio para pernoite, consumo de entorpecentes e descarte de materiais.
A presença constante de invasores tem provocado temor na comunidade vizinha. Moradores e empresários relatam furtos frequentes de cabos elétricos, barulhos durante a madrugada e até arrombamentos em estabelecimentos comerciais das proximidades. Também há preocupação com o risco de incêndios, agravado pela prática de queima de fios nas imediações do imóvel.
De acordo com um empresário, vizinho ao prédio, a situação está insustentável. Ele relata que já teve sua loja invadida e furtada diversas vezes e que não sabe mais para quem recorrer.
Vistorias realizadas no interior da estrutura revelam um cenário de destruição. Um antigo auditório foi completamente depredado e diversos ambientes apresentam sinais de abandono extremo. Entre os objetos encontrados estavam facas deixadas sobre peitoris de janelas, evidenciando os riscos para quem circula pelo local.
Diante da situação, moradores e comerciantes cobram uma intervenção urgente das autoridades para interditar o prédio, responsabilizar os proprietários e restabelecer a segurança na região central.
O vereador Iriel Sachet afirma que, embora o imóvel seja particular, o Poder Público possui responsabilidade na fiscalização e adoção de medidas para proteger o interesse coletivo.
Segundo o parlamentar, a Constituição Federal atribui ao município a competência para promover a fiscalização e o adequado ordenamento territorial, o que exige atuação quando um imóvel representa risco à população.
Iriel também destacou a Lei Municipal nº 6.109/2026, de sua autoria, que criou o Cadastro Municipal de Imóveis Abandonados e Desocupados. Conforme explicou, a legislação busca identificar imóveis nessas condições para facilitar a fiscalização e permitir que a Prefeitura acompanhe os casos e cobre providências dos proprietários.
“O imóvel continua sendo de responsabilidade do proprietário, mas a lei fortalece a atuação do município ao criar mecanismos para acompanhar esses imóveis e exigir soluções”, afirmou.
O vereador informou ainda que já iniciou tratativas com o promotor de Justiça Paulo Cirne e que está encaminhando um ofício ao Ministério Público para dar conhecimento da situação. De acordo com Iriel, o caso ainda não havia chegado oficialmente ao órgão, que poderá acompanhar e adotar as medidas cabíveis.
Procurada sobre a situação, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Passo Fundo afirmou que o prédio é particular e de responsabilidade da Oi, por isso não vão se manifestar.
