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A mesma ladeira pode parecer castigo para uma pessoa e caminho para outra.

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
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Uma olha para cima e vê cansaço antes mesmo de dar o primeiro passo. Senta no meio das flores caídas, encosta o rosto nos joelhos e começa a contar tudo que perdeu: o tempo, a vontade, a coragem, a chance que não veio. O sol está ali, mas ela só consegue reparar na sombra do próprio peso.

A outra também vê a subida. Também sente o joelho reclamar, também tem medo de escorregar, também já se perguntou se conseguiria continuar. Só que, em vez de esperar a vida ficar plana, aprende a dançar no terreno torto. Não porque tudo esteja fácil. Porque ficar parada doía mais.

A diferença, às vezes, não está no tamanho do problema. Está no lugar de onde a gente olha.

Tem dia que a vida derruba flores no chão e a gente acha que acabou o jardim. Tem dia que uma porta fecha e parece que a casa inteira perdeu saída. Tem dia que a notícia ruim ocupa tanto espaço que o resto desaparece: o café ainda quente, a mensagem de quem lembrou, o céu mudando de cor, a pequena força que sobrou escondida em algum canto.

Ninguém vive sorrindo o tempo todo. Isso seria teatro. Tem hora de sentar, chorar baixo, tirar o sapato, admitir que cansou. Mas morar nessa cena por tempo demais muda até a nossa voz. A gente começa a conversar com o mundo como se tudo já viesse contra nós.

E nem tudo vem.

Às vezes, a vida só está pedindo outro ângulo. Um passo menor. Uma pausa sem desistência. Um jeito menos duro de atravessar o dia. A flor caída ainda pode enfeitar a mesa. A ladeira ainda pode levar a uma vista bonita. O atraso pode ter livrado você de um caminho. O fim pode ter aberto espaço onde antes só havia aperto.

Não se trata de fingir leveza.

Trata-se de não entregar seus olhos para a parte mais escura da paisagem. Porque a vida muda muito quando você para de procurar apenas o que falta e começa a perceber o que ainda está de pé.

@diarioespirita1

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