Skip to content

Geral

Paternidade responsável ganha ainda mais importância diante do avanço da violência contra crianças

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto

O Brasil celebra nesta sexta-feira, 14 de agosto, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Paternidade Responsável. Instituída pela Lei nº 14.623, de 2023, a data chama a atenção para os direitos, deveres e obrigações de ordem material, social, moral e afetiva que envolvem a relação entre pais e filhos.

A reflexão ganha ainda mais relevância diante de episódios recentes de violência extrema envolvendo pais e filhos e de um cenário mais amplo de crescimento das notificações de agressões contra crianças e adolescentes. Casos que chegam ao noticiário, inclusive com mortes provocadas por pessoas que deveriam exercer o papel de proteção, levantam uma questão difícil: o que pode levar um pai, uma mãe ou outro responsável a agredir uma criança?

Para o médico psiquiatra Érico Hecktheuer, a resposta precisa ser analisada dentro de um contexto mais amplo de fragilização das relações familiares. Entre os fatores que podem contribuir para situações de violência estão a dificuldade dos adultos em lidar com frustrações e controlar impulsos, além do isolamento das famílias e da ausência de uma rede de apoio capaz de identificar dificuldades e intervir antes que situações de conflito se agravem.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados do Ministério da Saúde mostram que somente nos quatro primeiros meses de 2026, o país registrou mais de 115 mil denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes, e a residência da vítima e do suspeito continua sendo o principal local das agressões.

Érico destaca que esse cenário reforça a necessidade de compreender a paternidade para além da responsabilidade financeira. A presença paterna envolve cuidado, proteção, estabelecimento de vínculos, acompanhamento do desenvolvimento e capacidade de oferecer segurança emocional. Também passa pela maturidade do adulto para enfrentar conflitos sem transformar frustrações em agressividade.

Outro ponto considerado fundamental pelo psiquiatra é a existência de uma rede em torno das crianças e das próprias famílias. Avós, tios, vizinhos, escola, atividades esportivas, igrejas, associações comunitárias e serviços públicos podem funcionar como espaços de proteção. Quanto menos isolada estiver uma família, maiores são as possibilidades de que dificuldades sejam percebidas e de que ajuda seja buscada antes de uma situação chegar ao extremo.

A violência dentro de casa também exige atenção de quem está por perto. Mudanças repentinas de comportamento, sofrimento emocional e outras alterações apresentadas por crianças e adolescentes podem indicar que algo não está bem. Nesses casos, a orientação é não ignorar os sinais e acionar a rede de proteção.

O Dia Nacional de Conscientização sobre a Paternidade Responsável, também deve propor uma reflexão sobre que tipo de presença os adultos exercem na vida dos filhos. Além de estar fisicamente presente ou cumprir obrigações materiais, exercer a paternidade significa assumir responsabilidade pelo cuidado, pela proteção e pelo desenvolvimento emocional da criança.