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Geral

Foco de gripe aviária em Coqueiros do Sul mobiliza vigilância sanitária e reforça medidas de prevenção

Públicado em Por RD Uirapuru / Suélen Kommers

A confirmação de uma doença animal próxima de grandes polos produtores costuma gerar dúvidas entre produtores rurais e consumidores. Afinal, existe risco para quem cria aves em casa? A produção comercial está ameaçada? É seguro continuar consumindo carne de frango e ovos? Especialistas explicam que, embora o caso exija atenção e vigilância, não há motivo para pânico. A rápida identificação do foco e a adoção dos protocolos sanitários são fundamentais para impedir a disseminação do vírus.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O caso foi registrado em Coqueiros do Sul, município localizado a cerca de 56 quilômetros de Passo Fundo e vizinho de Almirante Tamandaré do Sul. A confirmação laboratorial ocorreu na última sexta-feira (17), após análise realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP).

As aves eram criadas apenas para o consumo da família e não integravam a cadeia comercial de produção.

Em entrevista à Rádio Uirapuru, a diretora do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul, Rosane Collares, explicou que esse tipo de ocorrência está relacionado ao comportamento natural das aves migratórias, consideradas os principais reservatórios do vírus.

Segundo ela, as aves silvestres percorrem diferentes regiões do país e não há como impedir esse deslocamento. O risco surge quando esses animais entram em contato com criações domésticas.

“Quando alguma ave que esteja doente tem contato com as nossas aves domésticas, pode haver a possibilidade de contaminar as criações. Foi exatamente isso que aconteceu aqui em Coqueiros do Sul.”

Como ocorre a transmissão

Rosane explica que a influenza aviária é transmitida principalmente pelas fezes e secreções respiratórias das aves contaminadas.

Por isso, propriedades que possuem açudes, lagoas ou locais frequentemente visitados por aves silvestres acabam tendo maior possibilidade de exposição ao vírus.

Entre os sinais que devem chamar a atenção dos criadores estão diarreia intensa, secreção nasal, dificuldade respiratória, inchaço na cabeça, mudança na coloração da crista e da barbela, além de alterações neurológicas, como perda de coordenação e o pescoço voltado para trás.

A diretora ressalta, entretanto, que esses sintomas também podem estar presentes em outras doenças das aves.

“Somente a avaliação do serviço veterinário oficial e os exames laboratoriais conseguem confirmar se realmente se trata de influenza aviária”, destacou.

Pequenos criadores também precisam ficar atentos

Embora o foco tenha ocorrido em uma criação de subsistência, Rosane afirma que quem cria galinhas apenas para o consumo da família também deve observar diariamente o comportamento das aves.

Caso haja aumento repentino na mortalidade ou aparecimento de sintomas diferentes do habitual, a orientação é comunicar imediatamente a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima para que as equipes façam a investigação.

A rapidez na notificação é considerada uma das principais ferramentas para evitar que o vírus se espalhe para outras propriedades.

Produção comercial permanece protegida

O registro do foco não altera o funcionamento da avicultura comercial gaúcha.

Rosane lembra que o Estado possui um rígido sistema de biossegurança nas granjas comerciais, com protocolos que incluem controle de acesso às propriedades, galpões telados para impedir a entrada de aves silvestres, desinfecção de veículos e equipamentos, além da restrição de visitantes.

Segundo ela, essas medidas existem justamente para reduzir o risco de entrada do vírus nas granjas, setor que representa uma das principais atividades do agronegócio gaúcho.

“Hoje a avicultura é uma das atividades que mais geram riqueza para o Rio Grande do Sul. Todo o trabalho desenvolvido pela Defesa Sanitária Animal tem como principal objetivo proteger essa produção”, explicou.

Vigilância foi ampliada na região

Após a confirmação do foco, equipes da Secretaria da Agricultura iniciaram uma operação de vigilância nas propriedades localizadas ao redor da área afetada.

De acordo com Rosane Collares, cerca de 70% das propriedades do entorno já haviam sido vistoriadas no momento da entrevista e, até então, nenhum outro indício da doença havia sido encontrado.

O monitoramento continuará nos próximos dias para garantir que não haja circulação do vírus em outras criações da região.

Risco para humanos é considerado muito baixo

A confirmação do foco também despertou dúvidas sobre uma possível transmissão para pessoas.

Segundo a diretora, embora existam registros de infecção humana em outros países, esses episódios são extremamente raros e geralmente envolvem contato muito intenso e prolongado com aves infectadas.

Ela ressalta que o sistema de criação adotado no Brasil é bastante diferente daquele observado em países asiáticos, onde ocorreram os principais casos envolvendo seres humanos.

Assim, nas condições atuais, o risco para a população é considerado muito baixo.

Consumo de carne e ovos continua seguro

Uma das principais preocupações dos consumidores é em relação aos alimentos.

Rosane tranquiliza a população e afirma que não existe risco no consumo de carne de frango e ovos produzidos no Rio Grande do Sul.

Ela explica que o foco está restrito a uma única propriedade rural, onde todas as medidas sanitárias já foram adotadas, incluindo a eliminação das aves e a desinfecção completa da área.

A recomendação permanece a mesma de sempre: adquirir produtos de procedência conhecida e provenientes de estabelecimentos inspecionados.

“Podem ficar tranquilos. Não há transmissão da influenza aviária pelo consumo de carne de frango ou de ovos”, afirmou.

Defesa Sanitária pede atenção, mas sem alarmismo

A diretora reforça que a confirmação do primeiro foco em aves de subsistência representa um alerta para que produtores e criadores mantenham a vigilância, mas não justifica preocupação exagerada da população.

Segundo ela, a comunicação rápida de qualquer suspeita e o cumprimento das medidas de biossegurança são as principais ferramentas para proteger tanto as pequenas criações quanto a avicultura comercial, considerada estratégica para a economia gaúcha.