Investimento em planejamento urbano e prevenção é caminho para salvar vidas em caso de terremotos, defende geólogo
A Venezuela vive uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida por dois fortes terremotos na noite de quarta-feira (24). Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram o desabamento de prédios, residências e outras estruturas em diversas cidades, incluindo a capital Caracas. Até o momento, as autoridades confirmam quase 600 mortes e milhares de feridos, enquanto centenas de equipes de resgate seguem mobilizadas na busca por sobreviventes sob os escombros.
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o geólogo Luiz Paulo Fragomeni explicou que a escala Richter é logarítmica, ou seja, cada ponto representa uma intensidade dez vezes maior que a anterior. Segundo ele, essa característica ajuda a entender o potencial destrutivo dos terremotos registrados na Venezuela, considerados os mais fortes a atingir o país em mais de um século.
O especialista destacou que a Venezuela está localizada em uma área de intensa atividade geológica, onde ocorre o encontro de placas tectônicas. Conforme explicou, essas placas estão em constante movimento devido à dinâmica interna da Terra e, quando acumulam pressão suficiente, podem provocar terremotos de grande magnitude. Fragomeni observou que fenômenos semelhantes são registrados com frequência em países como Chile e Japão, que também estão situados em regiões de choque entre placas.
Outro ponto ressaltado pelo geólogo foi a profundidade dos tremores, registrada em cerca de 13 quilômetros. De acordo com ele, terremotos mais rasos costumam ser sentidos com maior intensidade na superfície e, consequentemente, apresentam maior potencial de destruição. Fragomeni afirmou ainda que um abalo de magnitude 7,5 é suficientemente forte para derrubar construções e impedir que as pessoas consigam permanecer em pé durante o tremor.
Fragomeni explicou que a ciência já consegue identificar as regiões do planeta onde grandes terremotos tendem a ocorrer, graças ao conhecimento sobre o comportamento das placas tectônicas. No entanto, ainda não é possível prever com exatidão quando esses eventos acontecerão. Diante dessa limitação, o geólogo defende investimentos em planejamento urbano, normas construtivas adequadas e sistemas de prevenção capazes de reduzir os danos e preservar vidas quando os abalos sísmicos ocorrerem.
