Fala Passo Fundo: Família Acolhedora busca novas famílias para garantir convivência familiar a crianças em situação de vulnerabilidade
O programa Família Acolhedora foi tema do programa Fala Passo Fundo, da Rádio Uirapuru, no último sábado (5). A iniciativa, desenvolvida pela Prefeitura de Passo Fundo, por meio da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, busca oferecer acolhimento temporário e convivência familiar para crianças e adolescentes que precisam ser afastados de suas famílias de origem por determinação judicial.
Na abertura do programa, o prefeito Pedro Almeida destacou a redução no número de crianças atendidas em casas institucionais e ressaltou a importância do acolhimento familiar. Segundo ele, Passo Fundo chegou a ter quatro casas de acolhimento com mais de cem crianças. Atualmente, são duas unidades. O prefeito também informou que mais de 50 crianças já passaram por famílias acolhedoras no município.
A secretária de Cidadania e Assistência Social, Elenir Chapuis, explicou que o Família Acolhedora é destinado a crianças que passam por situações de violação de direitos e precisam ser afastadas temporariamente da família de origem.
A proposta é que, durante esse período, a criança permaneça em um ambiente familiar, recebendo cuidado individualizado, afeto e acompanhamento da equipe técnica do município. A família acolhedora também recebe suporte durante todo o processo.
A secretária também explicou que o acolhimento familiar busca preservar a convivência familiar e comunitária da criança. Diferentemente de uma casa institucional, onde o atendimento ocorre de forma coletiva e por meio de escalas de profissionais, na família acolhedora a criança passa a ter uma referência mais próxima e contínua.
Em Passo Fundo, o trabalho foi estruturado ao longo dos últimos anos justamente para ampliar as alternativas ao acolhimento institucional. A cidade foi uma das primeiras do Estado a implantar o serviço, que exige uma equipe técnica preparada para acompanhar tanto a criança quanto a família acolhedora.
O processo de acolhimento ocorre somente quando outras medidas de proteção não são suficientes para garantir a segurança e os direitos da criança. A juíza da Infância e da Juventude de Passo Fundo, Lisiane Sasso, também participou da programação e explicou que os casos chegam ao Judiciário por meio de ações do Ministério Público e do Conselho Tutelar, além de encaminhamentos da rede de proteção.
Segundo ela, quando há uma situação de vulnerabilidade, a rede trabalha com a família para tentar solucionar o problema. Em Passo Fundo, esse acompanhamento pode ocorrer por pelo menos 90 dias. Quando as medidas não são suficientes ou não há adesão da família, o acolhimento pode ser determinado.
A criança pode então ser encaminhada para uma das casas de acolhimento ou para uma família acolhedora. Para a magistrada, o acolhimento familiar é a modalidade que deve ser ampliada no município.
Durante a entrevista, a juíza também fez um apelo para que mais pessoas se disponham a participar do programa. Ela destacou que a proposta exige disponibilidade para cuidar, oferecer afeto e compartilhar o cotidiano com uma criança durante um período provisório.
O acolhimento, entretanto, não significa adoção. A criança permanece vinculada à sua história e à sua família de origem, enquanto a rede de proteção trabalha para definir os próximos encaminhamentos.
Para participar, não é necessário ser casado ou ter filhos. Pessoas solteiras também podem ser famílias acolhedoras. Conforme explicado pela Secretaria de Cidadania e Assistência Social, os interessados precisam ter entre 21 e 65 anos, não podem estar no cadastro de adoção e devem compreender que o serviço é temporário.
Antes de começar a acolher uma criança, a família passa por uma avaliação e apresenta documentação, incluindo comprovante de renda e atestado médico. Também participa de reuniões de capacitação e recebe orientações de uma equipe técnica específica da Secretaria.
O acompanhamento continua durante o acolhimento. A equipe presta suporte à criança, à família acolhedora e também trabalha com a família de origem, buscando compreender e enfrentar as situações que levaram à necessidade do afastamento.
