Guerra no Oriente Médio mantém pressão sobre fertilizantes e preocupa produtores em Passo Fundo
O conflito no Oriente Médio segue gerando reflexos no mercado internacional de fertilizantes e mantém produtores rurais atentos aos custos para a próxima safra também em Passo Fundo. Embora parte dos insumos tenha apresentado redução de preços após a reabertura das rotas marítimas na região, outros produtos seguem valorizados, cenário que preocupa o setor agropecuário. Para entender os impactos na região de Passo Fundo, a reportagem da Uirapuru conversou com o cerealista e integrante do programa Cotações e Mercado, Emeri Tonial.
Segundo Tonial, a ureia voltou aos patamares de preço anteriores ao conflito com a normalização da navegação na região, mas o mesmo não aconteceu com o fosfato e o potássio. Conforme ele, esses fertilizantes continuam com preços elevados, mantendo o custo de produção em alta para o agricultor.
O cerealista afirma que uma das principais empresas do setor com a qual mantém contato reduziu significativamente o volume de importações neste ano. Enquanto em 2025 foram importadas cerca de 1,3 milhão de toneladas de fertilizantes, para 2026 a previsão é de aproximadamente 800 mil toneladas. Além disso, há pouca movimentação nos portos gaúchos, reflexo da cautela do mercado e da menor demanda por parte dos produtores.
Tonial explica que as empresas também enfrentam dificuldades para importar sem uma carteira consolidada de pedidos. Segundo ele, muitos agricultores estão adiando as compras diante das dificuldades de acesso ao crédito rural, consequência das perdas registradas nas últimas safras. Conforme Emeri, essa situação tem levado muitos produtores a recorrerem às tradicionais operações de troca por grãos, enquanto o financiamento pelo sistema financeiro se torna mais restrito.
