Plano Safra 2026/2027 gera preocupação no setor com juros elevados e acesso ao crédito
O Governo Federal anunciou, na última semana, o Plano Safra 2026/2027, que prevê R$ 516,2 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores rurais e R$ 89 bilhões destinados à agricultura familiar. O programa reúne linhas de crédito para custeio, investimento, comercialização e industrialização da produção agropecuária. Apesar do aumento no volume de recursos em relação ao ciclo anterior, as taxas de juros variam conforme a modalidade de financiamento, chegando a 12,5% ao ano para parte das operações da agricultura empresarial, enquanto, na agricultura familiar, os encargos variam entre 0,5% e 8% ao ano.
O tema foi analisado no programa Cotações e Mercado do último domingo (05), da Rádio Uirapuru. Durante o debate, foi destacado que, embora o volume de recursos tenha aumentado nominalmente, parte significativa do crédito anunciado é composta por recursos livres das instituições financeiras, sem equalização de juros por parte do governo, o que reduz a oferta de financiamentos com taxas subsidiadas. A avaliação também foi de que os juros mais elevados exigirão ainda mais planejamento dos produtores na contratação de crédito para a próxima safra.
O engenheiro agrônomo Cláudio Doro afirmou que a principal preocupação do setor não está na disponibilidade de recursos, mas na dificuldade de acesso ao crédito. Segundo ele, o elevado endividamento acumulado pelos produtores tem limitado a contratação de novos financiamentos, fazendo com que muitas instituições financeiras já estejam renegociando dívidas para manter agricultores aptos a acessar futuras linhas de crédito e uma possível securitização. Ainda afirmou que o reajuste dos recursos com subsídio ficou abaixo da inflação, reduzindo o poder de compra dos produtores.
Além disso, os preços das principais commodities permanecem próximos aos registrados no ano passado, enquanto os custos de produção, os juros e o endividamento seguem em alta. Na avaliação apresentada durante o programa, esse cenário exige maior cautela na tomada de crédito e reforça a necessidade de uma safra com boa produtividade para garantir a sustentabilidade financeira das propriedades rurais.
