Após fracasso de Leilão do Bloco 2, relator da CPI dos Pedágios defende novo modelo para rodovias da região
O leilão do Bloco 2 de concessões rodoviárias, que inclui as ERS-324 e ERS-153 na região de Passo Fundo, segue repercutindo no cenário político gaúcho. Nenhuma empresa apresentou proposta dentro do prazo definido pelo governo do Estado. Por isso, o Executivo cancelou a licitação e agora precisa revisar o projeto antes de lançar uma nova tentativa de concessão.
Além disso, o tema ganhou ainda mais destaque nesta semana após a participação do governador Eduardo Leite na CPI dos Pedágios, na Assembleia Legislativa. Durante o depoimento, o governador afirmou que o Estado buscará uma solução para o projeto nos próximos dias e semanas. Segundo ele, a equipe técnica fará uma nova avaliação em conjunto com o BNDES.
Leilão do Bloco 2 não atraiu investidores
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o relator da CPI dos Pedágios, deputado estadual Miguel Rossetto (PT), avaliou que o fracasso do leilão do Bloco 2 evidencia problemas no modelo apresentado pelo governo estadual.
De acordo com o parlamentar, a falta de interessados mostra que a proposta não atende às expectativas do mercado e também não contempla os interesses da população das regiões envolvidas. Além disso, Rossetto acredita que os valores previstos para os pedágios e o cronograma das obras contribuíram para afastar possíveis investidores.
O deputado argumentou que os moradores da região enfrentariam aumentos expressivos nos custos de deslocamento. Como exemplo, citou o trajeto entre Erechim e Passo Fundo. Atualmente, a tarifa custa R$ 4,90. Já no modelo proposto pelo leilão do Bloco 2, esse valor poderia chegar a R$ 29, conforme os cálculos apresentados por ele.
Da mesma forma, Rossetto destacou o impacto para o transporte de cargas. Segundo o parlamentar, caminhões que utilizam as rodovias da região para acessar o Vale do Taquari teriam um aumento significativo nos custos operacionais.
Rossetto propõe fundo para investimentos
Como alternativa ao leilão do Bloco 2, o relator da CPI defendeu a criação de um fundo específico para investimentos nas rodovias.
Segundo Rossetto, o governo poderia direcionar cerca de R$ 1,5 bilhão para as regiões contempladas pelo projeto. Dessa forma, seria possível executar as obras consideradas prioritárias pela comunidade sem a necessidade de aplicar tarifas elevadas.
Além disso, o deputado explicou que os recursos permitiriam melhorar a segurança e a qualidade das estradas em um prazo menor. Ao mesmo tempo, ele defendeu a participação das lideranças regionais na definição das intervenções mais urgentes.
Por fim, Rossetto afirmou que a região precisa de investimentos em infraestrutura. No entanto, ressaltou que qualquer novo modelo deve apresentar tarifas compatíveis com a realidade econômica local. Para ele, o principal desafio consiste em garantir estradas melhores sem prejudicar a competitividade das empresas e o deslocamento da população.
