Skip to content

Geral

Dia do Geólogo: terras raras colocam o Brasil no centro da disputa mundial, afirma especialista

| RD Uirapuru / Suélen Kommers
Geólogo explica como as terras raras colocam o Brasil em destaque na disputa global por minerais estratégicos.
Geólogo explica como as terras raras colocam o Brasil em destaque na disputa global por minerais estratégicos.

Especialista explica por que minerais estratégicos encontrados no Brasil despertam interesse internacional e ganham importância na indústria tecnológica

Neste sábado, 30 de maio, o Dia do Geólogo chama atenção para um tema que ganhou espaço nas discussões internacionais: as terras raras e o potencial do Brasil na disputa mundial por minerais estratégicos. A data também reforça a importância dos profissionais da geologia, que passaram a atuar de forma ainda mais intensa após as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, principalmente em análises de áreas de risco, estabilidade de solo e prevenção de desastres.

Durante entrevista à Rádio Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni explicou que o interesse internacional por esses minerais cresceu nos últimos anos. Segundo ele, a expansão da indústria eletrônica, dos carros elétricos e da inteligência artificial impulsionou a procura por materiais estratégicos.

Fragomeni destacou que elementos como neodímio, lítio e nióbio estão presentes em celulares, baterias e computadores. Conforme o especialista, atualmente um telefone celular pode conter praticamente toda a tabela periódica em sua composição.

O especialista destacou ainda que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, fator que desperta interesse internacional devido à importância desses minerais para setores tecnológicos e industriais. Apesar do potencial, segundo ele, o país ainda depende da China para o beneficiamento dos materiais, já que os minerais extraídos no território brasileiro muitas vezes são exportados em estado bruto e retornam ao mercado na forma de produtos industrializados.

Fragomeni também explicou que o termo “terras raras” pode gerar confusão. Isso porque os minerais não são necessariamente difíceis de encontrar, mas exigem processos complexos e caros para separação e beneficiamento. Conforme o geólogo, esses elementos aparecem em pequenas concentrações espalhadas em grandes volumes de solo, o que demanda alta tecnologia e grandes intervenções ambientais.

Dia da Conservação do Solo: manejo correto garante proteção para seca e na chuva
Especialistas destacam importância das áreas protegidas para o equilíbrio ambiental em Passo Fundo

Conforme Fragomeni, muitos materiais retirados do solo brasileiro são exportados em estado bruto. Depois disso, retornam ao mercado nacional já industrializados. O especialista citou o lítio como um dos exemplos dessa realidade.

Durante a entrevista, Fragomeni também explicou que o termo “terras raras” costuma gerar interpretações equivocadas. Isso porque os minerais não são difíceis de encontrar. O grande desafio está no processo de separação e beneficiamento.

Segundo ele, esses elementos aparecem em pequenas concentrações espalhadas em grandes volumes de solo. Dessa forma, a extração exige tecnologia avançada e altos investimentos. Além disso, o processo demanda grandes intervenções ambientais.

O especialista também comentou sobre o potencial mineral do Rio Grande do Sul. Conforme Fragomeni, o estado possui pesquisas relacionadas ao petróleo na Bacia de Pelotas. Além disso, existem reservas de ouro em Lavras do Sul e perspectivas envolvendo cobre e titânio.

Fragomeni observou ainda que muitos projetos de mineração dependem das oscilações do mercado internacional. Por isso, a viabilidade econômica das atividades varia conforme o preço dos minerais no exterior.

Outro tema abordado foi o futuro do carvão mineral no estado. Segundo o geólogo, apesar das grandes reservas existentes no Rio Grande do Sul, o setor enfrenta dificuldades. Isso ocorre devido à busca mundial por fontes de energia menos poluentes.

Conforme o especialista, diversos países passaram a investir em alternativas como energia solar e eólica. Dessa maneira, o carvão perdeu espaço na matriz energética global nos últimos anos.

Além da mineração, Fragomeni ressaltou a atuação dos geólogos em áreas como planejamento urbano e preservação ambiental. O profissional também destacou a importância do trabalho na prevenção de desastres naturais.

Após os eventos climáticos extremos registrados em 2024, órgãos públicos intensificaram o mapeamento de áreas vulneráveis. Municípios como Passo Fundo já contam com estudos voltados à prevenção de riscos geológicos.