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Saúde

Falsos médicos criados por IA enganam idosos com curas milagrosas e tratamentos perigosos

Públicado em Por RD Uirapuru / Zulmara Colussi

A inteligência artificial (IA) já faz parte do dia a dia, inclusive na área da saúde, onde é usada como uma ferramenta para auxiliar em diagnósticos e agilizar processos. No entanto, criminosos têm se aproveitado dessa tecnologia para criar avatares com jalecos e termos técnicos que enganam internautas, especialmente os idosos, com promessas de curas milagrosas e tratamentos inadequados. O programa “Sem Segredo” tratou do assunto, com a participação da hematologista Cristiane Zanotelli, da farmacêutica Carla Gonçalves e do médico ortopedista e influenciador Vinícius Kuhn.

O perigo por trás dos avatares

A médica Cristiane Zanotelli, professora da UFFS, disse que, embora a IA seja uma realidade e uma ferramenta útil, o desafio é saber usá-la de forma adequada. A grande preocupação, segundo ela, é a desinformação em saúde, que pode levar a diagnósticos errados e ao abandono de tratamentos eficazes.

“Hoje, um idoso de 75 anos pode pesquisar na internet ‘estou muito cansado, o que posso tomar?’ e a IA vai sugerir suplementos de ferro, vitamina B12 e vitamina D. As informações não estão erradas, mas e se esse cansaço for causado por um hipotireoidismo ou até um câncer? A inteligência artificial não consegue abranger o contexto social e clínico do paciente”, exemplificou Cristiane.

A farmacêutica Carla Gonçalves, professora da UPF, complementou que a ilusão do cuidado e a carência afetiva são fatores que tornam as pessoas mais vulneráveis. “O avatar pode ser simpático, parecer que está olhando nos seus olhos, mas o vínculo verdadeiro é construído com o tempo, com a escuta e com a empatia do profissional de verdade. Não existem milagres, especialmente os que custam caro”, alertou, referindo-se a golpes que cobram até R$ 9 mil por tratamentos ineficazes.

O papel dos influenciadores reais

O médico ortopedista Vinícius Kuhn, que possui mais de 140 mil seguidores no Instagram, participou do programa e explicou sua abordagem nas redes sociais. Ele utiliza personagens como o “Messe” e a “Dona Maria” para abordar temas de saúde com humor, mas sempre deixando claro que suas publicações não substituem uma consulta médica.

“Eu uso as redes para mostrar meu trabalho e orientar as pessoas, mas jamais faço consultas ou prescrevo tratamentos por lá. Nada supera o presencial, o exame físico e a conversa olho no olho. A gente trata pessoas, não exames ou papéis”, afirmou Kuhn.

Ele também deu dicas valiosas para o público não cair em armadilhas: “Sempre verifiquem se o profissional é real, onde ele atende e se tem registro no CRM. Se o conteúdo vende algo ou promete curas milagrosas, desconfie.”

Suplementos, automedicação e os riscos à saúde

Um dos pontos mais debatidos foi o uso indiscriminado de suplementos e medicamentos sem prescrição. Cristiane Zanotelli alertou para os perigos da hipervitaminose, citando casos graves de intoxicação por vitamina D e ômega 3, que podem levar a insuficiência renal e problemas de coagulação. “O fato de ser natural não significa que é inofensivo. Uma substância que tem efeito no organismo também pode causar efeitos adversos, especialmente em idosos que já fazem uso de múltiplos medicamentos”, explicou.

Carla Gonçalves reforçou que a automedicação é um problema grave no Brasil, com cerca de 80% da população recorrendo a essa prática. Ela destacou a importância de buscar informações em canais oficiais, como o site da Anvisa e do Conselho Federal de Farmácia, e de não abandonar tratamentos prescritos por médicos de confiança.

Como se proteger? Dicas dos especialistas

Para não cair em golpes e desinformação, os especialistas sugerem:

  1. Verifique a fonte: Confira se o profissional tem registro no CRM e se está vinculado a instituições ou hospitais reais.
  2. Desconfie de curas milagrosas: Nenhum tratamento sério promete a cura de doenças complexas sem uma avaliação detalhada.
  3. Cuidado com produtos patrocinados: Muitos vídeos que vendem suplementos ou tratamentos são patrocinados e podem não ter embasamento científico.
  4. Busque o vínculo: O cuidado em saúde é construído com a confiança e a escuta de um profissional que conhece sua história.
  5. Use a tecnologia a seu favor: A IA pode ser uma aliada para buscar informações, mas nunca para substituir o diagnóstico e o tratamento de um médico.