Aumento nas faturas de energia gera revolta na população: RGE fala em consumo e reajuste tarifário
O aumento no valor das contas de energia elétrica tem gerado dúvidas e reclamações entre consumidores de Passo Fundo. Diante de relatos de faturas com valores muito acima do habitual, a Rádio Uirapuru ouviu os coordenadores do Balcão do Consumidor da Universidade de Passo Fundo (UPF), Rogério Silva e Franco Scortegagna, que explicaram quais procedimentos devem ser adotados e de que forma os órgãos de defesa do consumidor podem auxiliar os usuários.
Mensagens recebidas pela emissora apontam casos em que consumidores que costumavam pagar cerca de R$ 200 ou R$ 300 passaram a receber faturas superiores a R$ 1 mil. As reclamações envolvem questionamentos sobre o consumo registrado, os critérios utilizados na cobrança e as dificuldades para obter esclarecimentos junto à concessionária.
O coordenador do Balcão do Consumidor da UPF e diretor da Faculdade de Direito, professor doutor Rogério Silva, foi entrevistado durante o programa Repórter do Povo, da Rádio Uirapuru, nesta segunda-feira (3), e orientou os consumidores sobre os procedimentos que podem ser adotados diante das cobranças.
Segundo Rogério Silva, é necessário analisar cada situação para identificar se houve aumento no consumo, alteração no período de cobrança ou eventual erro na fatura.
Ele explicou que as baixas temperaturas registradas durante o mês de julho podem ter contribuído para um consumo maior de energia. No entanto, destacou que aumentos considerados expressivos precisam ser esclarecidos pela concessionária.
Conforme o coordenador, a empresa responsável pelo fornecimento de energia deve disponibilizar canais adequados de atendimento e prestar informações aos consumidores. Por se tratar de um serviço essencial, a concessionária precisa estar preparada para atender o aumento na procura e esclarecer os motivos dos valores cobrados.
Também nesta segunda-feira (3), durante participação no quadro Direito do Consumidor, do programa Mix Uirapuru, o coordenador do Balcão do Consumidor da UPF, professor doutor Franco Scortegagna, orientou os consumidores que receberam faturas com valores acima do habitual.
Segundo Scortegagna, os consumidores devem procurar os órgãos de defesa do consumidor e apresentar a fatura atual, além das três últimas contas que registraram valores menores. A documentação permite formalizar a reclamação e solicitar esclarecimentos à companhia sobre o aumento identificado na cobrança de julho.
O coordenador informou que a tarifação da energia elétrica registrou um aumento de aproximadamente 14% no último mês, conforme o acompanhamento realizado pelo Balcão do Consumidor. Ele destacou que o registro das reclamações é importante, especialmente diante do número de consumidores que relatam cobranças acima do esperado.
Scortegagna explicou que o Balcão do Consumidor possui um canal exclusivo de atendimento junto à RGE, por meio do qual é possível solicitar informações e esclarecimentos sobre os valores cobrados. Conforme ele, o retorno por esse canal pode ocorrer de forma mais rápida do que quando o consumidor busca diretamente os canais de atendimento da empresa.
Em relação ao pagamento das faturas, a orientação repassada pelo coordenador é que o consumidor procure inicialmente o Balcão do Consumidor ou o Procon Municipal de Passo Fundo para formalizar a reclamação e receber orientação sobre o caso antes de efetuar o pagamento.
Como as reclamações envolvem um número significativo de consumidores, a situação também poderá ser encaminhada à Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público. Rogério Silva afirmou que o órgão pode ser acionado quando houver indícios de um problema que atinja coletivamente os usuários.
Franco Scortegagna acrescentou que a parceria entre o Balcão do Consumidor da UPF e o Ministério Público do Estado também pode contribuir para uma eventual ação civil pública, caso sejam identificadas irregularidades nas cobranças.
A Uirapuru entrou com contato com o promotor de justiça Cristiano Ledur, por envolver uma questão com consumidores.O promotor informou para a Uirapuru que vai analisar denúncias da comunidade junto á promotoria nesta semana. Pois, até a tarde de ontem (3), não haviam recebido ainda denúncias dos demais órgãos locais.
