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Agricultura

Emater aponta potencial de crescimento da canola na região de Passo Fundo 

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A semeadura da canola está praticamente concluída no Rio Grande do Sul e a cultura registra forte crescimento na região de Passo Fundo. Impulsionada pela busca por alternativas de renda durante o inverno e pela redução da área destinada ao trigo, a oleaginosa vem ganhando espaço entre os produtores gaúchos.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, o gerente regional da Emater/RS-Ascar, Oriberto Adami, informou que as condições climáticas favoreceram o plantio neste ano. Segundo ele, a canola exige cuidados desde a semeadura devido ao tamanho reduzido da semente, mas o período teve chuvas adequadas, garantindo boa germinação e desenvolvimento inicial das lavouras. Na região, a área cultivada passou de cerca de 6,2 mil hectares no ano passado para aproximadamente 33 mil hectares nesta safra.

De acordo com Adami, o crescimento está relacionado principalmente à rentabilidade observada na última safra e às dificuldades enfrentadas por outras culturas de inverno, especialmente o trigo. Ele destacou que a canola apresentou produtividade considerada positiva, com médias próximas de 1.800 quilos por hectare, chegando a cerca de 2 mil quilos por hectare em algumas áreas, além de preços que estimularam novos investimentos dos produtores.

Apesar do avanço registrado na região de Passo Fundo, as maiores áreas cultivadas continuam concentradas no noroeste gaúcho, especialmente nas regiões de Ijuí, Santa Rosa e Giruá. Segundo o gerente da Emater, a presença de uma indústria voltada ao processamento da canola e à produção de óleo comestível contribuiu para consolidar a cultura nesses municípios ao longo dos anos.

Questionada pela reportagem da Rádio Uirapuru sobre a utilização da canola na produção de biocombustíveis, a Be8, empresa sediada em Passo Fundo, informou que atualmente não utiliza o grão como matéria-prima principal. Conforme esclarecimento da assessoria da empresa, o fomento à produção de canola foi realizado até 2016. Desde então, a companhia deixou de desenvolver atividades de campo voltadas à cultura e também não realiza a compra regular do grão. Eventualmente, dependendo das condições de mercado, a empresa pode adquirir óleo de canola para a fabricação de biodiesel.

A assessoria acrescentou que, atualmente, o processamento industrial da empresa é baseado na soja. A matéria-prima utilizada é o grão de soja, resultando na produção de biodiesel e também de farelo de soja. Dessa forma, embora exista potencial para o uso da canola no setor de biocombustíveis, ela não possui hoje participação relevante na operação industrial da Be8.

Adami ressaltou que a canola também desempenha papel importante na diversificação das propriedades e na ocupação das áreas agrícolas durante o inverno. Além da produção de óleo para alimentação humana, a cultura apresenta potencial para o setor de biocombustíveis, ampliando as perspectivas de mercado para os próximos anos.

O gerente regional destacou ainda que a região de Passo Fundo reúne condições favoráveis para continuar expandindo a cultura, tanto pela qualidade dos solos quanto pelas características climáticas. No entanto, alertou que a atividade exige tecnologia, equipamentos adequados para plantio e colheita e planejamento de comercialização antes da implantação da lavoura.

Outro tema abordado foi o desenvolvimento da carinata, planta da mesma família da canola e destinada principalmente à produção de combustível sustentável para aviação. A cultura está em fase de testes na região e pode representar uma nova oportunidade de renda para os produtores diante da crescente demanda por fontes renováveis de energia.

Segundo Adami, o avanço da canola demonstra que a cultura já ocupa posição relevante entre as alternativas de inverno e deve seguir crescendo na região, desde que mantenha bons níveis de produtividade e rentabilidade ao produtor rural.