Transporte mais caro ajuda a elevar preço dos alimentos da cesta básica em Passo Fundo
A cesta básica ficou mais cara em Passo Fundo no mês de abril e registrou a maior alta mensal dos últimos 12 meses, conforme levantamento divulgado pela Universidade de Passo Fundo (UPF). O custo passou de R$ 1.638,80 em março para R$ 1.707,21 em abril, representando um aumento de 4,17% em apenas 30 dias, o equivalente a R$ 68,41 a mais no orçamento das famílias. O avanço expressivo nos preços levanta questionamentos sobre os fatores que impulsionaram essa alta, como o impacto dos combustíveis, as condições climáticas no Brasil, os efeitos de conflitos internacionais e questões sazonais que afetam a produção e distribuição de alimentos.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, a coordenadora das pesquisas da Cesta Básica da UPF, Mariza De Almeida, explicou que o principal fator responsável pelo aumento registrado em abril foi a alta nos produtos hortifrutigranjeiros, especialmente itens como batata, cenoura e cebola. Segundo ela, o aumento está relacionado ao encerramento do período de safra desses produtos, o que reduz a oferta no mercado e acaba pressionando os preços.
A professora destacou que se trata de um movimento sazonal, comum nesta época do ano, e que também foi registrado em outras regiões do país. Mariza explicou ainda que fatores como combustíveis e inflação também influenciam nos preços, principalmente de forma indireta, através dos custos de transporte e distribuição dos alimentos. Conforme a coordenadora, nos últimos 12 meses a cesta básica acumulou alta próxima de 10%, impactando diretamente o orçamento das famílias passo-fundenses. A pesquisa realizada pela UPF leva em consideração três grandes grupos: alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica. O levantamento é realizado mensalmente em mercados de diferentes bairros da cidade, analisando os preços médios de diversos produtos consumidos pelas famílias.
Sobre os próximos meses, a expectativa da pesquisadora é de que os preços permaneçam elevados, mantendo a cesta básica na faixa dos R$ 1,7 mil. Ela também alertou que fatores climáticos, como a possibilidade de um El Niño mais intenso em 2026, podem trazer impactos para a produção agrícola e influenciar novamente os preços dos alimentos ao longo do ano.
