Ponto e Contraponto: Campanha pelo voto local e o destino real dos votos
A lista de pré-candidatos a deputado federal por Passo Fundo aumentou. Ingra Costa e Silva (Psol) passa a compor a relação com a confirmação de que voltará a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, como já fez em 2022, quando obteve pouco mais de 4 mil votos. Na eleição daquele ano, 11 candidatos de Passo Fundo participaram do pleito, somando 110.945 votos, de um total de 149.799 votos válidos. Até o momento, há sete pré-candidatos. Embora aparente uma redução em relação a 2022, o número de eleitores também deve cair, para cerca de 148 mil. A divulgação do dado oficial ocorrerá apenas em junho.
Identidade
A campanha pelo voto local em Passo Fundo, embora legítima e necessária para fortalecer a identidade política do município, não tem se traduzido, até este momento, em êxito eleitoral no sistema proporcional atual. Os dados mostram que a cidade mantém um comportamento histórico: vota bem em seus candidatos, mas não os elege — ao mesmo tempo que contribui decisivamente para a eleição de candidatos de outras regiões. Para reverter esse quadro, seria preciso uma mudança estratégica profunda, tanto por parte dos candidatos (capilaridade estadual) quanto do eleitor (voto mais concentrado e consciente do funcionamento do sistema proporcional).
Quais são os nomes
- Ada Munaretto (Novo)
- Beto Albuquerque (PSB)
- Iriel Sachetti (Podemos)
- Ingra Costa e Silva (PSol)
- Júlio Stobbe (PT)
- Luciano Azevedo (PSD)
- Renato Tiecher (PL)
Votação
É importante relembrar alguns desempenhos. Ada Cristina Munaretto concorreu pelo PL em 2022 e agora é pré-candidata do Novo. Ela totalizou 9.972 votos, sendo 4.353 votos locais (em Passo Fundo). Ingra Costa e Silva (PSOL) fez 4.169 votos, dos quais 2.438 em Passo Fundo. Luciano Azevedo (PSD) somou 77.249 votos, sendo 52.059 de eleitores locais. Renato Tiecher (PL) disputou como deputado estadual em 2022, obtendo 4.924 votos, com 3.895 vindos de Passo Fundo. Este ano, ele concorre à Câmara Federal.
Os números
O aspecto mais interessante ao relembrar o desempenho dos candidatos a deputado federal é que, se considerarmos apenas os votos dos eleitores de Passo Fundo, dos dez candidatos mais votados na cidade, apenas três estão nesta lista: pela ordem, Luciano Azevedo, Ada Munaretto e Ingra Costa e Silva. Os outros sete candidatos entre os dez mais votados receberam, juntos, 16.676 votos na cidade — e todos eles foram eleitos, diferentemente dos três de Passo Fundo, que aparecem na lista mas não se elegeram. O caso de Luciano Azevedo é simbólico: ele obteve a maior votação individual como candidato a federal e, mesmo assim, ficou na suplência. Assumiu o cargo por um ano em função de uma negociação com o governador Eduardo Leite, que levou Danrlei para a Secretaria de Esportes.
Bases diferentes
Importante reforçar aqui, que isso ocorre porque o sistema proporcional brasileiro favorece candidatos com votos distribuídos em várias regiões ou com forte apelo em grandes centros eleitorais. Passo Fundo, sozinha, não tem peso suficiente para eleger um deputado federal — mesmo quando dá mais de 50 mil votos a um único nome e isso ficou claro. Agora, terá peso suficiente se conseguir reduzir o alto índice de abstenção e se todos os candidatos conseguirem ampliar suas bases para outras regiões.
