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País

Desemprego recua para 5,3%, enquanto inadimplência atinge recorde no Brasil

Públicado em Por RD Uirapuru / Gabriel Nunes
Agência Brasil

O mercado de trabalho brasileiro segue apresentando números positivos, com a taxa de desemprego em 5,3% e a população ocupada alcançando o maior nível da série histórica. Ao mesmo tempo, as famílias enfrentam uma situação financeira mais apertada, marcada pelo aumento da inadimplência no crédito.

Os dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Banco Central (BC) mostram esse contraste na economia brasileira.

No trimestre encerrado em agosto, o país chegou a 103,5 milhões de pessoas ocupadas, enquanto o número de brasileiros desocupados ficou em 5,8 milhões.

Na outra ponta, a taxa média de inadimplência nas operações de crédito chegou a 5% em agosto, segundo o Banco Central. É o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em março de 2011.

Mercado de trabalho ainda sustenta renda e consumo

A baixa taxa de desemprego continua contribuindo para manter a renda das famílias e dar sustentação ao consumo. No entanto, economistas avaliam que alguns sinais indicam uma perda gradual de força na geração de empregos.

O crescimento da ocupação ficou concentrado principalmente em segmentos como construção e indústria, enquanto outros setores apresentaram estabilidade.

Para Leonardo Costa, economista do ASA Investimentos, o mercado de trabalho permanece em um cenário positivo, mas a desaceleração na criação de vagas e o comportamento da massa salarial exigem atenção.

A avaliação é de que o ambiente pode se tornar menos favorável ao consumo caso a renda das famílias perca ritmo.

A economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, também destaca que os efeitos de uma economia mais fraca costumam aparecer primeiro na contratação de novos trabalhadores. O estoque de empregos, segundo ela, tende a reagir posteriormente.

Taxa de desemprego fica em 5,3%

De acordo com a pesquisa do IBGE, a taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto.

O resultado representa uma redução de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio, quando a taxa estava em 5,6%. Na comparação com o mesmo período de 2025, também houve queda de 0,3 ponto percentual.

O número de pessoas sem trabalho ficou em 5,8 milhões.

Enquanto isso, a população ocupada chegou a 103,5 milhões, novo recorde da série histórica. O contingente cresceu 0,8% no trimestre, o equivalente a 774 mil pessoas, e avançou 1% em um ano, com acréscimo de aproximadamente 1,1 milhão de trabalhadores.

O nível de ocupação, que mede a proporção da população em idade de trabalhar que está empregada, ficou em 58,9%.

Principais números do mercado de trabalho

  • Taxa de desemprego: 5,3%
  • Pessoas desocupadas: 5,8 milhões
  • População ocupada: 103,5 milhões
  • Pessoas fora da força de trabalho: 66,4 milhões
  • População desalentada: 2,4 milhões
  • Empregados com carteira assinada: 39,5 milhões
  • Empregados sem carteira assinada: 13,7 milhões
  • Trabalhadores por conta própria: 26,1 milhões

Inadimplência chega ao maior nível da série histórica

Apesar do mercado de trabalho aquecido, o endividamento das famílias continua sendo um ponto de atenção.

Dados do Banco Central mostram que a inadimplência nas operações de crédito subiu de 4,9% para 5% entre julho e agosto.

O indicador considera operações com mais de 90 dias de atraso e inclui tanto pessoas físicas quanto empresas.

Entre os consumidores, a situação foi ainda mais intensa. A inadimplência das pessoas físicas passou de 5,8% para 6% no período, atingindo o maior nível desde o início da série histórica.

No caso das empresas, o índice permaneceu em 3,3%. Apesar da estabilidade mensal, trata-se do maior percentual desde outubro de 2017, quando o indicador havia alcançado 3,4%.

Juros altos pressionam o crédito

O comportamento da inadimplência ocorre em um cenário de juros ainda elevados.

A combinação entre crédito mais caro e uma eventual perda de ritmo da atividade econômica pode dificultar a situação financeira de famílias e empresas.

Ao mesmo tempo, a desaceleração do mercado de trabalho pode reduzir gradualmente o impulso proporcionado pela renda ao consumo.

Por isso, economistas acompanham de perto a evolução simultânea do emprego, dos salários, do crédito e da inadimplência.

Contas públicas registram déficit em agosto

Outro indicador divulgado nesta terça-feira ajuda a completar o panorama da economia brasileira: o resultado das contas do governo.

Segundo dados do Tesouro Nacional, o governo registrou déficit primário de R$ 13,58 bilhões em agosto.

O resultado significa que as despesas superaram as receitas no período. O cálculo do resultado primário não inclui os gastos com juros da dívida pública.

Apesar do déficit, houve melhora em relação a agosto do ano anterior, quando o resultado negativo, corrigido pela inflação, havia chegado a R$ 16,2 bilhões.

O resultado de agosto também foi o melhor para o mês desde 2021, quando o déficit primário havia ficado em R$ 11,8 bilhões, considerando os valores corrigidos pela inflação.

Situação fiscal influencia trajetória dos juros

A evolução das contas públicas é acompanhada de perto pelo mercado financeiro porque a situação fiscal pode influenciar as expectativas de inflação e a condução da política monetária.

Economistas avaliam que uma trajetória fiscal mais favorável pode criar condições para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros, desde que a inflação permaneça sob controle.

Ao mesmo tempo, os sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho podem aumentar a discussão sobre novos cortes da Selic.

Banco Central mantém cautela sobre os próximos cortes da Selic

Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central reforçou que a condução dos juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos.

A autoridade monetária destacou a necessidade de avaliar o cenário de inflação e as condições econômicas antes de definir a intensidade dos próximos movimentos da taxa básica.

Na reunião mais recente mencionada no levantamento, o Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, representando o quinto corte consecutivo.

O cenário, portanto, combina indicadores distintos: o Brasil mantém desemprego baixo e número recorde de pessoas ocupadas, mas enfrenta aumento da inadimplência e sinais de desaceleração na criação de vagas. A evolução desses fatores será importante para determinar os próximos passos da economia e da política de juros.