Perícia pode esclarecer se houve “fogo amigo” na morte de delegado em Passo Fundo, diz defesa de PM
Defesa ressalta que possibilidade depende dos laudos periciais
O policial militar afastado Daniel Machado Figueiró, apontado como autor da morte do delegado da Polícia Federal Michel Brasil Saliba durante uma operação em Passo Fundo, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal na sexta-feira (3). Saliba morreu após ser baleado durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal, na quinta-feira (2), em um apartamento no bairro Vila Rodrigues. A operação investigava uma organização criminosa suspeita de atuar com contrabando de mercadorias e movimentação financeira ilícita.
Em entrevista à Uirapuru, o advogado de defesa do policial, José Paulo Schneider, apresentou a versão da defesa e comentou a decisão que manteve Daniel preso. Segundo ele, a Justiça considerou a gravidade do caso e a repercussão da morte do delegado para decretar a prisão preventiva. A defesa, no entanto, destaca que Daniel não era investigado na operação e que o mandado de busca e apreensão tinha como alvo a companheira dele.
Schneider informou que a defesa pretende recorrer da decisão, por entender que Daniel nunca teve problemas disciplinares na Brigada Militar e que o episódio foi um fato isolado.
Sobre a ocorrência, o advogado afirmou que Daniel acreditou estar diante de uma situação de ameaça e não de uma operação da Polícia Federal. Conforme a defesa, o policial não ouviu a identificação dos agentes antes dos disparos e, por isso, não percebeu que se tratava do cumprimento de um mandado judicial. Schneider acrescentou que Daniel e a companheira vinham recebendo ameaças antes da operação, situação que, segundo ele, contribuiu para a reação do policial.
Outro ponto destacado pelo advogado foi a necessidade de aguardar a conclusão da perícia. Segundo Schneider, o delegado Michel Saliba utilizava colete balístico durante a operação e tanto o equipamento dele quanto o do outro agente ferido foram recolhidos para análise.
Conforme a defesa, somente os laudos periciais poderão esclarecer a trajetória do projétil que atingiu o delegado. Schneider afirmou que, se ficar comprovado que o disparo fatal atingiu a vítima pelas costas, não é possível descartar a hipótese de o tiro ter partido de outro agente federal durante a troca de tiros.
Defesa ressalta que possibilidade depende dos laudos periciais
O advogado ressaltou que essa possibilidade depende exclusivamente da perícia e que qualquer conclusão antes da divulgação dos laudos seria precipitada.
Daniel Machado Figueiró permanece preso no Presídio Militar, em Porto Alegre, à disposição da Justiça Federal. A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Federal.
