Pedágios pressionam custos do transporte rodoviário de passageiros
As empresas que atuam no transporte rodoviário de passageiros enfrentam uma pressão crescente sobre os custos de operação. Além das despesas com combustível, folha de pagamento, manutenção, pneus e peças, as empresas que utilizam rodovias concedidas também precisam absorver os reajustes das tarifas de pedágio.
O impacto mais recente está nas rodovias administradas pela ViaSul. Desde segunda-feira, dia 24 de agosto, a tarifa básica passou de R$ 6,60 para R$ 6,90, aumento de 4,55%, conforme revisão aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O reajuste alcança trechos das BR-101, BR-290, BR-386 e BR-448 e também afeta os ônibus.
Para veículos de dois eixos com rodagem dupla, categoria que inclui ônibus, a tarifa passou de R$ 13,20 para R$ 13,80 em cada praça. Para ônibus de três eixos, o valor subiu de R$ 19,80 para R$ 20,70.
Na BR-386, o impacto é especialmente relevante para as empresas que fazem a ligação entre Passo Fundo e Porto Alegre. A rodovia possui quatro praças de pedágio administradas pela ViaSul: Victor Graeff, Fontoura Xavier, Paverama e Montenegro.
Considerando um ônibus de dois eixos, a passagem pelas quatro praças representa atualmente R$ 55,20 somente em pedágios, em um único sentido. O valor entra diretamente na composição do custo de cada viagem e se soma às demais despesas das empresas.
A pressão sobre os custos também chega às tarifas pagas pelos passageiros. No Rio Grande do Sul, as linhas de longo curso e suburbanas reguladas pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) tiveram reajuste de 8,18% em abril de 2026.
No transporte interestadual de longa distância, a ANTT também adota uma metodologia própria para atualização das tarifas. A fórmula considera componentes como diesel, mão de obra, pneus, peças, veículos e despesas gerais.
Em Passo Fundo, Porto Alegre está entre os destinos mais procurados na Estação Rodoviária. A movimentação média é de aproximadamente 550 passageiros por dia, número que chega a entre 600 e 650 nos finais de semana. Aos domingos, o movimento fica próximo de 450 passageiros. Considerando chegadas e saídas de linhas intermunicipais e interestaduais, a estação registra circulação média de aproximadamente 1.100 passageiros por dia.
Na ligação entre Passo Fundo e Porto Alegre, os preços atuais variam conforme o tipo de serviço e o horário. No serviço direto, a passagem custa R$ 160,20 sem seguro e R$ 169,90 com seguro. No semidireto, o valor é de R$ 160,35 sem seguro e R$ 170,05 com seguro em um dos horários. Em outro horário de semidireto, a tarifa chega a R$ 165,05 sem seguro e R$ 174,75 com seguro.
Com o movimento da Rodoviária de Passo Fundo estabilizado e sem uma recuperação significativa no número de passageiros, a elevação dos custos representa uma pressão adicional sobre a rentabilidade das linhas. Para as empresas, pedágios mais caros e reajustes dos principais insumos reduzem as margens de operação e aumentam o desafio de manter o equilíbrio financeiro do transporte rodoviário de passageiros.
