Skip to content

Ter inimigo não é problema, mas sim ser inimigo

Públicado em Por RD Uirapuru / Ieda Almeida
Imagem não disponível

Ter inimigos não é o drama maior da vida. O drama se instala quando permitimos que a sombra do outro encontre residência em nossa intimidade. Muitas vezes, a criatura que nos fere revela a enfermidade que carrega, mas nós, ao devolver a agressão, passamos a carregar a enfermidade que condenávamos.

Na caminhada terrena, todos somos Espíritos em tratamento. Uns chegam com a aspereza do orgulho, outros com as marcas da inveja, outros com a cegueira da mágoa, incapazes de perceber que ferem porque ainda não aprenderam a amar. Mas aquele que já despertou para a luz do Cristo não pode justificar a própria queda com a queda alheia.

O inimigo, quando aparece, é um espelho severo. Ele nos mostra onde ainda somos vulneráveis, onde desejamos aprovação, onde reagimos por vaidade, onde confundimos justiça com vingança. Por isso, a presença daquele que nos contraria pode se transformar em instrumento de educação espiritual, se soubermos observar sem ódio e responder sem veneno.

Não se pede que abracemos a maldade, nem que permaneçamos submissos ao abuso. O Evangelho não ensina covardia. Ensina grandeza. Afastar-se com serenidade, silenciar com dignidade, perdoar sem permitir novas feridas, tudo isso é expressão de amor maduro.

Ser inimigo é outra coisa. É escolher alimentar a treva dentro de si. É dormir pensando no mal do outro, é acordar buscando resposta amarga, é transformar a própria alma em tribunal permanente. Quem vive assim entrega a liberdade ao desafeto e passa a ser prisioneiro daquele a quem diz desprezar.

Jesus, diante dos que o perseguiam, não se fez perseguidor. Kardec nos recorda que fora da caridade não há salvação, e a caridade começa quando a nossa vontade seria não ferir. O amor verdadeiro não é sentimentalismo frágil. É disciplina da alma diante da provocação.

Se alguém te tem por inimigo, ora por ele. Se alguém te fere, protege-te e segue. Se alguém te calunia, trabalha no bem. Mas não permitas que a amargura te rebaixe ao nível da ofensa. A vitória do Espírito não está em destruir quem o combate, mas em não se destruir por dentro enquanto é combatido.

Por @diarioespirita1

Notícias Relacionadas