Inadimplência em passo fundo chega a 41,21% e acende alerta sobre o uso do crédito
O acesso ao crédito faz parte da rotina de milhões de brasileiros. No entanto, quando utilizado sem planejamento e sem acompanhamento do orçamento, pode contribuir para o acúmulo de dívidas e levar à inadimplência.
Uma pesquisa inédita da Serasa revelou que 48% dos brasileiros consideram o crédito indispensável para manter o atual padrão de vida. Além disso, 57% da população utiliza alguma modalidade de crédito com frequência, o que representa cerca de 119 milhões de pessoas.
Em Passo Fundo, o cenário também preocupa. Conforme dados apresentados pelo coordenador comercial da CDL de Passo Fundo, Daniel dos Santos, ligado ao SCPC, o índice de inadimplência chegou a 41,21% da população economicamente ativa.
Segundo ele, apesar de uma pequena redução em comparação com abril, o percentual permanece elevado. O coordenador destacou que a inadimplência vem crescendo no município nos últimos meses, em um ritmo superior ao observado no Rio Grande do Sul e no restante do país.
Embora não existam dados específicos sobre o impacto do cartão de crédito no endividamento local, levantamentos nacionais indicam que cerca de 42% das dívidas registradas estão relacionadas ao sistema financeiro, incluindo faturas e parcelamentos.
Daniel explicou que a facilidade de acesso ao cartão pode contribuir para o descontrole. Como está disponível na carteira ou no celular, o consumidor pode realizar compras sem perceber imediatamente o impacto dos gastos no orçamento. O comprometimento financeiro costuma ficar mais evidente no momento do fechamento da fatura.
Entre os fatores relacionados ao endividamento está a falta de educação financeira. Segundo o coordenador, muitas pessoas começam a administrar a própria renda sem terem recebido orientações sobre planejamento, controle de gastos e uso consciente do crédito.
O perfil predominante entre os inadimplentes envolve homens e mulheres com mais de 30 anos. Nessa fase, as despesas individuais costumam se somar aos compromissos familiares, como moradia, filhos e outras responsabilidades. Quando o orçamento já está próximo do limite, situações inesperadas podem dificultar o pagamento das contas.
Daniel também destacou a diferença entre endividamento e inadimplência. Ter compromissos financeiros não significa, necessariamente, estar inadimplente. O problema ocorre quando as contas vencem e não são pagas.
O aumento da inadimplência também pode afetar o comércio, já que consumidores com dívidas acumuladas tendem a reduzir o consumo. Por isso, a orientação é que as empresas avaliem as operações de crédito e utilizem ferramentas para reduzir os riscos.
Para quem já enfrenta dificuldades, a recomendação é organizar as dívidas, analisar o orçamento e procurar diretamente os credores para negociar. O coordenador também alertou para falsas promessas de retirada de restrições ou aumento do score, que podem representar golpes.
A orientação é evitar intermediários e buscar canais oficiais. A reorganização das contas e o pagamento das dívidas são os caminhos para recuperar gradualmente o acesso ao crédito.
