Canetas emagrecedoras representam avanço no tratamento da obesidade, mas uso deve ser com cautela
As chamadas canetas emagrecedoras vêm transformando o tratamento da obesidade e já são consideradas um dos principais avanços da medicina na área. O tema foi abordado no programa Emoção, Afeto e Comportamento, da Rádio Uirapuru, apresentado por Erico Hecktheuer, que recebeu o endocrinologista e coordenador do curso de Medicina da Universidade de Passo Fundo (UPF), Pérsio Stobbe.
Durante a entrevista, o especialista esclareceu dúvidas sobre a eficácia, a segurança, as indicações e os possíveis efeitos colaterais desses medicamentos. Segundo ele, os fármacos da classe dos análogos do GLP-1 representam uma das maiores evoluções no tratamento da obesidade nas últimas décadas, oferecendo resultados mais expressivos e seguros do que os tratamentos disponíveis anteriormente.
Conforme Stobbe, essas medicações foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Com o avanço das pesquisas, verificou-se que elas também promovem perda significativa de peso, além de contribuírem para a redução do risco de complicações cardiovasculares, doenças renais e problemas no fígado.
O endocrinologista explicou que esses medicamentos imitam a ação de hormônios produzidos naturalmente pelo intestino após a alimentação. Eles estimulam a produção de insulina, ajudam no controle da glicose e enviam sinais ao cérebro que aumentam a sensação de saciedade. Como consequência, o paciente sente menos fome, reduz a ingestão de alimentos e consegue emagrecer de forma mais consistente quando o tratamento é associado à reeducação alimentar e à prática de atividade física.
Durante a conversa, Stobbe ressaltou que a obesidade deve ser encarada como uma doença crônica e um importante problema de saúde pública. Segundo ele, mais da metade da população brasileira apresenta excesso de peso e mais de 20% já são considerados obesos, condição que aumenta o risco para doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, doenças renais e diversos tipos de câncer.
O médico destacou ainda que as canetas emagrecedoras não são indicadas para qualquer pessoa que deseja perder peso por motivos estéticos. O tratamento é recomendado principalmente para pacientes com obesidade ou com sobrepeso associado a outras doenças, como diabetes, hipertensão, gordura no fígado, problemas articulares e outras comorbidades. A indicação deve ser individualizada e sempre realizada por um profissional habilitado.
Outro ponto enfatizado foi o risco da automedicação. Apesar de serem medicamentos considerados seguros, eles apresentam contraindicações e podem provocar efeitos colaterais, principalmente gastrointestinais. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar a evolução do paciente, orientar mudanças no estilo de vida, incentivar a prática de exercícios físicos e preservar a massa muscular durante o processo de emagrecimento.
Segundo Pérsio Stobbe, o sucesso do tratamento depende da combinação entre a medicação e hábitos saudáveis. A adoção de uma alimentação equilibrada, a realização de atividades físicas e o acompanhamento profissional continuam sendo fundamentais para alcançar resultados duradouros e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
