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Política

Juliana Brizola destaca diálogo e recuperação financeira do RS como pilares, se eleita, em entrevista à Rádio Uirapuru

Públicado em Por RD Uirapuru / Sabrine Paludo

Na sequência das entrevistas com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul nas Eleições 2026, a Rádio Uirapuru recebeu nesta sexta-feira, 25 de setembro, Juliana Brizola, do PDT. A iniciativa do Grupo Uirapuru busca aproximar os candidatos dos ouvintes, abrindo espaço para a apresentação de propostas. O mesmo espaço está sendo disponibilizado aos postulantes ao Palácio Piratini.

Ao se apresentar, Juliana destacou a coligação formada por oito partidos e o objetivo de recuperar o protagonismo do Estado. “Pensamos diferentes, mas resolvemos encontrar aquilo que nos une. O que nos une é um pensamento de que o Rio Grande do Sul já foi grande em várias áreas e que hoje a gente precisa resgatar esse protagonismo do Rio Grande do Sul, seja econômico, seja político em Brasília”, afirmou. A candidata esteve acompanhada do candidato a vice-governador, Edegar Pretto, do PT, e de lideranças políticas da região.

Recuperação financeira

Questionada sobre a principal prioridade de um eventual governo, apontou a recuperação financeira do Estado. Criticou o modelo adotado nos últimos anos, citando a venda de empresas públicas, extinção de fundações, aumento de impostos e mudanças nas carreiras dos servidores. “Essa prioridade, ela tem que ser a prioridade porque, sem ela, não existem as outras prioridades, que é a recuperação financeira do nosso Estado”, disse.

Entre as propostas estão a prorrogação do Funrigs por mais três anos, adesão ao Propag, criação de um Fundo Constitucional para a Região Sul e um plano de desenvolvimento econômico para ampliar investimentos.

Infraestrutura logística

Sobre infraestrutura, destacou o potencial econômico de Passo Fundo e do Norte do Estado, mas avaliou que a falta de investimentos limita o desenvolvimento. “O Estado aqui não tem caminhado ao lado da região, porque falta infraestrutura para a logística, para escoar a produção, a inviabilidade das pessoas se locomoverem, seja de uma cidade para outra, seja para escoar sua produção, para ir para Porto Alegre, para ir para Serra, para ir para Santa Catarina. Mesmo assim, a gente consegue ter uma região muito pujante”, afirmou.

Juliana Brizola também defendeu maior integração entre os modais. “A gente precisa resgatar as nossas ferrovias aqui no Rio Grande do Sul, extremamente sucateadas. As nossas hidrovias são subutilizadas, e esses modais precisam ser conectados”, disse.

Sobre concessões rodoviárias, defendeu fiscalização, investimentos e tarifas justas. “Eu não sou contra a concessão se for para melhorar a estrada, se a tarifa for justa e se o serviço acontecer”, destacou.

Questionada sobre a duplicação da BR-285 na região de Passo Fundo, afirmou que a obra estaria entre as prioridades: “se eu tivesse sentada lá naquela cadeira já, eu já estava iniciando essas obras”, declarou.

Segurança pública

Na segurança pública, Juliana disse que pretende manter programas que considera positivos, como o RS Seguro, mas defendeu políticas que acompanhem as mudanças na criminalidade, com maior investimento em inteligência, informação e monitoramento. Também colocou o enfrentamento à violência contra as mulheres entre as prioridades.

Com mestrado em Ciências Criminais e especialização em Segurança Pública, afirmou que pretende coordenar as políticas de combate ao feminicídio. “E eu vou chamar essa questão dos feminicídios para dentro do meu gabinete. Quem vai coordenar vai ser a governadora, junto com as forças de segurança, com a saúde, com a assistência social, com programas de desenvolvimento de renda para as mulheres”, afirmou.

Para a candidata, as políticas também precisam atuar antes dos crimes. “Eu não acredito só no combate à criminalidade. Eu acredito mesmo é na prevenção da criminalidade. E para isso a gente tem que ter um trabalho contínuo e um trabalho também anterior ao fato”, argumentou.

Desenvolvimento regional

Sobre Passo Fundo e o Norte do Estado, Juliana destacou o potencial econômico e citou a transição energética, área em que Passo Fundo se destaca na produção de biodiesel. “Nós não podemos, como estado, ser um entrave. Nós precisamos caminhar ao lado de quem gera emprego, de quem desenvolve, de quem fomenta a economia. E o estado do Rio Grande do Sul precisa voltar a ser um indutor de desenvolvimento econômico, de política pública”, declarou.

Também defendeu mesas setoriais reunindo universidades, iniciativa privada, empresários e poder público para discutir o desenvolvimento regional.

Diálogo e continuidade de projetos

Sobre a relação com a Assembleia Legislativa, afirmou que pretende construir uma base por meio do diálogo, inclusive com deputados de outros partidos. “Eu, nos meus 12 anos na Assembleia Legislativa, eu aprendi que ninguém constrói nada sozinho. E que muitas vezes quem vai te dar apoio talvez seja um parlamentar de um outro partido, até oposição ao teu partido. Depende muito das relações e das construções e do diálogo”, afirmou.

Ela lembrou ainda que, se eleita, fará um governo para todos. “Eu pretendo ter a maioria na Assembleia Legislativa e tenho dito, e o Edegar também, por onde a gente anda, que a gente não tem preconceito ideológico de maneira partidária. Quem tiver a fim de sentar nessa mesa para dialogar, para abrir mão, às vezes, de algumas convicções, pensar no que a gente pode convergir, porque o Estado do Rio Grande do Sul tem muito potencial. E a gente vem perdendo, a gente está aqui no fim do mapa, mas a gente está se isolando cada vez mais”, pontuou.

A candidata disse ainda que pretende manter programas de outras gestões que considera positivos, como o RS Seguro e o SUS Gaúcho. “A educação precisa de uma continuidade, de uma previsibilidade. A comunidade escolar precisa disso. E assim em muitas áreas”, disse.

Na saúde, defendeu o cumprimento do percentual mínimo constitucional de investimentos e recursos para as especialidades com maiores filas.

Considerações finais

Ao encerrar, Juliana lembrou a relação familiar com Passo Fundo por meio do avô, Leonel Brizola, que estudou na cidade. Também destacou sua formação, experiência política e disposição para o diálogo. “O segundo motivo é que eu sou uma mulher do diálogo. Eu sento na mesa pra conversar com quem pensa diferente. Aliás, eu acho que é muito fácil sentar numa mesa com quem só pensa igual”, afirmou.

Como terceiro ponto, destacou as propostas da candidatura. “E o terceiro motivo é porque nós temos projetos. Projetos de verdade. Que vão melhorar a saúde, a educação, a infraestrutura, e trazer o desenvolvimento econômico que a gente merece e o protagonismo político em Brasília, pra gente trazer tudo aquilo que o Rio Grande do Sul tem de direito”, concluiu.