Pesquisa clínica amplia acesso a novos tratamentos e coloca Passo Fundo no mapa de estudos internacionais
A Rádio Uirapuru realiza semanalmente o programa Emoção, Afeto e Comportamento. Apresentado pelo psiquiatra Erico Hecktheuer, o programa recebe profissionais das mais diferentes áreas, abordando temáticas do cotidiano.
Na mais recente edição, o programa recebeu a farmacêutica e bioeticista Keyla Liliana Alves de Lima Deucher, diretora-executiva do Instituto Méderi de Pesquisa e Saúde e presidente da Associação Brasileira de Centros de Pesquisa Clínica.
A especialista explicou como funcionam as pesquisas clínicas e destacou que medicamentos e novos tratamentos passam por diferentes etapas de avaliação antes de chegarem ao mercado.
Segundo Keyla, os estudos começam com uma fase pré-clínica, realizada antes dos testes em seres humanos, e depois avançam pelas fases 1, 2, 3 e 4.
Na fase 1, são avaliados aspectos como a forma como o medicamento é absorvido, distribuído e eliminado pelo organismo, além de questões relacionadas à segurança. A fase 2 concentra-se, entre outros pontos, na definição das doses. Já a fase 3 envolve um número maior de participantes e busca avaliar principalmente segurança e eficácia. O Instituto Méderi, segundo a entrevistada, conduz principalmente estudos de fases 2 e 3.
Keyla também destacou a participação de Passo Fundo em pesquisas multicêntricas. Os mesmos protocolos podem ser realizados simultaneamente em diferentes cidades e países, permitindo a participação de pacientes de várias regiões. Um estudo realizado no município pode seguir o mesmo protocolo de pesquisas conduzidas em São Paulo, nos Estados Unidos, na Alemanha e em outras localidades.
Atualmente, o instituto participa de estudos envolvendo diferentes áreas terapêuticas, incluindo diabetes, hipertensão, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, asma, Alzheimer, psicose associada à demência, depressão e rinite alérgica. Também há pesquisas relacionadas a medicamentos que ainda não estão disponíveis comercialmente.
Outro ponto destacado foi que a participação dos voluntários não tem custo. A especialista explicou que despesas relacionadas à participação, como deslocamento, podem ser reembolsadas, justamente para que o paciente não tenha gastos para contribuir com a pesquisa.
O processo também envolve uma avaliação detalhada do participante. Histórico médico, doenças existentes e medicamentos utilizados são analisados antes da inclusão. Além disso, o voluntário pode deixar o estudo a qualquer momento.
Para quem possui alguma das condições estudadas, a porta de entrada pode ocorrer por contato direto com o instituto, pelas redes sociais ou por encaminhamento de profissionais de saúde. A participação, porém, depende dos critérios específicos de cada pesquisa e de uma avaliação individual do paciente.
