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Polícia

Menino de três anos morto pelo pai era agredido como forma de “disciplina”, diz Polícia Civil

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Pirolli
Arquivo Pessoal

A Polícia Civil prendeu preventivamente a mãe do menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo próprio pai em Viamão. A investigação aponta que ela pode ter sido omissa diante das agressões sofridas pelo filho.

De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pelo caso, as lesões encontradas na criança são incompatíveis apenas com os socos admitidos pelo pai. Segundo uma médica que atendeu a vítima, o menino apresentava afundamento no crânio e graves ferimentos no tórax, indicando que também pode ter sido agredido com objetos, além de socos e chutes.

Mesmo sem o laudo definitivo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), a Polícia Civil já alterou o enquadramento do caso para homicídio doloso duplamente qualificado e tortura.

A prisão da mãe foi motivada por indícios de que ela tinha conhecimento das agressões e deixou de agir para proteger o filho. Durante as buscas, os policiais constataram que a casa era pequena, com divisões feitas por cortinas, tornando improvável que ela não tivesse percebido a violência. As investigações também apontam um histórico de maus-tratos contra as demais crianças da família.

O pai confessou ter agredido o filho, mas, para a polícia, a versão apresentada não explica a gravidade dos ferimentos. Há relatos de que ele utilizava uma cinta para castigar os filhos, embora nenhum objeto tenha sido apreendido.

A família vivia havia cerca de sete meses em uma casa simples na localidade de Águas Claras, em Viamão. Segundo a investigação, o casal estava desempregado e vivia em situação de extrema pobreza.

A Polícia Civil também apura passagens da família por outros estados e investiga possíveis episódios anteriores de violência. Informações já foram solicitadas a hospitais, Conselhos Tutelares e autoridades de São Paulo, Santa Catarina e dos Estados Unidos.

Em depoimento, a mãe afirmou que também era vítima de violência doméstica e negou participação direta nas agressões. Ainda assim, a polícia entende que ela tinha o dever de proteger a criança e permaneceu omissa.

Os outros quatro filhos do casal seguem acolhidos por determinação judicial, passaram por exames físicos e psicológicos e estão protegidos por medidas previstas na Lei Henry Borel.

Em nota, a defesa da mãe informou que ela está colaborando com as investigações e sustentou que vivia em um contexto de violência doméstica, pedindo que os fatos sejam apurados sem julgamentos antecipados. A defesa do pai ainda não havia se manifestado.