Identificar cobra após picada é passo importante para ajudar pacientes e animal pode até ser levado junto, orienta médico
Os acidentes com serpentes ainda são uma realidade preocupante em diversas regiões do Rio Grande do Sul, principalmente em áreas rurais e próximas a matas. Recentemente, o relato de um ouvinte da Rádio Uirapuru trouxe o tema de volta aos holofotes: uma criança foi picada por uma jararaca e, de forma ágil, o pai levou o animal junto ao hospital para garantir o diagnóstico correto.
Mas será que essa atitude é recomendada? Em entrevista à Rádio Uirapuru, o renomado médico Dr. Julio Stobbe, ex-diretor de um dos principais hospitais de Passo Fundo, explicou o protocolo de atendimento para picadas de cobra e deu orientações vitais para salvar vidas.
Levar a cobra ao hospital ajuda no atendimento?
Sim, desde que haja total segurança. Segundo o Dr. Julio Stobbe, a atitude do pai relatada pelo ouvinte foi totalmente correta.
A identificação correta da espécie é o fator mais crucial para o sucesso do tratamento. Quando a equipe médica sabe exatamente qual serpente causou o acidente, a administração do medicamento é imediata e assertiva.
Dica de Segurança: Se não for seguro capturar o animal, tire uma foto nítida de diferentes ângulos. Isso já é suficiente para ajudar os médicos.
Por que a identificação da serpente é tão importante?
Cada tipo de veneno exige um neutralizador específico. O médico destacou que existem soros antiofídicos direcionados para diferentes espécies, tais como:
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Soro antibotrópico: Para acidentes com Jararaca (os mais comuns no Brasil).
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Soro anticrotálico: Para acidentes com Cascavel.
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Soro antielapídico: Para acidentes com Cobra-Coral.
Como os hospitais agem em caso de dúvida sobre a espécie?
Muitas pessoas pensam que a identificação do animal é feita pelo funcionário da recepção, mas o Dr. Stobbe faz um alerta claro: esta é uma responsabilidade técnica da equipe médica e de especialistas.
Quando há dúvidas sobre se a cobra é venenosa ou qual é a sua espécie, os hospitais adotam o seguinte protocolo:
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Contato de Emergência: A equipe hospitalar aciona o Centro de Informações Toxicológicas (CIT), localizado em Porto Alegre.
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Análise Técnica: Fotos do animal são enviadas digitalmente para os especialistas do CIT.
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Suporte e Diagnóstico: Os profissionais do Centro auxiliam o hospital na identificação exata e na recomendação do soro ideal.
Onde encontrar o soro antiofídico no Rio Grande do Sul?
Uma dúvida frequente da população é se todos os hospitais possuem o tratamento. O especialista esclareceu que os municípios que contam com estruturas hospitalares têm acesso garantido ao soro antiofídico.
Caso o hospital local não possua o imunobiológico em estoque no momento, a distribuição é feita rapidamente por meio da Coordenadoria Regional de Saúde da região.
Mito: O veneno é retirado da cobra levada ao hospital?
Não. O Dr. Stobbe desmistificou a ideia de que o hospital retira o veneno da cobra levada pelo paciente para fazer o remédio na hora. A produção do soro antiofídico é complexa e realizada em laboratórios altamente especializados, principalmente no Instituto Butantan, em São Paulo.
O que acontece com a cobra após o atendimento?
Você deve estar se perguntando: qual o destino do animal levado ao hospital? Após a identificação e a resolução do caso médico, as serpentes costumam ser encaminhadas para:
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Órgãos ambientais competentes.
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Instituições de pesquisa e ensino, como o renomado Serpentário da Universidade de Passo Fundo (UPF).
Como prevenir acidentes com cobras?
Para fechar o alerta, o médico trouxe uma orientação essencial de prevenção que serve tanto para a área rural quanto para a área urbana: cuidado com o lixo.
O acúmulo de lixo e entulho perto de residências atrai ratos e outros roedores. Como esses animais são a principal base alimentar das serpentes, a presença de lixo acaba atraindo as cobras para perto das casas, aumentando drasticamente o risco de picadas. Mantenha seu quintal sempre limpo!
