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Agricultura

Dia do Agricultor: Dívidas e riscos climáticos desafiam a produção, destaca Sindicato Rural 

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

Celebrado nesta terça-feira (28), o Dia do Agricultor reforça a importância de um setor que responde pela produção de alimentos, geração de empregos e movimentação da economia brasileira. No Rio Grande do Sul, porém, a data também evidencia uma série de desafios enfrentados pelos produtores rurais, que convivem com dificuldades financeiras, instabilidade climática, aumento dos custos de produção e problemas relacionados à sucessão familiar.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Passo Fundo, Carlos Fauth, a principal preocupação do momento é o elevado endividamento dos agricultores. Ele explica que, nos últimos seis anos, o estado enfrentou cinco safras marcadas pela seca nas culturas de verão, cenário que comprometeu a capacidade financeira de muitos produtores.

Além das perdas provocadas pelo clima, a redução dos preços das commodities e o aumento dos custos de produção agravaram a situação. Conforme Fauth, muitos agricultores acumulam dívidas não apenas com instituições financeiras, mas também com cooperativas, cerealistas, revendas e fornecedores de insumos.

Na avaliação do dirigente, as medidas anunciadas pelo governo federal para renegociação das dívidas não contemplam a maior parte dos produtores que enfrentam dificuldades.

Outro reflexo da atual conjuntura é a redução da área destinada ao cultivo de trigo. De acordo com o presidente do Sindicato Rural, a área plantada diminuiu cerca de 40% neste ano, enquanto houve aumento na produção de canola. Entre os fatores apontados estão a falta de capital para investimento, os riscos climáticos e a baixa cobertura oferecida pelo seguro agrícola, que, segundo ele, se tornou mais caro e menos abrangente nos últimos anos.

Os custos de produção também seguem pressionando o setor. Fauth destaca que a dependência brasileira da importação de fertilizantes torna o agronegócio vulnerável às oscilações do mercado internacional e aos conflitos geopolíticos, fatores que impactam diretamente os preços dos insumos utilizados nas lavouras.

Embora a região de Passo Fundo conte com tecnologia considerada equivalente à utilizada em países desenvolvidos, o presidente do Sindicato Rural afirma que a infraestrutura continua sendo um dos principais gargalos. A ausência de transporte ferroviário, as limitações das rodovias e a distância dos principais portos elevam os custos para o escoamento da produção agrícola e das cadeias de proteína animal.

Outro desafio apontado é a sucessão familiar no campo. Segundo Fauth, cada vez mais jovens deixam as propriedades em busca de oportunidades nas cidades, enquanto os produtores mais antigos envelhecem. A dificuldade em encontrar mão de obra qualificada também preocupa o setor, principalmente diante da modernização das máquinas agrícolas.

Para enfrentar esse cenário, o Sindicato Rural atua em conjunto com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), oferecendo cursos de qualificação e acompanhando as demandas da categoria.