Após ouvir investigadas, delegada reafirma homicídio culposo em caso que matou ciclista em Passo Fundo
As duas mulheres investigadas pela morte do ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, prestaram depoimento nesta segunda-feira (22) na Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Passo Fundo. Após ouvir a versão apresentada pelas investigadas, a delegada responsável pelo caso, Daniela de Oliveira Minetto, afirmou que mantém o entendimento de que o caso se enquadra como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Naturais de Carazinho, as mulheres compareceram à delegacia acompanhadas por advogado e relataram sua versão sobre o acidente ocorrido no dia 4 de junho, na ciclovia da Avenida Brasil Oeste, no bairro Boqueirão.
Segundo a delegada, elas informaram que vieram a Passo Fundo para passar o dia e, antes de retornarem para Carazinho, decidiram realizar uma caminhada pelo local. Em depoimento, afirmaram que pararam para registrar imagens e não negaram que estavam sobre a ciclovia no momento do acidente.
As investigadas também disseram acreditar que o sol possa ter ofuscado a visão do ciclista, o que teria dificultado sua reação para evitar a colisão. Conforme os relatos, elas foram surpreendidas pelo impacto e uma delas acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) logo após o ocorrido.
Outro ponto destacado pelas mulheres foi o desconhecimento sobre a proibição de caminhar ou correr na ciclovia.
Apesar das explicações apresentadas, a delegada Daniela de Oliveira Minetto informou que o depoimento não alterou o entendimento da investigação. Ela reforçou que as duas mulheres deverão ser indiciadas por homicídio culposo.
A investigação segue em andamento. Ainda nesta semana, outras testemunhas serão ouvidas pela Polícia Civil. Além disso, a DHPP aguarda a conclusão de laudos periciais considerados fundamentais para o encerramento do inquérito.
A delegada explicou que o prazo legal para a conclusão da investigação é de 30 dias. Após a finalização dos trabalhos, o inquérito será remetido ao Poder Judiciário para análise e prosseguimento dos procedimentos legais.
Daniela Minetto também ressaltou que, mesmo com eventual indiciamento, as investigadas não serão submetidas a julgamento pelo Tribunal do Júri. Isso porque o Júri Popular é destinado exclusivamente aos crimes dolosos contra a vida, ou seja, quando existe intenção de matar ou quando o autor assume o risco de produzir o resultado. Como o caso é tratado como homicídio culposo, o processo será analisado por um juiz de direito.
Cleocir Jorge dos Santos morreu após colidir com as mulheres que caminhavam na ciclovia. Com o impacto, ele caiu na pista de rolamento e acabou sendo atropelado por um veículo. A investigação concluiu que o motorista não teve possibilidade de evitar o atropelamento e, por isso, não será indiciado.
