Skip to content

Comportamento

As relações amorosas e as transformações ao longo dos tempos

| RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A evolução do casamento e os desafios dos relacionamentos na atualidade foi pauta do Programa Sem Segredo deste sábado que começou com o historiador Maurício Paim, explicando a origem do casamento como uma instituição formal. “O primeiro registro de casamento oficial que nós temos é por volta de 2300 a.C., na Suméria. O detalhe é que o casamento, desde o seu surgimento até pouco tempo, é comercial”, revelou. Diferente dos contos de fadas, a união servia para garantir terras, dotes e cabeças de gado, sem espaço para o romance. Essa tradição se estendeu por séculos, incluindo o Brasil colonial e a Idade Média, onde a mulher tinha um papel restrito à procriação. “A noite de núpcias era a noiva com um lençol com um buraquinho”, exemplificou Paim, destacando a falta de prazer e autonomia feminina.

A Mulher, o Corpo e a Quebra do Silêncio

Complementando a visão histórica, a coordenadora do Programa de Envelhecimento Humano da UPF, Lia Mara Wibelinger destacou como o silêncio sobre a sexualidade sempre foi uma ferramenta de controle. “Muitas mulheres casavam sem sequer saber o que era um ato sexual”, afirmou. Ela ressaltou que, felizmente, essa realidade está mudando, ainda que lentamente. “Hoje é dado o direito às pessoas de ficarem dentro de um relacionamento se elas estão se sentindo numa relação saudável”, disse, criticando a romantização da viuvez forçada e a culpa imposta às mulheres que desejam recomeçar.

Geração Z, Aplicativos e Novos Formatos

Ao abordar o presente, a psicóloga Josiane Razera, coordenadora do curso de Psicologia da Atitus, focou nas transformações das novas gerações. “A geração Z prioriza a questão profissional e está mais aberta a configurações conjugais diferentes”, explicou. Conceitos como casais que não coabitam (moram em casas separadas) e o uso de aplicativos de relacionamento são cada vez mais comuns.

Lia Mara, no entanto, fez um alerta sobre a comunicação. “Todo mundo quer falar, mas ninguém quer ouvir”, resumiu. Ela defendeu que os aplicativos podem ser ferramentas de libertação, especialmente para os mais velhos, desde que usados com cautela. “Não está escrito em nenhum lugar que namoro tem idade pra acontecer”, ponderou, lembrando que o desejo e a sexualidade transcendem a idade reprodutiva.

Amor 50+, Prevenção e o Direito de Escolher

A conversa também abordou o preconceito em relação à sexualidade na terceira idade. Lia Mara foi enfática ao citar o aumento alarmante de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) entre os idosos. “Não é porque uma pessoa fez 60, 70 anos que ela virou santa. O desejo existe, mas a prevenção também”, alertou, criticando o relaxamento no uso de camisinha sob a justificativa de que não há mais risco de gravidez.

O Que é o Amor?

Josiane Razera propôs uma definição objetiva do amor, baseada em três pilares: a intimidade (sexual e emocional), a decisão (escolher estar com o outro) e o compromisso. Ela também destacou a diferença entre relacionamentos abertos (contratos entre o casal) e poliamor (relações com mais de duas pessoas), defendendo que não existe modelo único de felicidade. Sobre o “polêmico” perdão, Josiane foi clara: “Se esse amor fere a minha integridade, ele não deveria perdoar tudo.”

Lia Mara (UPF): “A disposição e nutrir a relação todos os dias. O que está acontecendo tem que ser bom para a gente. Se não está, vida que segue.”

Josiane Razera (Atitus): “Respeito ao contrato, comunicação assertiva e a possibilidade de, dentro da relação, cada um ser quem realmente deseja ser.”

A grande mensagem deixada pelo programa é que, seja aos 20 ou aos 80 anos, em um relacionamento monogâmico, aberto ou na solitude, o certo é aquilo que faz bem e respeita o indivíduo. “Quem somos nós para julgar a forma correta de amar?”, concluiu Lia Mara.