Amadurecer é compreender que nem tudo acontecerá como imaginamos
Quando somos crianças, imaginamos o futuro sem pedir autorização à realidade. Não calculamos riscos, não pensamos no fracasso, não perguntamos se somos capazes. Apenas desejamos.
Depois crescemos.
E descobrimos que existem contas, perdas, rejeições, cansaço, imprevistos e portas que não se abrem simplesmente porque batemos nelas.
Mas existe uma diferença enorme entre amadurecer e se tornar descrente.
Amadurecer é compreender que nem tudo acontecerá como imaginamos.
Tornar-se descrente é concluir que, por isso, nada mais vale a pena imaginar.
Talvez alguns sonhos precisem mudar de forma. Talvez outros precisem esperar. Alguns, inevitavelmente, precisarão ser deixados para trás.
Mas há sonhos que não deveriam ser abandonados apenas porque a realidade ficou mais difícil do que imaginávamos.
Porque, às vezes, aquele sonho antigo não era uma previsão sobre o futuro.
Era uma pista sobre nós.
Uma pequena lembrança de quem éramos antes de aprender a diminuir nossos desejos para caber nas circunstâncias.
E talvez seja por isso que certas vontades continuam voltando, mesmo depois de tantos anos.
Não para nos lembrar do que perdemos.
Mas do que ainda somos capazes de querer.
Por @escritologia