A Rádio Uirapuru entrou em contato com a CPFL RGE, que encaminhou a seguinte nota de esclarecimento, confira na íntegra:
A CPFL RGE informa que avaliou o caso do cliente informado e não foi identificada divergência de faturamento.
O que pode influenciar no valor da sua conta de energia neste inverno? CPFL RGE explica
São Leopoldo, 03 de agosto de 2026 – É comum que, em períodos de temperaturas extremas — tanto nos dias mais frios quanto nos mais quentes — o consumo médio de energia nas residências sofra alterações. Isso acontece, principalmente, pelo uso mais frequente de eletrodomésticos como aquecedores, chuveiros elétricos, ventiladores, ar-condicionado e até geladeiras, que precisam trabalhar mais para manter a temperatura ideal.
A CPFL RGE esclarece que esse cenário pode ser resultado de uma combinação de fatores típicos da estação. Além do aumento natural no consumo, o reajuste anual, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em junho, também impacta o valor da fatura.
Em 19 de junho, entrou em vigor o reajuste tarifário da CPFL RGE, aprovado pela Aneel. O índice médio aplicado para consumidores residenciais foi de 14,98%.
No cálculo das tarifas, a Aneel considera a previsão de custos com compra de energia (geração), sistema de transmissão e os encargos setoriais, de acordo com as regras estabelecidas para o setor. Para a distribuição da energia elétrica, única parte que a CPFL RGE gerencia, a ANEEL estabelece a receita eficiente para a empresa.
Como entender sua fatura: A conta de luz traz o histórico de consumo dos últimos 12 meses, permitindo ao cliente comparar os períodos e verificar se houve aumento no uso de energia. Mudanças de hábito durante o inverno — como banhos mais longos e uso prolongado de aquecedores — podem gerar variações significativas no valor final.
Confira o consumo dos principais equipamentos e sugestões de pequenos cuidados que você pode ter para economizar:
O chuveiro elétrico é o aparelho que mais consome energia em uma residência. Ao utilizá-lo no modo “inverno”, o acréscimo no consumo é de até 30% em relação ao modo “verão”. O banho passa a ser responsável por 25% a 35% dos gastos na conta de luz nos dias mais gelados. Para economizar, reduza o tempo do banho.
O uso das secadoras também cresce e o aparelho consome entre 80 a 100 kWh por mês, quando utilizado uma vez ao dia. O frio também contribui para que se use mais a lavadora, que consome mensalmente cerca de 36 kWh, 5% do consumo total de uma residência, quando ligada duas vezes por semana. Já o ferro de passar roupa, quando ligado por uma hora durante 12 dias, pode representar de 12 a 20 kWh no final do mês. A dica aqui é acumular roupa para lavar e secar tudo de uma única vez. Esse conselho também vale para quando for usar o ferro elétrico.
Aquecedores de ambientes também são recorrentes e o consumo médio mensal do aparelho pode chegar a 160 kWh. Por isso, quando for comprar um aquecedor, certifique-se que seu tamanho e potência estão adequados ao ambiente em que será utilizado. Isso evita gasto de energia desnecessário. Outra dica é escolher modelos com timer, assim, quando o cômodo estiver na temperatura ideal, o aparelho desliga. Se optar por utilizar ar-condicionado, uma opção viável é a instalação de ar-condicionado no modelo inverter, que economiza até 40% em comparação aos equipamentos convencionais.
Outras dicas que vão ajudar na economia de energia:
Um eletrodoméstico muito utilizado neste momento em que as pessoas estão mais em casa é a televisão. O consumo mensal de energia elétrica fica entre 10 e 30kWh, e ele pode ser responsável entre 5% e 10% da sua conta. Por isso, lembre-se de desligar a TV quando ninguém estiver assistindo. Não deixe o aparelho ligado enquanto estiver dormindo, utilize as funções timer ou sleep de desligamento automático. Se for comprar, escolha televisores mais econômicos, modelos mais modernos tem menor consumo. As lâmpadas também têm um papel importante no consumo, a iluminação representa de 5% a 15% do valor da sua conta de energia. É bom evitar acender lâmpadas durante o dia e aproveitar mais, sempre que possível, a luz natural. Lembre-se sempre de apagar as lâmpadas dos ambientes desocupados e dê preferência a lâmpadas de LED. Elas iluminam melhor, duram mais e consomem menos energia.
