Não há verdadeira transformação sem alguma renúncia
Se decidirmos evoluir, devemos estar preparados para as renúncias e despedidas, pois nem tudo acompanhará o despertar da nossa consciência.
O progresso moral modifica necessariamente as relações do Espírito com aquilo que o cerca.
À medida que compreende melhor os deveres da existência, que reconhece os próprios erros e aprende a distinguir o necessário do supérfluo, torna-se natural que certas inclinações, hábitos, interesses e vínculos deixem de conservar sobre ele a mesma influência.
Não há verdadeira transformação sem alguma renúncia.
O homem que deseja permanecer exatamente como sempre foi, conservando os mesmos apegos, as mesmas paixões e as mesmas conveniências, dificilmente poderá pretender uma renovação profunda de si mesmo.
A consciência esclarecida cria novas responsabilidades.
Aquilo que antes aceitávamos sem reflexão pode tornar-se incompatível com os princípios que passamos a reconhecer como justos. Certos ambientes deixam de nos satisfazer. Algumas relações perdem a afinidade que possuíam. Determinadas escolhas, outrora toleradas, começam a pesar sobre a consciência.
Não significa que devamos desprezar aqueles que permanecem em outra condição moral.
Cada Espírito possui o seu tempo, as suas provas e o seu grau de entendimento.
A evolução não nos autoriza a julgar ninguém.
Ensina-nos apenas que não devemos abandonar o bem compreendido para conservar aquilo que já não corresponde à nossa consciência.
Há despedidas que não representam ingratidão, mas consequência natural de caminhos que começaram a seguir direções diferentes.
Também há renúncias que parecem perdas aos olhos do mundo, embora sejam verdadeiros ganhos para o Espírito.
Progredir exige coragem para deixar para trás aquilo que já cumpriu sua função em nossa caminhada.
Porque a consciência, uma vez esclarecida, dificilmente consegue repousar por muito tempo onde já reconheceu que não deve permanecer.
Por @diarioespirita1
