O começo e o fim se parecem mais do que gostamos de admitir
No início, precisamos de mãos que nos levantem, olhos que nos vigiem, vozes que nos ensinem a andar. No fim, voltamos a precisar de paciência, cuidado, companhia e ternura. Entre uma fragilidade e outra, chamamos tudo de vida.
O intervalo é curto, embora pareça imenso quando somos jovens. A gente corre atrás de dinheiro, reconhecimento, razão, beleza, aprovação, vitória. Perde noites por orgulho, rompe laços por bobagem, adia abraços, economiza palavras boas e vive como se o tempo ainda nos devesse muitas décadas.
Mas o tempo não negocia.
Um dia, o corpo desacelera. A pressa perde sentido. A vaidade fica cansada. As discussões antigas parecem pequenas. E aquilo que realmente importava aparece com uma clareza quase dolorosa: quem amamos, quem cuidou de nós, quem esteve presente, quem recebeu pouco carinho quando merecia mais.
A vida não pede que você vença todos. Pede que você não desperdice o intervalo.
Aproveite a mesa com gente querida. A ligação que ainda pode ser feita. O pedido de perdão que ainda cabe na boca. A visita que você vive adiando. O café simples. O riso bobo. A saúde possível. O dia comum que, amanhã, talvez seja saudade.
No começo, alguém nos conduz.
No fim, alguém talvez nos conduza novamente.
Entre esses dois instantes, escolha viver de um jeito que, ao olhar para trás, sua alma não precise perguntar por que deixou tanto amor para depois.
