APAC Passo Fundo forma 12 novos voluntários para atuar em sistema visto como justiça do futuro
A Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) de Passo Fundo realizou, no sábado (12), a formatura e entrega de certificados a 12 novos voluntários que concluíram o curso de formação da entidade.
A cerimônia ocorreu na sede da APAC, localizada na BR-285, no bairro São José, na saída de Passo Fundo para o aeroporto.
A formação prepara integrantes da comunidade para atuar diretamente junto aos chamados recuperandos, pessoas que cumprem pena dentro da metodologia APAC. O curso teve duração de seis meses e abordou temas como relações humanas, valorização da pessoa, direitos e deveres dos apenados e os elementos que compõem a metodologia adotada pela instituição.
A APAC é uma entidade sem fins lucrativos voltada à recuperação e reintegração social de pessoas condenadas. O método combina disciplina, trabalho, estudo, valorização humana, participação familiar e atuação da comunidade. Os recuperandos também são responsáveis por diversas atividades dentro do local.
Falando para a Uirapuru, o presidente da APAC Passo Fundo, coronel Fernando Carlos Bicca, disse que a preparação é necessária para que os voluntários conheçam e saibam aplicar corretamente o método.
Segundo ele, os novos integrantes passam, a partir da certificação, a fazer parte do grupo de voluntários da entidade e podem atuar individualmente junto aos recuperandos.
Bicca também destacou o modelo de coadministração adotado na APAC. Conforme o presidente, os próprios recuperandos participam da administração interna do Centro de Reintegração Social, auxiliando a diretoria e a gerência.
Entre os 12 elementos da metodologia, ele apontou como especialmente importante o princípio de que “recuperando ajuda recuperando”, no qual as experiências são compartilhadas e os próprios internos auxiliam uns aos outros nos momentos de dificuldade.
O presidente avaliou ainda que a APAC de Passo Fundo atravessa atualmente um período de maior estabilidade. Segundo ele, depois de momentos considerados turbulentos, a instituição vive uma fase de maior harmonia entre recuperandos e voluntários, com resultados que, na avaliação da direção, demonstram a efetividade da metodologia.
O promotor de Justiça Álvaro Póglia também destacou a experiência da APAC. Ele citou o funcionamento do método em outros estados, especialmente Minas Gerais, e afirmou que o modelo apresenta resultados positivos na recuperação e na reinserção social.
Segundo o promotor, enquanto o sistema prisional tradicional apresenta índices elevados de reincidência, a APAC teria taxas significativamente menores. Para Póglia, a metodologia pode contribuir para enfrentar parte dos desafios relacionados à segurança pública, especialmente por atuar na etapa de cumprimento da pena e preparação para o retorno à sociedade.
O diretor do Foro Federal de Passo Fundo, juiz José Luiz Luvisetto Terra, também participou da solenidade. Ele classificou o método APAC como uma experiência de justiça mais humanizada e destacou a possibilidade de conciliar o cumprimento da pena com trabalho, aproximação familiar e mudança de comportamento.
O magistrado afirmou que a metodologia oferece ao apenado a oportunidade de reconhecer o erro cometido e buscar uma transformação durante o cumprimento da pena. Para ele, a formação dos voluntários representa a participação direta da comunidade nesse processo de ressocialização.
