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Agricultura

Plantio do trigo deve ganhar ritmo após o fim das chuvas: região já semeou cerca de 60% da área

Públicado em Por RD Uirapuru / Mateus Miotto
Biotrigo Genética acredita na ampliação da área de cultivo de trigo na região
Biotrigo Genética acredita na ampliação da área de cultivo de trigo na região

As chuvas que atingem o Norte do Rio Grande do Sul desaceleraram temporariamente o plantio do trigo, mas a expectativa é de que os trabalhos sejam retomados com intensidade na próxima semana, quando a previsão indica melhora das condições climáticas. Na região de Passo Fundo, aproximadamente 60% da área prevista para a cultura já foi semeada.

Apesar da retomada esperada, a safra de 2026 será marcada por uma expressiva redução na área cultivada. Segundo o engenheiro agrônomo Cláudio Doro, os produtores têm reduzido os investimentos diante das dificuldades financeiras enfrentadas nos últimos anos e da insegurança quanto à rentabilidade da cultura. Conforme ele, há cooperativas que registram forte redução de áreas plantadas, superando as estimativas médias estaduais. Em algumas propriedades, a diminuição da área destinada ao trigo chega a 56%, enquanto em outras ultrapassa 70%, evidenciando um cenário bastante desigual entre as diferentes regiões produtoras.

Além da redução da área cultivada, o agrônomo destaca que muitos agricultores também estão diminuindo os investimentos nas lavouras. Em razão do aperto financeiro, parte dos produtores está utilizando sementes salvas da safra anterior, reduzindo a adubação de base e limitando o manejo ao mínimo necessário, como a aplicação de nitrogênio em cobertura. Segundo Doro, muitos produtores já não têm margem financeira para assumir os custos de uma lavoura com alto nível tecnológico diante das incertezas climáticas e econômicas. A estratégia tem sido reduzir despesas para tentar preservar o caixa, mesmo sabendo que isso pode comprometer a produtividade.

Outro fator que pesa na decisão dos agricultores é o mercado. De acordo com Cláudio Doro, o preço do trigo segue sem apresentar reação significativa. Atualmente, os valores pagos no balcão giram em torno de R$ 70 por saca, enquanto o produto disponível varia entre R$ 75 e R$ 77, dependendo da qualidade. Conforme o engenheiro agrônomo, a manutenção desses preços ocorre principalmente em função do dólar e da paridade de importação, já que o mercado internacional também registra queda nas cotações.