Indústria sustenta geração de empregos em Passo Fundo mesmo com saldo negativo no mercado de trabalho
Pelo segundo mês consecutivo, Passo Fundo fechou mais vagas do que abriu no mercado formal de trabalho. Conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, o município registrou, em maio, 3.635 admissões e 3.841 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 206 postos de trabalho. Apesar do cenário de retração, a indústria foi o único dos principais setores da economia a encerrar o mês com resultado positivo, criando 84 novas vagas.
Em entrevista à Uirapuru, o presidente da Acisa, Marcelo Batezini, afirmou que o desempenho da indústria está ligado às características da economia de Passo Fundo. Segundo ele, o município se consolidou como um polo agroindustrial regional, com forte atuação no processamento de produtos do agronegócio, como biocombustíveis, óleo de soja e rações, além do setor metalmecânico, que trabalha com planejamento de longo prazo e produção contínua.
Batezini também destacou que a atração de novos investimentos e a ampliação de indústrias já instaladas na cidade contribuíram para manter o ritmo de contratações formais. Conforme ele, a atividade industrial depende de mão de obra técnica e de vínculos mais estáveis, o que reduz os impactos de oscilações imediatas do mercado e ajuda a sustentar o saldo positivo do setor. Sobre a retração no mercado de trabalho como um todo, o presidente da Acisa explicou que os setores de serviços e comércio, responsáveis pela maior parte dos empregos em Passo Fundo, foram mais afetados pelos juros elevados e pela redução do consumo das famílias.
Além disso, ele avalia que, após um período de forte crescimento, esses segmentos passam por uma acomodação natural, com desaceleração na abertura de novas vagas. Para os próximos meses, Batezini projeta continuidade do crescimento da indústria, impulsionado por novos empreendimentos em implantação na cidade e na região. Já para os setores de serviços e comércio, a expectativa é de recuperação gradual ao longo do segundo semestre, acompanhando uma retomada da atividade econômica.
