Ponto e Contraponto: Seis meses de negociação e um novo patamar logístico
O investimento de R$ 36 milhões que a prefeitura fará na ampliação da pista do aeroporto Lauro Kortz só foi possível porque o governo do Estado assumiu os custos da execução do trevo da Roselândia. Essa negociação começou há mais de seis meses, logo após o ECB Group vencer a licitação para a concessão do aeroporto. No entanto, uma mudança na categoria do aeroporto — que restringiu aeronaves de grande porte e condicionou a operação ao alargamento da pista — pegou o ECB Group de surpresa, já que essa exigência não constava no edital. Para evitar uma possível desistência do futuro gestor, a prefeitura iniciou uma articulação com o governo do Estado. Foram muitas e intensas negociações, envolvendo diretamente o prefeito Pedro Almeida, o secretário de Desenvolvimento Adolfo de Freitas, o procurador do Município Giovani Corralo e o empresário Erasmo Battistella. Pelo lado do governo, o grande articulador foi o ex-chefe da Casa Civil Artur Lemos, atualmente responsável pela Secretaria Extraordinária Geral de Governo. O ex-assessor do governador Mateus Wesp também contribuiu nessa caminhada.
Articulação
A proposta foi alterar orçamento: o município usaria os R$ 36 milhões na obra da pista, e o Estado investiria o mesmo valor no trevo da Roselândia. Além disso, o Estado ganhou de presente o projeto técnico, que foi contratado por um grupo de empresários. O prefeito Pedro Almeida afirmou que a negociação não foi fácil, mas foi construída a partir de premissas jurídicas. Esta semana, Estado e município firmaram um documento de garantia dos recursos para o trevo da Roselândia. Pelo lado do município, o dinheiro já está reservado para o alargamento da pista do aeroporto, que passará de 35 para 45 metros. O projeto, que precisa ser validado pela Câmara de Vereadores, já foi protocolado.
Resultado
O efeito de toda essa negociação veio esta semana, com o anúncio das melhorias, que trarão três resultados concretos: retomada de voos cargueiros – pela primeira vez no interior do Estado, será viabilizado o transporte aéreo regular de cargas; ampliação de rotas de passageiros – aeronaves maiores poderão operar com mais segurança e eficiência, aumentando a conectividade regional; e maior segurança operacional – a pista mais larga reduz riscos e melhora o desempenho das operações existentes. Essas mudanças posicionam Passo Fundo como hub logístico do Norte do RS, integrando a região à Serra, ao Oeste catarinense e ao Mercosul.
Conexão
A implantação de um Terminal de Cargas Aéreas com 1.500 m² de área útil, em modelo modular e expansível, trará impactos diretos sobre a economia local e regional, fortalecendo as exportações – Passo Fundo é o 3º maior exportador do RS (superávit de US$ 1,57 bi). Também atrairá novos investimentos – centros de distribuição, operadores logísticos e empresas de tecnologia, saúde e educação superior poderão se instalar na região, gerando empregos diretos e indiretos. Outro fator é a integração multimodal – a conexão entre os modais aéreo e rodoviário otimizará a cadeia logística e atrairá grandes players como Shopee, Amazon, entre outras.
Potencial de consumo
O potencial de consumo de Passo Fundo é de R$ 12,5 bilhões e R$ 68,2 mil per capita para 2026. O para a 7ª posição, à frente de Novo Hamburgo. Com mais de 41 mil empresas, um mercado consumidor de alto poder aquisitivo e setores econômicos bem estruturados, a cidade se consolida como um dos polos regionais mais importantes do Rio Grande do Sul. A diversificação entre indústria, comércio e serviços, aliada a uma classe C forte e ao consumo aquecido nas áreas de saúde, educação e habitação, reforça o potencial do município para novos investimentos e expansão econômica.
Edital
O prefeito Pedro Almeida está entusiasmado com o edital da área onde esteve instalada a norte-americana Manitowoc. Feitos ajustes solicitados pela B3, de São Paulo, o edital será publicado no segundo semestre e terá divulgação nacional, devendo atrair atrair investidores nacionais e até internacionais.
